sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Judas Priest - Rising In The East - DVD


O show gravado neste DVD, no histórico Budokan completamente lotado e muito bem filmado e editado (nada muito rápido, conseguindo captar perfeitamente a performance da banda no palco), a única falha são as luzes (muito vermelhas) em determinados momentos, atrapalhando a qualidade da imagem. O som disponível em 5.1 e DTS é muito bom, com ótima mixagem e definição.
 E mais ainda, a prova de que os caras agora fazem um show, que se não é super energético, é capaz de emocionar platéias pelo mundo.

Quem não fica louco com músicas como “Eletric Eye”, “Metal Gods” e “Riding In The Wind”, que iniciam os trabalhos? A filmagem está excelente, e todos os efeitos de palco estão presentes: o olho, aonde Rob Halford faz sua primeira aparição, os elevados, o platô aonde ele “voa” na nova “Judas Rising” e a motocicleta em “Hell Bent For Leather”.


Se tudo isso não bastasse, os músicos parecem ainda ter energia para muitos e muitos anos. Glenn Tipton (guitarras), K.K. Downing (guitarras), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) agitam durante toda apresentação, contagiando o público. Por outro lado, Rob Halford perdeu muito da sua forma física. Como nos shows por nosso país, o vocalista se movimenta muito pouco e parece bastante cansado em algumas músicas. Se ele não anda mais pelo palco como antigamente, sua voz também dá diversos sinais de cansaço, mas Halford não faz feio (principalmente se pensarmos no repertório), mesmo em músicas mais difíceis. O que vale nesse caso, principalmente, é a presença do “metal god” junto com seus companheiros de banda. Já é o suficiente pra qualquer fã ficar feliz.





A banda ainda reserva algumas surpresas , como “I´m A Rocker”, “Turbo Lover” e “Exciter”. De sons novos temos “Deal With The Devil”, “Revolution”, “Worth Fighting For” e “Hellrider”, que funcionam bem ao vivo. Além das obrigatórias “The Ripper”, “Painkiller”, “Living After Midnight” e “You´ve Got Another Thing Coming”.
É claro que o que disse anteriormente ainda vale para o DVD: Glenn Tipton, KK Downing e Ian Hill parecem colados no palco, mas mostram realmente estar se divertindo, enquanto Scott Travis destrói tudo na bateria. Rob Halford é o enigmático vocalista de sempre: voz fraca, desafinando em alguns momentos, mas soberbo em outros, como em “Riding On The Wind” e “Turbo Lover”. A filmagem previlegia vários ângulos do show, e vale o investimento. Se você assistiu e não curtiu junto, faça isso novamente pois este grande momento de uma grande e influente  banda  de heavy metal é para toda a vida.





quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rock , Ópera e Queen - A Night at the Opera



Imagine um disco excelente que é fechado, simplesmente, pela canção eleita na Inglaterra como a melhor do século. “Bohemian Rhapsody” é uma daquelas peças que não merecem menos que o título de obra-prima. Falar dela é cair no lugar comum e em adjetivos que não conseguem expressar o impacto que causou no mercado fonográfico mundial à época de seu lançamento. Para quem não conhece ou se lembra dela “Bohemian Rhapsody” é a música que toca no carro de Mike Myers em que todos cantam e fingem tocar instrumentos no filme “Quanto Mais Idiota Melhor”. O Queen lançava, em 1975, o seu primeiro disco a estourar no mundo inteiro. Produzido por Roy Thomas e pelo próprio grupo. Nos créditos, a mesma frase de sempre: No Synthesisers!

