domingo, 9 de outubro de 2011

Buddy Guy - Stone Crazy


Nota : 10

Buddy Guy, para mim, é o autêntico responsável pela transição do blues tradicional para o blues moderno. Ele adotou tecnologias sem medo, potencializou o som de sua guitarra, que tem voz própria, identificável à distância, apurou o vocal de shouter e tem uma performance dinâmica e explosiva, sem perder um só segundo a linguagem primordial do blues. Como influência confessa de Jimi Hendrix, ele tem trânsito livre com o pessoal do rock. Depois de gravar com B. B. King e voltar a Robert Johnson. Passadas as mortes recentes de John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan e Junior Wells, Buddy Guy, com B. B. King, Otis Rush, e uns poucos, apresenta-se como um dos últimos de uma época e linhagem nobre do Blues.


O que me leva a ressaltar a importância de Stone Crazy!, ainda hoje o meu disco preferido de Buddy Guy, lançado em 1981 pela célebre Alligator Records.
 "I Smell a Rat", de 9 minutos e meio, pega o ouvinte pelo pescoço. Começa com um urro de Buddy Guy e um imediato solo desenfreado de uma guitarra possessa e desequilibrada. Quando Buddy Guy começa a cantar, é a guitarra do irmão, Phil Guy, que segura o dedilhado e toda a base em todo o disco, para ele alçar vôo tranqüilo.É bom lembrar que a banda enxuta se sustenta em J. W. Williams (baixo) e Ray Allison (bateria). A produção é de Didier Tricard.
São 6 faixas, distribuídas ao longo de pouco mais de 40 minutos, como nos tempos originais do LP. Tudo fruto de uma urgência selvagem e de uma aspereza inqualificáveis. "Are You Losing Your Mind?", pergunta ele na 2a faixa. A resposta é sim, se você continuar espancando a guitarra desse jeito. Buddy Guy solta uivos enquanto sola, exatamente como no palco, onde a posição do microfone não é marca fundamental para mantê-lo parado. A voz atinge graus elevados de convicção absoluta.

O que temos em Stone Crazy! é um músico extraordinário e um cantor arrebatado pelo blues, incapaz de conter o jorro da adrenalina. Se ele não consegue, por que eu deveria? Experimente você. A menor faixa do disco, "She's Out There Somewhere", dura 4 minutos e 26 segundos. parece que dou muita importância ao cronômetro. Não é verdade. Eu só quero dizer que esse tempo todo é gasto em descargas de alta voltagem, sem nenhuma excrescência. "Outskirts Of Town", que mais se aproxima da idéia pré-concebida que a maioria tem de um blues, por ser lenta e chorosa, transborda urbanidade cosmopolita e desesperada.


Stone Crazy! oscila, em suas características, do silêncio ao barulho enfezado. "When I Left Home" vai do gemido ao grito sem escalas intermediárias. Buddy Guy persegue extremos como não o vi perseguir em outros títulos com tamanhas entrega, sem se poupar. Há passagens em que Stone Crazy! se assemelha a um ensaio da banda, com Allison pontuando as lafas e enfatizando as explosões. Termina com Buddy Guy, num lamento onomatopaico ou péico ou o raio que o parta. Shit! Se eu estou triste, Stone Crazy! levanta meu astral, e se estou alegre, o disco mejoga ainda mais para cima. Disco para toda a vida.






Rory Gallagher - Live In Europe



O irlandês Rory Gallagher foi um dos guitarristas de blues pioneiros de seu país, sendo considerado um dos músicos britânicos mais originais e técnicos das últimas décadas. Um autêntico gênio criativo e um homem bastante simples, que usou uma única guitarra Fender Stratocaster de segunda mão em toda sua longa carreira.

Além de ser um guitarrista bastante perfeccionista, foi também cantor e compositor, um artista incansável que excursionou por bares e clubes desde os 16 anos, sempre consciente de abster-se do comercialismo musical barato, feito que lhe garantiu respeito por parte da mídia especializada e fãs por todo o mundo.
Este “Live! In Europe” foi o primeiro registro ao vivo de sua carreira-solo, tendo o óbvio Rory na voz, guitarra, bandolin e gaita, além de seus companheiros Gerry McAvoy no baixo e Wilgar Campbell na bateria.


