terça-feira, 1 de novembro de 2011

Discografia Básica do Rock - Alice In Chains - Dirt - 1992


Quando Seattle foi designada como o epicentro de um movimento musical , no incício dos anos 90, eu tinha 15 anos,e o O Alice in Chains era  formado em 1987, quando Layne Staley (vocalista) conheceu Jerry Cantrell (guitarrista) no Music Bank, em Seattle. Antes disso, Staley já tocava com alguns amigos em uma banda chamada Alice N’ Chains, mas a partir de seu encontro com Cantrell a banda passa a se chamar Alice In Chains e o negócio começa a ficar mais sério. Jerry traz para a banda o baixista Mike Starr e o baterista Sean Kinney, e a banda começa a tocar nos clubes e bares de Seattle.

Em 1989, a banda assina com a Columbia Records. Em junho do ano seguinte, lançam o EP "We Die Young" (que hoje é muito difícil de achar). O som da banda logo se caracteriza como um "hard-metal" de primeira, com nítidas influência do Black Sabbath, fazendo a banda tornar se o centro das atenções com o lançamento deste disco.Até então o Alice In Chains, era uma bnada grunge em ascenção e teve uma aparição no filme"Singles" de Cameron Crowe.

Com suas guitarras encharcadas de distorção,e as  letras melancólicas e de uma sinceridade brutal mas ao mesmo tempo eram preocupantemente honestas, na verdade o disco estava repleto de alusões à dependência de drogas que o vocalista Layne Staley sofria e funcionavam como uma antevisão de sua morte por overdose quase uma década depois. Letras como as das músicas Junkhead e a faixa título falam por si mesmas. Mais mesmo assim Dirt ,o disco, contribuiu muito para o que o grunge se tornasse um gênero musical, e que o Alice In Chains por mais dos problemas que rondavam a banda na época do lançamento do disco, deixou gravado um disco de rock para toda a vida.

Músicas :
1- Them Bones
2- Dam That River
3- Rain When I Die
4- Sickman
5- Rooster
6- Junkhead
7- Dirt
8-God Smack
9-Untitled
10-Hate To Feel
11-Angry Chair
12-Down In A Hole
13-Would?







sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quando Jimi Hendrix quis ser ouvido. - Axis Bold As Love - 1967




Se alguns afirmam que Are You Experienced? é um disco inspirado na sua execução e incendiário em seu espírito. E que Electric Ladyland é um trabalho mais intelectual e o ápice do que se entende por “álbum de estúdio”, (elaborado demais a ponto de não poder ser reproduzido ao vivo e de recepção programada para ser ouvido atentamente na frente de um aparelho de som estéreo ou com fones de ouvido). Com isso — e uma parcela substancial do público concorda — Axis: Bold As Love seria a porção menos digna da discografia clássica de Jimi Hendrix. O acusam de ter sido um disco produzido às pressas, para se aproveitar as vendas de natal. Entretanto, essa é uma análise completamente equivocada, e mesmo passadas 4 décadas de seu lançamento as canções continuam impetuosas e cintilantes e vemos como Hendrix e seus comparsas tinham o controle total com as tecnologias de estúdio da época.

As sessões de gravações do Axis aconteceram entre maio e junho de 1967, no Olympic Studios (Inglaterra), sendo que o grupo voltou a gravar algumas partes e novas faixas no mês de outubro. E se algo foi feito as pressas foi uma segunda mixagem do lado A, pois Jimi esqueceu a fita master dentro de um taxi. Isso o obrigou a realizar sessões noturnas de remixagem junto com Chas Chandler e o engenheiro de som Eddie Kramer, para cumprir os prazos agendados com a gravadora.
Axis: Bold As Love é marcado pelo uso crescente de LSD por parte de Hendrix, em uma quantidade inicial que se revelou produtiva. Com uma sensibilidade aguçada e, após tantos shows, gravações de compactos e o lançamento de um álbum de sucesso, a Experience revelava um entrosamento que resultou numa musicalidade impressionante e ímpar.


é um álbum conceitual, inspirado num livro que Jimi havia lido sobre aura e a cor resultante das notas musicais. A primeira faixa é uma introdução psicodelíssima. Cheia de efeitos e mudanças de velocidades na reprodução do áudio gravado, EXP simula uma transmissão de rádio em que o entrevistado fala sobre OVNIs e seres vindo de outros planetas. O locutor é pego de surpresa pelo que soa com a chegada de uma nave espacial. Uma verdadeira overdose de microfonia e saturação sonora, em que o “disco voador” salta de uma caixa de som a outra. De cara já se nota que Axis é um trabalho muito bem elaborado em estúdio. Nesse sentido, mais caprichado que a estréia e antecipando o seu sucessor.
Mitch Mitchell está no seu auge criativo, com uma pegada e timbres mágicos. Noel Redding brilha em uma composição própria onde assume os vocais. Hendrix atinge a genialidade enquanto compositor, alcança seu ápice lírico como letrista (seus momentos poéticos mais inspirados estão indiscutivelmente nesse disco) e canta como nunca.