“A Night At The Opera” abria com um piano em clima meio operístico / meio Liberace, como que para justificar o nome do disco, fraseado pela guitarra gritante de Brian May. A música era “Death On Two Legs” , e trazia o cantor e pianista Freddie Mercury secundado pelos surpreendentes vocais dele mesmo, Brian May e Roger Taylor, fazendo várias vozes sobrepostas (overdub). Esse recurso, que já havia sido utilizado por eles antes, iria ser explorado à exaustão em todo o disco e passaria a ser uma das marcas registradas do Queen em todos os seus trabalhos.
Um clima de vaudeville com pitadas das operetas britânicas de Gilbert & Sullivan vinha a seguir com a divertida “Lazing On A Sunday Afternoon” (Mercury), onde sua voz, modificada tecnicamente, fazia lembrar o som de um velho disco. Emendado, tínhamos o peso do rock calcado em guitarras cheias de overdrive numa letra machista, bizarra e ao mesmo tempo engraçada, com o vocal mais áspero de Roger em “I’m In Love With My Car” . Para contrapor o peso da guitarra, a próxima música trazia o piano elétrico com seu autor, o baixista John Deacon, em versos apaixonados de “You’re My Best Friend”, findando com a guitarra de May. O guitarrista, por sinal, era o centro da música seguinte, “’39”, na qual, além de ser o autor, cantava e tocava violão e guitarra, acompanhado pelo grande contrabaixo de orquestra de Deacon e uma percussão feita apenas por bumbo e pandeiro de Taylor. Trazia os vocais de fundo mais simples do disco (em uma passagem, levemente distorcidos), mas a própria beleza da composição justificava o arranjo simples e tocante.

As duas músicas que fechavam o lado A eram de Mercury: “Sweet Lady” e “Seaside Rendezvous”. A primeira refletia o clima e arranjos do álbum anterior, “Sheer Heart Attack”, onde guitarra baixo e bateria fundamentavam os vocais de Freddie Mercury, enquanto a segunda trazia o mesmo clima de “Lazing On...”, onde o piano se destaca, mas os recursos são outros, como assobios e efeitos de vocais imitando instrumentos de sopro, arranjados por Taylor e Mercury.
O clima pesado criado pelo silêncio e ruídos de vento, pontilhados no violão e por um koto (instrumento tradicional japonês) de brinquedo nas mão de May iniciavam o lado B. “The Prophet’s Song” (May) tem os versos mais impressionantes de um disco repleto de letras brilhantes. Em seus mais de 8 minutos ela prepara, como seu nome já diz, o ouvinte para o grand finale do disco, quase que profeticamente (o trocadilho é proposital).
O miolo deste lado é composto de duas músicas, uma de Mercury e outra de May. A primeira viria a se tornar um de seus maiores sucessos, “Love Of My Life”, cuja versão ao vivo chegaria ao primeiro lugar no Brasil (um dos melhores mercados e públicos do Queen) e digna de figurar na coletânea Greatest Hits. “Good Company” é uma composição que tem a cara de May; nela, além dos vocais, ele ainda toca ukelele havaiano (instrumento similar ao nosso cavaquinho) e imitva uma Jazz Band na guitarra.
Iniciando apenas com vocais e piano ao melhor estilo do grupo, abusando do estéreo em toda a faixa, “Bohemian Rhapsody” tem uma letra que se propõe a contar uma história trágica, porém com brincadeiras verbais como “Scaramouch will you do the fandango” ou Gallileo, Gallileo, figaro magnifico”. Todas – e são todas mesmo – as características que fizeram do Queen um dos grandes nomes do rock estão lá, da suavidade de versos sussurrados por Freddie Mercury como “Nothing really matters, nothing really matters to me, anyway the wind blows...” aos gritos de “So you think you can stone and spit my eyes”, o excelente trabalho de bateria onde os pratos se destacam em climas mais densos de Roger Taylor, o baixo Fender Precision sem firulas e exato de John Deacon e, acima de tudo, pari passu com os vocais de Mercury, a guitarra de Brian May.
O final, na verdade, do disco é uma vinheta instrumental com toda a pompa e circunstância protocolares, onde o Queen dá sua versão do hino britânico, “God Save The Queen”. Assim termina um disco que na minha opnião é uma referência eterna de como se fazer rock , de uma produção perfeita em tudo , nos volumes dos instrumentos, nos timbres, na mixagem , masterização e mostra que o Queen é uma banda que nunca será imitada por ninguém.Disco para toda a vida. Pra quem curte eu indico o dvd da coleção Classic Albuns , onde os integrantes e o produtor falam sobre as gravações desta obra prima.