 Aqui Rory tinha apenas 23 anos e as canções deste disco são uma seleção das gravações feitas durante sua excursão pela Europa nos meses de fevereiro e março 1972. Foi totalmente produzido pelo próprio Rory Gallagher, atingiu a décima posição nas paradas e arrebatou seu primeiro disco de ouro pelas vendas, consolidando de vez o sucesso de seus dois primeiros discos-solo de estúdio.


O blues bastante cru apresentado nas faixas “Messin' With The Kid” e “Laundromat” mostra como suas canções são poderosas e sua voz, simples, se encaixando perfeitamente em sua música. “Pistol Slapper Blues” com aquele cheirão country, segue com uma guitarra acústica, tendo a participação entusiástica do público. Ainda no bloco acústico, a estupenda "Going To My Home Town" mostra todo um swing contagiante.
”I Could've Had Religion” (esta sempre foi a canção favorita de Bob Dylan) tem uma interpretação apaixonada de todos os músicos, mostrando principalmente a versatilidade de Rory com os instrumentos musicais, tocando simultaneamente a gaita e guitarra durante esta canção. “Bullfrog Blues” fecha este curto registro com um blues bem chegado a um rock ´n´roll alto astral, além de fornecer o grande final, onde cada um dos músicos tem seu momento, solando seus instrumentos na medida certa, para delírio da multidão.
Uma das grandes características de Rory era o fato de praticamente não usar pedais e não ensaiar os solos de suas canções, sempre preferindo a espontaneidade, o que mostra ainda mais seu talento. E seus solos de guitarra são excelentes, esbanjando técnica e sentimento. Em vários momentos percebe-se claramente sua alegria na viagem musical, tendo ainda Gerry e Wilgar participando tranqüilamente destas incursões, acompanhando com competência os naturais improvisos do guitarrista.
“Live! In Europe” teve novas versões remasterizadas colocadas no mercado posteriormente, onde foram incluídas faixas-bônus, cujo número variavam de acordo com a edição. É um disco obrigatório, que deve constar na prateleira de qualquer amante do puro blues e rock ´n´roll simples.
Rory Gallagher seguiu sua carreira de maneira estável até 1994, quando cai seriamente doente, vindo a falecer em 14 de junho do ano seguinte, em decorrência de complicações de uma cirurgia para transplante de fígado feita em abril deste ano. Tinha apenas 46 anos, sem esposa, sem filhos; viveu toda sua existência em função de sua arte, de maneira simples e íntegra.


E para finalizar, deixo aos leitores um comentário deste músico sobre a opção de trocar sua velha e surrada guitarra Fender, frase de Rory que exprime bem sua convicção do que pensava sobre o materialismo:
"Trocar para que se sempre foi minha companheira? Em time que está ganhando não se mexe, não é assim o ditado? Eu fico com minha Fender mesmo”. Obrigatório em qualquer coleção.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Aerosmith - Toys In The Attic

Attic Toys

o Aerosmith traçava uma bela trajetória dentro do panorama do hard rock da época. Ao lado de Rocks (1976), Toys In The Attic divide, entre os fãs mais antigos, o posto de melhor disco gravado pelos "Bad Boys From Boston". Porém o quinteto capitaneado pela dupla Steven Tyler (vocalista) e Joe Perry (guitarrista), só viria a se transformar em uma das maiores bandas americanas dos anos 70, lotando estádios e vendendo milhões de cópias, após o lançamento do seu terceiro trabalho, um clássico do rock. Mais do que isso, Toys In The Attic foi fundamental para a evolução da carreira do conjunto, que até então era obrigado a conviver com o estigma, criado pela imprensa, de ser mera cópia dos Rolling Stones, mito difundido muito mais pela semelhança física entre Tyler e Jagger (principalmente pela enorme boca) que pelo som que executavam.