domingo, 11 de setembro de 2011

Megadeth - Killing is My Business , and Business Is Good ! - 1985



 um dos debuts mais inspirados do Thrash Metal norte americano (provavelmente o melhor debut de todos até hoje!), lançado a 12 de Junho de 1985 – sim, o primeiro álbum de estúdio do Megadeth é tudo isso! Ainda com o “sangue nos zóio” por ter sido chutado do Metallica, o vocalista/guitarrista Dave Mustaine compôs algo que de fato acabou sendo muito mais “cru” e visceral do que Kill ‘Em All (o primeiro de estúdio do Metallica) e menos cuidado do que os demais debuts do Thrash norte americano no que se refere à produção ou mesmo ao “despojo” com que a banda o tocou, mesmo contando com uma pegada mais “bluesy” adicionada pelos amigos Chris Poland (guitarrista) e Gar Samuelson (baterista). É impressionante aliás como o álbum, mesmo tão sujo e pesado consegue transparecer uma incrível qualidade técnica oriunda dos respectivos membros da banda, levando em conta que os mesmos membros (ou melhor, pelo menos os que iam permanecendo na banda ao longo dos anos...) iriam ainda evoluir muito como músicos, letristas e compositores. O álbum começa com Last Rites/Loved To Deth, que nos mostra o que está por vir com sua levada insana e sua letra que fala sobre relacionamentos amorosos. Depois temos ainda a faixa-título Killing Is My Business... And Business Is Good!, que fala sobre uma espécie de um justiceiro caçador de recompensas, e a terceira faixa The Skull Beneath The Skin, que por sua vez seria uma espécie de apresentação ao mascote da banda Vic Rattlehead. Por sinal Rattlehead é o nome da quinta faixa, rápida e feita pra banguear feito um louco! Porém antes dela temos uma regravação de uma faixa da cantora Nancy Sinatra chamada These Boots Are Made For Walkiing (abreviada para These Boots nessa versão).
Vamos então à sexta faixa do álbum chamada Chosen Ones, que por sua vez tem uma cativante levada extremamente inspirada na sonoridade das bandas da NWOBHM – só que muito mais tosco, claro! E também rumamos ao momento épico do álbum com a sétima faixa Looking Down The Cross – provavelmente a mais “trampada” do álbum, e por fim temos a derradeira faixa The Mechanix, que nada mais é do que a versão original da faixa The Four Horsemen do Metallica (faixa essa obviamente escrita pelo próprio Mustaine na época, mesmo que esteja creditada como se os outros membros do Metallica sendo seus “co-autores”) , só que ela desde o começo mostra como a The Four Horsemen deveria ter sido: tosca e frenética ao invés de trabalhada e centrada.



Incomoda também a falta de bonus tracks, pois este álbum foi relançado há algum tempo lá fora com várias bônus e encarte aditivado, então porquê o lançamento brasileiro tão cru? Perguntas que ficam no ar. No final, temos apenas 27 minutos de thrash metal.
“Killing Is My Business... And Business Is Good!” é um bom início, mas não o ápice da banda, que se solidificaria e refinaria sua técnica nos anos seguintes.
Apesar dos “contras”, este álbum está cheio de peculiaridades, e seus agradecimentos é um dos momentos mais curiosos, ali está explícito o sentimento do grupo (ou seria Mustaine?) ao ver seu primeiro filho ir ao mundo. Compre o seu .

Formação:
Dave Mustaine (Vocal/Guitarra)
Chris Polland (Guitarra)
David Ellefson (Baixo)
Gar Samuelson (Bateria)





sábado, 10 de setembro de 2011

Quando o Punk Atingiu Seu Ápice ...


O Clash surgira na primeira hora do verão londrino de 1976, reunindo Joe Strummer, com uma carreira de performances no metrô e à frente de uma banda de pubs (os 101'ers); Paul Simonon, um estudante de arte que jamais havia pegado num baixo; e Mick Jones, que também vinha da cena de pubs. Primeiro Tory Crimes, e depois com Topper Headon na bateria (e por pouco tempo com o guitarrista Keith Levene, futuro PIL, completando um quinteto), o Clash abriu concertos dos Pistols em 1976 e, um ano depois, assinou um contrato vultoso para a época, com duzentos mil dólares de adiantamento. 
Não possuir um empresário que lhe ditasse o que fazer permitiu ao Clash uma liberdade musical jamais vista em outra banda punk, aliás poucas bandas experimentaram tamanha variedade sonora na história do Rock. Esta obra-prima do Clash tem um pouco de tudo do que já havia sido feito no Rock: Punk, Rockabilly, Jazz, Blues, Hard Rock, New Wave, Pop, Ska e Reggae. A sonoridade deste disco seria o suficiente para o colocar entre os maiores já feitos em toda a história do Rock, porém a banda ainda não satisfeita com isso deu origem aos mais bem elaborados versos de protesto já feitos no Rock mundial. Aliás que outra banda teria genialidade suficiente para rimar grateful, breakfast com paid for e feckless, ou ainda citar grandes gênios como Federico Lorca em suas composições? A crítica dita especializada da época que sempre torcia o nariz para as bandas de Punk Rock, teve de se render à genialidade deste disco, ao seu engajamento social, a sua sonoridade e acima de tudo ao talento inegável dos membros do Clash.
Esse disco é uma referência do estilo, um ícone da época em que foi lançado e um divisor de águas dentro do mundo da música. Uma obra perfeita que deve ser apreciada por todos.


Os dois primeiros discos desse contrato, The Clash (1977) e Give'Em Enough Rope (1978) - já revelavam claramente o que o Clash pretendia: de dentro da barragem alucinante de decibéis erguida por Jones, Strummer cantava articuladamente uma inquietação social e política que os Pistols conheciam, mas tratavam com um ódio brutal e amorfo. Mas, na época, a forma triunfou sobre o conteúdo, iludindo a todos, sem sequer antecipar o que seria London Calling.
A arte gráfica da capa do álbum é um caso a parte nesta obra-prima e remete ao não menos clássico “Elvis Presley” de 1956 um dos maiores trabalhos daquele que é tido por muitos como o rei do rock. A foto na capa é do baixista Paul Simonon destruindo o seu baixo em uma de suas apresentações em Nova Iorque. Como quase toda grande obra musical o impacto foi pouco sentido na época, porém com o passar dos anos “London Calling” se mostrou um dos álbuns mais influenciadores da história do Rock, influenciando desde artistas internacionais.
Lançado em meados de 1979, o disco foi um clarão de lucidez e coerência que nem o rock nem o Clash conheceriam depois. As dezenove faixas do álbum duplo - a última, "Train in Vain", não está creditada na capa - interligam-se para formar ao mesmo tempo um painel da Inglatera sobre Margaret Thatcher - relutantemente multirracial, bacia de fermentação de ódios e frustrações - e de um mundo apenas aparentemente sob controle, mas impulsionado por armas, drogas e guerras sob encomenda. A música tem uma riqueza de texturas que o punk desconhecia. O Clash canta o ska e o reggae pesado da Londres negra ("The Guns of Brixton", "Rudie Can't Fail". "Wrong Em Boyo") e puxa o longo fio ancestral que vai até os anos cinquenta ("Brand New Cadillac") e o jazz ("Jimmy Jazz").


“Clampdown” é um verdadeira porrada no orgulho do capitalismo, uma das canções de protesto mais explosivas da história da música que não perdoa ninguém, seja governos corruptos e injustos ou as selvagens “leis” que regem o sistema capitalista, um dos maiores destaques do álbum. “Guns Of Brixton” traz uma forte crítica social, tendo como base o violento bairro londrino de Brixton. Apesar disso a canção tem uma batida Reggae contagiante, elaborada pelo baixista Paul Simonon, com destaque para o baixo e para a bateria marcantes. “Wrong’Em Boyo” é um Ska dançante, que dá sequência ao clima criado pela canção anterior, com arranjos simplesmente geniais com destaque para o saxofone e o órgão. “Death Or Glory” é um Hard rock direto, uma sonoridade até então incomum e novidade para uma banda de punk. “Koka Kola” traz mais uma vez uma forte crítica ao sistema capitalista e aos inclusos nele, o título da canção refere-se a empresa de mesmo nome que é um dos maiores símbolos do capitalismo ianque. “The Card Cheat” é outro Hard Rock, cujo destaque fica por conta da fantástica introdução com piano, baixo e bateria. “Lovers Rock” é vez do romantismo dar as caras no disco, rock simples, direto e descompromissado. “Four Horsemen” traz uma das melodias mais fracas de todo o disco que dá uma melhorada no refrão, a mais fraca em todo o disco, mas ainda sim uma grande canção. “I’m Not Down” traz uma melodia contagiante e vocal de Mick Love está sensacional, faixa mas enérgica que a anterior e que dá uma grande elevada na qualidade do álbum. “Revolution Rock” mostra mais uma vez a criatividade melódica da banda, e apesar do título traz uma batida cadenciada típica do Reggae. E assim esses 4 músicos participam do auge de um estilo , coisa pra poucos independendo do estilo musical, e concebem um disco para toda a vida.
 