No primeiro semestre de 1975 o LP já podia ser encontrado nas prateleiras das lojas de discos. A produção da bolacha ficou, como de costume, por conta do fiel escudeiro Jack Douglas, e as gravações foram feitas no hoje lendário Record Plant Studios, em Nova Iorque.
A faixa-título abre o lado-A. Rápida, eficiente, sem firulas, como todo bom rock deve ser. Desde então, Toys In The Attic sempre teve presença cativa nas apresentações ao vivo, influenciando toda uma geração de roqueiros. Até mesmo o R.E.M., umas das mais cultuadas bandas underground da atualidade, já revisitou a canção. Na seqüência, em Uncle Salty, é apresentado pela primeira vez um tema polêmico, o abuso infantil.  Arranjos e vocais um tanto quanto atmosféricos dão mais charme à canção, lançada como lado-B do single de Sweet Emotion. Seguindo o estilo de One Way Street, do auto-intitulado primeiro trabalho, Adam's Apple mostra um rock bem trampado, baseado em R&B, com destaque para os arranjos de guitarra dobrada.

A quarta faixa é sem sombra de dúvidas um grande clássico. Estou falando de Walk This Way, cuja base rítmica foi criada por acaso, numa passagem de som da banda. Com a letra escrita em apenas um dia, essa faixa é um funk-rock de riff marcante, facilmente reconhecido pelo público ao ser executado, assim como é (I Can't Get No) Satisfaction para os Stones. Ninguém imaginaria que após onze anos, uma parceria entre o Aerosmith e um grupo de rap, faria da música a peça chave para resgatar o grupo de um ostracismo ao qual foi levado pelas drogas.
Big Ten Inch Record, uma cover de autoria de F. Weismantel, no estilo rockabilly com pitadas de Jazz, fecha o primeiro lado do disco. O Lado-B tem início com um petardo capaz de derreter o cérebro de qualquer desavisado que foi apresentado ao grupo através de sua fase mais recente. Sweet Emotion foi inicialmente criada por Tom Hamilton (baixista do grupo) nos tempos de escola, mas só foi apresentada à banda durante as sessões de gravação. Uma das melhores - senão a melhor - músicas do quinteto, ouça e comprove. Em 91 foi lançada uma versão remixada, juntamente com um novo clip. Essa versão também pode ser encontrada na trilha sonora do filme Armageddon (1998).
Para No More No More cabe o papel de faixa mais Rock n'Roll. Um rockão básico cuja levada chega a lembrar Beatles e a letra faz apologia às loucuras a respeito de fazer parte de uma banda. Em todos os aspectos, toda a ideologia de um período da história da música, em que o estilo possuía bastante popularidade e recebia uma maior atenção da mídia, é sintetizada nessa composição.
A parte densa do álbum termina com a pesadíssima e hipnotizante Round And Round, composta por Tyler e Brad Withford (guitarrista). . Infelizmente é uma música que com o passar dos anos foi sendo esquecida no repertório (assim como muitas outras boas canções da fase antiga) dos shows.
Para encerrar, depois de tanta sonzeira, You See Me Crying, única balada de Toys In The Attic (bons tempos aqueles). Nada de apelativo ou de intuito comercial, apenas um tema romântico escrito por Tyler ainda nos anos 60, quando o vocalista (na época também baterista) atendia pelo sobrenome Tallarico e fazia parte do grupo Chain Reaction. Vale destacar, em toda a obra, o trabalho e esforço do baterista Joey Kramer. Discreto, nunca faz questão de aparecer mais que qualquer outro integrante, sempre dando toda a pegada e energia que cada faixa exige.
Certamente, Toys In The Attic está no mesmo patamar de outros grandes clássicos do rock, tanto que permaneceu dois anos no topo das paradas de sucesso. Recentemente, o Aerosmith recebeu através da Recording Industry Association Of América (RIAA), pela 8a vez, um disco de platina pelo álbum. São 8 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos, desde o lançamento.
 Se o rock for sua praia, compre.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quando uma Declaração de Amor , Se Tornou Um Disco Fundamental