Formação:
Mick Jones – guitarra, vocal
Joe Strummer – guitarra, vocal
Paul Simonon – baixo, vocal
Topper Headon – bateria, percussão 

Faixas:
1. London Calling
2. Brand New Cadillac
3. Jimmy Jazz
4. Hateful
5. Rudie Can´t Fail
6. Spanish Bombs
7. The Right Profile
8. Lost in the Supermarket
9. Clampdown
10. The Guns of Brixton
11. Wrong ´Em Boyo
12. Death or Glory
13. Koka Kola
14. The Card Cheat
15. Lover´s Rock
16. Four Horsemen
17. I´m Not Down
18. Revolution Rock
19. Train in Vain











 
 

Billy Cobhan - Spectrum - 1973


O panamense Billy Cobham já havia adquirido grande respeito desde suas sessões com Miles Davis, em seu revolucionário "Bitches Brew", mas o grande estrondo veio com a Mahavishnu Orchestra, que fez dele um nome super cotado entre músicos de diversos gêneros musicais, no início dos anos 70.
A merecida popularidade ajudou-o a lançar esse seu primeiro álbum solo, em 1973. Músicas envolventes, arranjos complexos, muita adrenalina e uma modéstia singular fazem desse disco um trabalho não de baterista para bateristas, mas sim um álbum universal, altamente recomendado para qualquer um que queira ter o prazer de se emocionar com essa pérola do jazz-rock / fusion.
O processo de composição parece ser simples e baseado em jams sessions, ou seja, Cobham cria uma levada na bateria, o baixo toca um riff constante, uma porção de solos são jogados em cima. Linhas melódicas são adicionadas antes ou depois para tornar a coisa mais interessante, adiciona-se um naipe de metais e pronto!
 “Quadrant 4”, uma paulada no pé da orelha que no início tem o batera e o espetacular tecladista Jan Hammer quebrando tudo.

Em seguida vem o baixo pulsante de Lee Sklar, fazendo a “cama” para a entrada triunfal da guitarra quente e esmerilhante do mestre Tommy Bolin, até então um jovem guitarrista que estava chamando a atenção por seu estilo marcante, mestre do pedal delay e com grande versatilidade, vide suas posteriores passagens por bandas como Zephyr, James Gang e Deep Purple.


Foi em Spectrum que Bollin chamou a atenção do mundo da música,arrancando comentários elogiosos de nomes como Jeff Beck,Jimmy Page,David Gilmour e até mesmo do genioso Ritchie Blackmore,que o teria indicado para substitui-lo no Purple. O grande baixista Ron Carter, na música “Spectrum”.Outras músicas que completam o disco são as envolventes “Le Lis” e “Red Baron” e a porrada “Taurian Matador”, mas sugiro que comece a ouvir esse álbum da mesma forma que eu comecei, ou seja, com “Stratus” e o volume no máximo. Aguarde a introdução pois ela reserva uma surpresa incrível assim que Billy Cobham dá a última batida e o baixo entra.
Este trabalho foi decisivo e abriu caminho para que Tommy Bolin, em Spectrum, Bolin se mostra um guitarrista incrivelmente versátil cujo trabalho no Purple certamente foi subestimado.
Com um time de craques o baterista que esteve altamente inspirado nas seções de gravação,colabora com um disco para a música , e mostra que quando o artista principal é bom e não se leva pelo orgulho e sim canaliza sua música, pare uma obra singular onde a bateria mostra uma dinâmica nunca ouvida ou mostrada na música, timbres que realmente colorem as músicas , sem soarem falso como um truque barato de estúdio, e atuações com inspirações extra terrenas com certeza. COMPRE.
 
Faixas:
1-"Quadrant 4" – 4:20
2-"Searching For the Right Door" – 1:24
3-"Spectrum" – 5:09
4-"Anxiety" – 1:41
5-"Taurian Matador" – 3:03
6-"Stratus" – 9:50
7-"To the Women of My Life" – 0:51
8-"Le Lis" – 3:20
9-"Snoopy's Search" – 1:02
10-"Red Baron" – 6:37





quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Discos Que Marcaram a Minha Vida - Iron Maiden - Piece of Mind - 1983



 Na vida  quando mais  fazemos algo por um tempo , e  sempre que repetimos o mesmo, ele se torna especial . No meu caso , cada vez mais que ouvia a mesma música ou o mesmo disco várias vezes , aquilo se tornava uma quase relação , pois a cada audição , eu percebia algo novo e diferente naquilo. Isso aconteceu também em relação a banda Iron Maiden. De muitos amigos que tive , e alguns que tenho até hoje,sempre tinham seus discos da banda e queriam que eu ouvisse , " O Fred , leva esse Iron , é fod@. Mas eu nunca que escutava e esnobava a banda.Numa época da minha vida , eu tava curtindo muito o Heavy Metal , e escutava bandas do estilo de diferentes países, épocas sempre pesquisando sons novos.Até que um dia garimpando uns cds baratos , eis que vi aquela capa que choca logo na 1ª vista , O Eddie numa camisa de força , numa solitária toda acolchoada a sua volta . Como o preço tava convidativo , eu lembrei dos meus amigos , e o Fred levou o seu 1º Iron pra casa e não se arrependeu.


“Piece Of Mind” é uma obra que representa várias coisas. Recheado de clássicos, esse álbum é o momento em que o som do Iron Maiden casa de vez com o estilo vocal de Bruce Dickinson, é o momento em que a banda melhor desenvolve sua capacidade de compor melodias marcantes sem perder o peso característico de seu som e é, acima de tudo, o trabalho que melhor define a sonoridade da banda, aquele que melhor exemplifica tudo o que o Maiden é.

Após a saída do baterista Clive Burr, a banda recruta Nicko McBrain, do Trust. E o novo integrante já mostra a que veio na primeira música. “Where Eagles Dare” abre  de maneira fenomenal, com a batera precisa de Nicko, totalmente bem entrosada com o baixo do chefão Steve Harris, o extraordinário trabalho de guitarras da clássica dupla Dave Murray e Adrian Smith, seja nos riffs ou nos solos, além do vocal de Dickinson, melódico e atingindo notas muito altas. É difícil dizer se essa faixa é a melhor música de abertura de um disco na história do Maiden, até porque a concorrência é dura demais, mas a música é um clássico absoluto.
Em Piece of Mind, Steve Harris pela primeira vez permitiu que outros integrantes participassem ativamente das composições.
 Aí, Bruce tirou da manga "Flight of Icarus", que, ao mesmo tempo, era a cara do grupo, com sua temática mitológica , e tornou o som do Maiden radiofônico, sem farofar.
O rock mais direto de “Die With Your Boots On” é impossível de ser ouvido de forma quieta e passiva. Não bastasse toda a energia dessa música, os solos são excelentes, o baixo estala nos ouvidos durante a canção inteira e as notas atingidas pelo vocal são impressionantes. o vocalista enfiou-se novamente em seus livros e fez a bela "Revelations".Steve compareceu com, possivelmente, a canção que melhor define o Iron Maiden: "The Trooper", até hoje uma das favoritas dos fãs,um avassalador ataque da cavalaria, e rocks mais diretos como "Die With Your Boots On", em parceria com Bruce e com o guitarrista Adrian Smith, e “Where Eagles Dare".

 "To Tame a Land", baseada em Duna, não emplacou, mas ajudou a dar um charme extra ao disco.
A parte ‘menos famosa’ de “Piece Of Mind” se inicia com a semi-balada “Still Life”, única com participação do lendário guitarrista Dave Murray na composição. A música começa com uma mensagem invertida, ironizando as histórias de que o Maiden e outras bandas traziam em seus discos mensagens que, quando rodadas ao contrário, traziam alusões ao satanismo. Nesse caso, a mensagem trazia algo como “não mexa com aquilo que você não entende”. A canção em si é uma música maravilhosa, pouco executada pela banda, com uma levada marcante, belas melodias e mais um excelente trabalho vocal de Dickinson.
“Quest For Fire” talvez seja a ‘menos boa’ do disco, mas em se tratando de “Piece Of Mind”, isso está longe de ser uma música ruim. O andamento mais cadenciado e o vocal quase operístico dão o tom de mais uma excelente música, com todas as características que conferem à Donzela sua sonoridade inconfundível.
“Sun And Steel” é a faixa mais veloz do disco, com a tradicionalíssima cavalgada no riff e no acompanhamento do baixo, além de uma melodia cativante e um refrão legal. 