"Layla & Other Assorted Love Songs" é, ao mesmo tempo, um álbum fundamental e uma declaração de amor sem igual. Completamente apaixonado por Pattie Boyd, esposa de seu chapa de longa data George Harrison, Eric Clapton tentou, por muito tempo e em vão, lutar contra o que sentia, mas não conseguiu. Ele precisava se expressar, colocar para fora o que o seu coração dizia, e o resultado está neste disco.
Em 1970, após ter deixado a banda “Delaney & Bonnie” e iniciado sua carreira solo, CLAPTON partiu para um novo projeto: um álbum com essência mais roqueira, diferente e definitivo, até mesmo conceitual, por assim dizer. Cuidadoso, ERIC montou uma banda espetacular para gravar a obra prima. Recrutou Duane Allman (Allman Brothers Band), o mago do “slide guitar”, e dividiu com ele a responsabilidade pela maior parte do trabalho. No mais, completaram o line up os ótimos Jim Gordon (batera), Bob Whitlock (teclados) e Carl Radle (baixo), ex-companheiros de Clapton do Delaney.
A começar pela capa, que mostra um buquê de flores, e tendo como alicerce principal a canção que batiza o álbum, "Layla & Other Assorted Love Songs" é um trabalho extremamente emocional, doloroso em muitos momentos. Ouvindo o disco, percebemos o rock, o blues, o soul e aquela essência tipicamente estradeira, especialidade de Duane. Allman colocou um pouco de tempero no blues tecnicamente perfeito de CLAPTON, e a mescla disso foi a química mágica do disco.
Quando se propôs a gravar um disco com a banda, Clapton percebeu que havia algo novo em sua maneira de tocar e compor. Seu extraordinário senso melódico desabrochou nas gravações com a candura de uma estrela cadente em velocidade reduzida. O resultado musical disto deu origem a um disco que, para muitos críticos musicais de renome internacional, ainda hoje é o ápice musical de Clapton.



Falando em química, o disco também foi calcado em drogas nos momentos criativos. Eric o líder  vivia a heroína e o álcool intensamente na época. O tecladista Bobby Whitlock, ao comentar o assunto, fez um resumo sincero e matou a questão: ”As sessões de gravação tinham um menu psicotrópico: cocaína, heroína e Johnnie Walker. O resultado? Uma obra prima. Derek oscilava à beira do caos, mas nunca deixava de ser genial.”
“Layla and Other Assorted Love Songs” foi produzido por Tom Dowd, um mago que já havia trabalhado com o Cream e a Allman Brothers Band. Foi ele quem intermediou a vinda de Duane para o “Derek and The Dominoes”, certo de que algo brilhante surgiria do encontro dos dois monstros da guitarra.
Ao lembrar-se da incrível sincronia e entrosamento entre os guitarristas, o principal diferencial do disco, Dowd disse: “Deveria haver algum tipo de telepatia acontecendo entre eles, pois eu nunca havia visto inspiração espontânea acontecendo naquele nível. Um deles tocava uma nota e o outro reagia instantaneamente. Nunca um deles pediu ao outro para tocar de novo. Eram como se duas mãos coubessem em uma única luva.”.
Tom acertou em cheio... Ao permitir que as gravações fossem feitas em “jam takes” de várias horas e depois aperfeiçoadas, Dowd conseguiu extrair o máximo da criatividade dos caras quando estavam doidos e aproveitou a excelência musical deles quando estavam sóbrios. Ao ouvir o disco pronto, Tom ficou estupefato com o resultado e disse que aquele era o álbum mais sensacional dos últimos 10 anos.

Incrivelmente o álbum teve dificuldades em tornar-se um best seller, só chegando a um bom posicionamento nas paradas 18 meses após o lançamento.  Uma maior exposição do disco só aconteceu com a vinculação do álbum à Eric e com a execução de “Bell Bottom Blues” nas emissoras como música de trabalho.
Falando especificamente de “Layla”,  Sua letra é um conto de amor e obsessão dolorido e amargurado, o relato de uma paixão arrebatadora por alguém inicialmente inacessível.

O início sutil com “I Looked Away”  já dava as pistas de que Clapton estava profundamente envolvido com as sonoridades de um emergente “country rock”, principalmente pela maneira como fez seus overdubs de guitarra, todos pontuados com diferentes pegadas. A atmosfera de reverência que permeia lindamente “Bell Bottom Blues”  é pontuada por pequenas intervenções de Clapton, que estabeleceu um contraponto ao choroso lamento com ele empregou na hora de cantar. A delicadeza ampla, geral e irrestrita com que ele usa as possibilidades sonoras de seus captadores parece “patrocinar” a canção.