Não há pontos negativos a se ressaltar em “Piece Of Mind”. Pode-se até apontar alguma coisa que tenha ficado melhor que a outra, mas dizer que há algo sem qualidade nesse disco é um tanto arbitrário. A banda mostrou com esse trabalho que é possível abordar temas clássicos do heavy metal, como guerras e personagens mitológicos, de forma inteligente. Trazendo todos esses temas, além de incursões na literatura e até em citações religiosas, o disco traz algumas das letras mais bem sacadas da Donzela. A capa talvez não seja a melhor de todas, mas a expressão de loucura do Eddie lobotomizado tornou-se uma das ilustrações mais clássicas relacionadas à banda. O andamento é um pouco mais cadenciado em relação a outros discos da banda. A produção do mestre Martin Birch deixou todos os instrumentos perfeitamente audíveis e equalizados na medida certa.
Sobre a banda, não há como dizer quem se saiu melhor. O estreante Nicko McBrain faz um trabalho primoroso e, embora já mostrasse um pouco do virtuosismo que seria melhor exibido em discos posteriores, toca para a banda, sem querer aparecer mais do que a música pede.  Cabe aí o gosto pessoal de cada um. Quanto ao baixista, não bastasse ser o mentor da banda, o principal compositor desta e de todas as demais obras, sua excelência nas quatro cordas se faz desnecessária enfatizar. Impressionante como, nos dias de hoje, aparece um ou outro questionando sua habilidade como instrumentista. A dupla Adrian Smith/Dave Murray mostrou-se mais uma vez impecável, como sempre. Não se percebe entre os dois uma disputa de egos, uma competição para ver quem se sai melhor. E talvez por isso mesmo eles sejam responsáveis por algumas das mais clássicas e influentes linhas de guitarra na história do rock pesado. Quanto a Bruce Dickinson, apenas não se diz que esse foi o seu melhor trabalho para o Maiden porque sua performance em “Powerslave” também é de cair o queixo.
Qualquer um que vivenciou o metal na primeira metade dos anos 80, desde a molecada da época até os mais experientes, já gastou algumas horas de sua vida colocando “Piece Of Mind” para tocar, e para tocar de novo, e de novo, e mais uma vez. Por mais que alguém não goste do disco, se esse alguém nunca balançou a cabeça ao som de pelo menos uma das músicas desse álbum, ainda que uma única vez na vida, essa pessoa não pode dizer que sua experiência com o heavy metal esteja completa. “The Number Of The Beast” e “Powerslave” são os discos de estúdio mais famosos e aclamados da banda, mas é justamente o álbum que separa esses outros dois que pode ser dito como o que melhor expressa o que é o som do Iron Maiden. Depois de 25 anos completos, dá para dizer que além de ser a obra que melhor resume o som da banda, “Piece Of Mind” também é a síntese do que é o heavy metal clássico. Disco para toda a vida.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vamos Falar de Fusion !



Nascido na virada dos anos 60 para os 70, o jazz-rock acabaria por se tornar, nos anos 70 e 80, sob o nome de fusion, um gênero de enorme sucesso comercial, porém bastante controverso entre os apreciadores de jazz, especialmente entre os fãs mais apegados a uma concepção restrita de jazz , a qual vinha sendo tocada e gravada tempos antes. Não se tratando de uma lista dos melhores, mas sim uma lista para se conhecer os músicos que reinventaram o jazz , a partir da eletrificação dos instrumentos usados na época.

Miles Davis – Bitches Brew (1970)

Em agosto de 69, Miles juntou um grupo de talentosíssimos músicos e decidiu juntar o jazz com elemento africanos, com o blues, com funk negro americano e batidas latinas. A partir daí nasceria um dos discos mais influentes, geniais e polêmicos da história da música, Bitches Brew ,e o nascimento de um novo estilo de jazz, o fusion. Em seus quase 100 minutos, o que vemos é um artista desconstruindo e reconstruindo um estilo de forma genial. Temos a bombástica Pharaoh´s Dance e a antológica musica título, altamente introspectiva com algumas explosões sonoras. Vemos Miles utilizar o talento de seus músicos de forma quase obsessiva, seja pela empolgante Sanctuary ou mais especificamente em Miles Runs the Voodoo Down, que mescla de forma impressionante o blues, o jazz e uma pitada de musica africana em seus 14 minutos de duração(percebam nessa música os solos de sax de Wayne Shorter e o de teclado de Corea, arrasadores).

Billy Cobham – Spectrum (1973)

Este disco conta com nada menos do que tommy bolin na guitarra , genial guitarrista que dentre as bandas que tocou  o Deep Purple foi uma delas , capitaneado pelo batera Billy cobham(ex – mahavishnu orchestra) o disco é muito bom , bem gravado e produzido e contendo ótimas faixas como a faixa – título, stratus,red Baron, o time de músicos conta ainda com o tecladista jan hammer.

Frank Zappa – Hot Rats (1969) 

Sendo considerado um de seus melhores discos dentro de sua vasta discografia , esta pérola foi composta e produzida por zappa que montou uma bela banda se desvinculando dos mothers of invention e construindo uma parceria com o violinista Jean Luc ponty e seu braço direito Ian underwood , mostra – se uma preocupação maior  com o instrumental e tendo uma produção impecável para a época.

Jeff beck – Blow by Blow (1975) 

Disco que marca a fase instrumental deste excepcional guitarrista e conta com um belo time de músicos, a produção de george martin e músicas e versões pra lá de inspiradas, como a versão pra “ she´s a womam”dos Beatles,air blower e scatterbrain Jeff mostra como se entrega ao fazer solos incríveis e as vezes pontuados pelos arranjos de cordas feito por Martin. 

Mahavishnu  orchestra – birds of   fire (1973) 

Grupo liderado pelo excepcional guitarrista John Mclaughlin  e por músicos virtuosos e saídos da banda de Miles Davis , assim como o guitarrista, fizeram uma mistura não só de jazz – rock , como incluíram música erudita e blues tradicional fazendo deste, o disco definitivo da banda com esta formação.  

Weather report – heavy weather (1977)

Formado ao final dos anos sessenta pelo pianista futurista Joe Zawinul e pelo magistral saxofonista egresso do Miles Davis quintet Wayne Shorter, o Weather Report agregou uma boa variedade de influências, do Free jazz ao Progressivo, contribuindo decisivamente para o estabelecimento do Jazz Fusion nos anos 70. A história de "Heavy Weather" não se limita à uma transição de sonoridade.
O álbum, na verdade, conta com excelentes composições, pelo menos 4 clássicos do grupo e também com o definitivo estabelecimento de uma figura histórica: Jaco Pastorius.
Integrado à banda em "Black Market", mas apenas participando de 2 faixas, Pastorius trouxe muito mais suingue, ritmo e técnica ao som do WR.

Return to forever -  romantic warrior (1976)

Grupo liderado pelo tecladista Chick Corea , saído da banda de Miles Davis no período fusion do trompetista, contando ainda com os excelentes Lenny White na bateria, Stanley Clarke no baixo,  e Al di Meola na guitarra fazendo deste o álbum de maior sucesso da banda se proprondo a fazer um fusion mais hermético do que as outras bandas vinham fazendo,e tendo um perfeccionismo técnico imenso, visto do potencial individual de cada integrante.

  HEADHUNTERS – Herbie Hancock (1973) 
 Depois de ter tocado com miles davis entre 1963 até 1968, Herbie Hancock montou um time de músicos de 1ª, e juntou toda sua parafernalha de teclados e afins, Hancock comandou o nascimento do jazz – funk , compondo com precisão grooves robóticos e intricados antecipando o electro dando origem depois ao Techno e o hip-  hop.  

John abercombrie – timeless (1974) 

Estréia de mão cheia na carreira solo deste impecável guitarrista , que juntamente com o  maravilhoso baterista Jack Dejohnette e o não menos espetacular tecladista Jan Hammer , gravaram um álbum instrumental com lindas composições e como diz Abercombrie no encarte uma reflexão de suas origens , tocando como os grupos dos anos  60 com seus órgãos cheios de efeitos fazendo um ótimo contracanto com a guitarra.

 
Hoje em dia chamado de  Fusion, ainda é tocado e gravado por uma infinidade de artistas, alguns da lista não mais  se encontram em vida , mais outros como o violinista Jean Luc Ponty que além de contribuições, gravou ótimos discos em sua carreira solo, o guitarrista Mike Stern, Dixie Dregs, banda do espetacular Steve Morse, as bandas Passport e The Yellowjackets, Tribal Tech do guitarrista Scott Henderson, entre outros,  que continuam a nos levar nas asas deste livre porém complexo estilo musical que ainda tem muita lenha pra queimar.