O balanço irresistível de “Keep on Growing”, no fundo, ainda hoje faz com que nossa santa capacidade de sacudir esqueleto permaneça intacta . Os inúmeros e faiscantes solos de Clapton parecem centenas de flechas incandescentes cruzando a escuridão do deserto.
Mas é a partir da faixa seguinte, a estupenda versão que Clapton fez de “Nobody Knows You When You’re Down and Out” de Jimmy Cox, que as coisas adquirem outro patamar, pois aí surge  Duane Allman, então um dos guitarristas dos Allman Brothers. 
Voltando ao disco e à faixa em questão, enquanto a voz de Clapton soa sussurrada mesmo na hora em que se mostra mais eloqüente, ambas as guitarras vão se entrelaçando como amantes que acabaram de se conhecer, descobrindo formatos, sabores e odores, com o estilo aparentemente mais “endurecido” de Duane se casando perfeitamente com a sinuosidade de Clapton. Os solos de Duane e, principalmente, a maneira como ele colocou seus slides nas canções acabou causando um impacto profundo na própria maneira de Clapton tocar no futuro.
Há um clima quase “caribenho ensolarado” em “I Am Yours” propiciado inicialmente pelas congas suaves tocadas pelo baixista Carl Radle, e complementado pelo slide delicado de Duane. Isto antecede ao vigor inquestionável de “Anyday”, que soa como se o Cream e os Allman Brothers fosse “bandas irmãs”, tamanha é a simbiose mágica presente nos duelos de licks entre Clapton e Duane.
Sentindo-se satisfeito e esclarecido em relação ao seu “irmão de alma”, Clapton fez de “Key to the Highway”, de Willie Broonzy, o veículo perfeito para se entrosar em definitivo com Duane e o restante da banda. Gravada de brincadeira quando o grupo ouviu a versão que Sam the Sham & The Pharaos estava fazendo na sala ao lado no estúdio – a improvisação foi tal que a gravação começa com um “fade in”  -, esta versão ainda carrega a alegria genuína que Clapton tanto buscava para a sua música e sua vida. Uma felicidade que se espalha na forma de espetaculares solos de guitarra da dupla no country rock estradeiro de “Tell the Truth” na levada entusiasmada de “Why Does Love Got to Be So Sad?” no extraordinário acabamento melódico dado ao genial blues “Have You Ever Loved a Woman” , de Billy Myles, a “It’s Too Late” de Chuck Willis, e, principalmente, na inacreditável versão para a linda “Little Wings”, de Jimi Hendrix . Isto sem contar a tocante delicadeza presente em “Thorn Tree in the Garden”, gravada ao vivo no estúdio.
E então há “Layla”. Poucas canções são tão marcantes como ela.  É melhor que você simplesmente a ouça e se emocione .
Já está mais que na hora desta autêntica obra-prima ser conhecida não apenas por quem leva o estudo de guitarra a sério, mas principalmente por aqueles que sabem que fazer e ouvir música é muito mais um exercício para a alma do que para os dedos.Disco para toda a vida.







Discos que Marcaram a Minha Vida - ACDC - The Razors Edge



Bem era o ano de 1990  eu tinha 13 para 14 anos,o início da década começava mostrando um caminho diferente na indústria da música, bandas novas surgiam aos montes , a Mtv foi um meio de comunicação que divulgou bastante algumas destas bandas que vinham do grunge e alternativo,o rock era o território mais fértil  em que apareciam bandas que não só tocavam o rock , mas o misturavam a outros estilos  e sendo mais ou menos rock 'n'roll eram a nova safra  na época o Metallica , Faith No More e Jane´s Addiction eral algumas das bandas que o ACDC enfrentava vindas como o novo metal. Mas e as bandas antigas de décadas anteriores , mais que continuavam a fazer rock de qualidade , tendo ótimos e medianos lançamentos durante a década anterior e a que se iniciava . Taria você se perguntando , mas o que isso tem haver com a vida desses que vos escreve e o ACDC . Digo , o ACDC nesta época além de ser chamado de dinossauro , vinha de discos ruins do final da década anterior e havia perdido seu baterista.Este foi o disco que trouxe a banda de volta as altas vendagens , sendo que apenas 2 singles deste disco fizeram sucesso e tiveram seus clipes muito divulgados pela Mtv, e foi o disco o qual eu conheci a banda ,quando meus hormônios estavam como Angus e sua guitarra , eram os fios condutores de alta tensão.


 O álbum vem com uma coleção apurada de músicas , a maioria com um clima instigante que lembrava muito o disco Back In Black, ou seja era tudo bem vindo,  será ? Mas e o baterista , pois Phill Rudd havia sido despedido da banda num clima não tão bom e amigável .
O ótimo e jovem Simon Wright foi convocado para o posto. "The Razors Edge" foi lançado em setembro de 1990 e, diferente dos plays julgados "sem inspraçao", contou com um produtor avulso à banda: Bruce Fairbairn, que, ao meu ver, foi decisivo para o resultado final , pois a produção além de ser uma das mais polidas da banda ,  parece que por mais louco que eu seja o ACDC soa limpo mais pesado como nunca , e mostrando que de dinossauro não havia um resquício na banda e moldava em mais um início de década o rock verdadeiro e pesado como havia aparecer posteriormente.
Apesar do AC/DC nunca ter modificado seu som para emplacar nas FM's, "The Razors Edge" parece estar mais bem composto do que seus antecessores. Os arranjos estão invejáveis, as letras estão excelentes e o som, como sempre, continua como o Rock n' Roll básico, agressivo e visceral que o grupo sempre apresentou desde que apareceu pela primeira vez, com riffs matadores, solos que penetram na espinha, refrães fabulosos, cozinha impressionante (Chris Slade foi o melhor baterista que os caras já tiveram em termos técnicos) e os ótimos vocais de Brian Johnson ajudam ainda mais a dar o charme necessário no disco.

Como dito, "The Razors Edge" foi o responsável por trazer o AC/DC de volta às paradas de sucesso, e tal afirmação não é nem um pouco modesta: hoje o disco já vendeu cerca de 10 milhões de cópias por todo o mundo, garantindo disco quíntuplo de platina nos Estados Unidos e no Canadá, além de dupla platina no Reino Unido. Chegou ao topo das paradas estadunienses (2° lugar) e britânicas (4° lugar), e os singles "Thunderstruck", "Moneytalks" e "Are You Ready" foram muito recebidos. Além disso, a turnê de divulgação do álbum foi uma das mais rentáveis e aclamadas que a banda já fez, movimentando multidões da América do Norte, da Europa e da Oceania.
Após a turnê, Chris Slade foi demitido amigavelmente, após um concenso entre as duas partes, pois aconteceu o que todos esperavam: Phil Rudd foi chamado de volta para a banda, onde está até hoje. Mas "The Razors Edge", de fato, é um dos melhores trabalhos do AC/DC. Ao meu ver, destaques ficam para "Mistress For Christmas", "Fire Your Guns", "Let's Make It" e Shot of Love que poderia ter saído da fase com Bon Scott fácil.Compre e faça deste um disco para marcar a sua vida.







domingo, 2 de outubro de 2011

DVD - Live In The Still Of The Night - Whitesnake


Nota : 9,0
Quem poderia imaginar que o Whitesnake iria voltar com tudo? Mesmo sem lançar nada novo desde 1997 (com “Restless Heart”), David Coverdale (que aproveitou para dar uma repaginada no visual) resolveu trazer a cobra branca de novo a ativa, com um de seus melhores line-ups (só perdendo para o que veio ao Brasil para o Rock In Rio em 1985): Doug Aldrich (Dio) e Reb Beach (Dokken, Winger) nas gutarras, Marco Mendonza no baixo, Tommy Aldridge (que tocou em 1985) na bateria e Timoty Drury nos teclados. 

Este show foi documentado no Hammersmith em Londres durante a turnê que a banda fez pela Inglaterra em 2004. Com um set matador, os caras detonam tudo já de início com um medley de “Burn/Stormbringer” (com David e Marco fazendo as vozes que caberiam a Gleen Hughes) e “Bad Boys”, para levar o público ao delírio com “Love Ain’t No Stranger” e petardos como “Is This Live”, “Ain’t No Love In The Heart Of The City”, “Fool For Your Loving”, “Here I Go Again”, “Take Me With You” e “Still Of The Night”. Como se fosse pouco, Mr. Coverdale ainda abre espaço para Doug e Tommy fazerem solos animalescos, com filmagem impecável e vários efeitos de som e luz.


Musicalmente David não tem a mesma voz de antes, mas mostra que ainda sabe como agitar uma platéia e seu vocal está mais do que competentíssimo, mas que são recheados de overddubing assim como as guitarras. Reb e Doug são animais com suas guitarras (embora eu ache um absurdo Reb ficar a maior parte do tempo fazendo bases) e Marco é um excelente baixista, e um backing vocal de primeira (pena que logo após essa turnê ele deixaria a banda). Um grande registro de uma das bandas que ajudou a marcar o hard rock nos anos 80, e que se Mr. David permitir, ainda terá muito a oferecer para o hard. Nos extras, um interessante documentário.


 

O Último disco entre Peter Gabriel e o Genesis



Este disco foi o fechar das cortinas para Peter Gabriel no Genesis, e também o álbum mais controverso da fase clássica do grupo: Para alguns é a obra-prima definitiva da banda, para outros o prenúncio de sua degeneração. Uma crítica da revista Veja em 1975 afirmava que a banda havia se perdido em seu “labirinto barroco”. A extinta revista Bizz, no início dos anos 90, chegou a selecionar o disco como discoteca básica . Os próprios integrantes da banda tem opiniões divergentes: Para Gabriel e Collins, Lamb é o melhor disco da banda, Hackett por sua vez nunca demonstrou maior apreço pela obra, até pela pouca participação que teve em sua elaboração.
A temática do álbum , desenvolvida quase que exclusivamente por Gabriel , gira em torno da história de Rael, um porto-riquenho que vive uma aventura urbana , mas surrealista em Nova Iorque. A banda assim se distanciava das temáticas folclóricas e mitológicas, comuns (mas não únicas ) nos álbuns anteriores. Mudanças também musicais: As composições longas , características por exemplo do denso Selling England by the Pound , não são mais predominantes.  

 Logo de cara, a faixa-título mostra o potencial de toda a melodia proposta pelos componentes, quando o tecladista Tony Banks introduz a música com um fantástico solo de piano.
O disco se passa todo por um mesmo tema, tratando-se portanto de um álbum conceitual. É contada a história de Rael que se depara com a grandiosidade da cidade de Nova York e se deslumbra principalmente com os espetáculos e os personagens da Broadway, vivendo as mais diversas situações. É uma história totalmente louca através das letras de, nada mais nada menos que Peter Gabriel, vocalista da banda naquela época. Durante a turnê do álbum, ele interpretou todos os personagens do álbum no palco, mostrando toda sua versatilidade. A banda conseguiu em The Lamb modificar seu som , e mesmo assim manter sua identidade, o que é raro .



 As músicas que mais me impressionaram na parte de arranjos e melodias foram Fly on a Windshield, Broadway Melody of 1974, In the Cage, Back in N.Y.C., Carpet Crawlers, The Chamber of 32 Doors, Anyway, The Lamia, The Colony of Slippermen e Riding the Scree; isso sem falar nas instrumentais Silent Sorrow in Empty Boats, Ravine e Hairless Heart.Neste disco foram gravadas algumas das mais bonitas melodias do rock até os dias atuais.
 Peter Gabriel tem uma performance vocal arrebatadora, possivelmente a melhor de toda sua carreira, interpretando com toda passionalidade as composições. Talvez tenha ajudado o fato dele estar na época a beira de uma síncope nervosa. Ele realmente coloca as entranhas para fora em faixas como In The Cage , a faixa-título e principalmente em Back in N.Y.C. Os momentos mais suaves, como Carpet Crawlers também são brilhantes. Sua maneira singular de cantar , mudando muito a voz numa mesma canção ao sabor da história de cada letra, vive seu auge, mas paradoxalmente o início do seu fim .
Conhecer esses álbuns é quase uma obrigação para qualquer um que admire esses grupos e tenha tomado gosto pelo gênero.Disco para toda a vida.