Spanish Castle Magic e sua melodia em espiral, estrutura vai e volta de "If 6 Was9``, a beleza inédita em "Castle Made Of Sand"  e a pertubadora " Little Wing", com suas guitarras principal e rítmica misturadas, foi várias vezes regravada por diversos artistas fora os timbres coloridos que o guitarrista extrai de seu instrumento,sem que o revezamento desses segmentos produzam um efeito de quebra na recepção do ouvinte. E essa complicada química na conjuntura das faixas só é possível pelo fato de que cada música — nesse formato enxuto, “pop” — se revela perfeita A qualidade Pop deste disco , está a frente de produções atuais e servindo de referência até hoje.

Axis: Bold As Love é o trabalho mais experimental e diversificado, musical e liricamente, na discografia da Experience. Não se encontra à sombra de seu predecessor e sucessor. É, na verdade, uma obra prima tão singular que extrapola, sensibilidade humana e musical ,que vai ficar para sempre.

Faixas:
1 – EXP [1:55]
2 – Up From The Skies [2:55]
3 – Spanish Castle Magic [3:00]
4 – Wait Until Tomorrow [3:00]
5 – Ain’t No Telling [1:46]
6 – Little Wing [2:24]
7 – If 6 Was 9 [5:32]
8 – You Got Me Floatin’ [2:45]
9 – Castles Made Of Sand [2:46]
10 – She’s So Fine [2:37]
11 – One Rainy Wish [3:40]
12 – Little Miss Lover [2:20]
13 – Bold As Love [4:09]


Discografia Básica do Rock - Scorpions - Tokyo Tapes - 1978



O Scorpions tomou forma na Alemanha em 1966, e começou a colocar a partir de 1972 seus sempre bons álbuns no mercado. E, graças à garra de suas composições e performances ensandecidas ao vivo, era um conjunto consagrado em vários países europeus na segunda metade dos anos 70, mesmo com a ascensão do punk derrubando vários gêneros musicais.
Em seus cinco primeiros álbuns de estúdio, muito do reconhecimento que o conjunto havia conseguido até então era creditado em grande parte ao criativo guitarrista Ulrich Roth, que não negava suas influências de Jimi Hendrix e aquela sua faceta mística típica do final dos anos 60. Porém, na verdade, o time todo era excelente, contando ainda com o vocalista baixinho Klaus Meine, o outro guitarrista Rudolf Schenker, Francis Buchholz no contrabaixo e Herman Rarebell nas baquetas.

Chega 1978 e o Scorpions se prepara para sua primeira excursão ao Japão, que era uma nação onde a banda tinha legiões de fãs, lembrando que Uli John Roth não queria ter viajado para esta turne, e foi o vocalista da banda quem teve a difícil atitude de persudir o guitarrista para viajarem. Rodaram o país por uma semana divulgando o álbum Taken by Force, e nos dias 24 e 27 de abril se apresentaram no Sun Plaza Hall, na cidade de Tóquio, registrando as canções que viriam fazer parte de seu primeiro disco ao vivo, chamado Tokyo Tapes, produzido por Dieter Dierks.

Aqui o ritmo das canções é bem mais veloz que as versões de estúdio, mostrando claramente que o habitat natural do Scorpions realmente era o palco, fato comprovado pela admiração dos amantes de discos ao vivo, que consideram Tokyo Tapes outro dos grandes registros deste período. Muitos de seus clássicos estão presentes, em especial faixas do álbum Virgin Killer, além de uma boa seleção de músicas de seus outros trabalhos. O hino “Steamrock Fever” é um dos grandes destaques, além de um bom solo de bateria em “Top of the Bill”. "He's a Woman, She's a Man", "Polar Nights" (cantada por Uli Roth) e "In Trance” mostram as melhores guitarras da banda nos anos 70.Tokyo Tapes veio consolidar ainda mais a grande fase que o Scorpions estava vivendo, porém, internamente, nem tudo ia bem. Já no álbum Virgin Killer Uli Roth vinha mostrando sinais de descontentamento com o direcionamento musical que seus companheiros queriam seguir, soando mais melódico e refinado. Na verdade, o conjunto alemão estava modificando sua música visando o distante e forte mercado norte-americano. E confirmada esta decisão, Ulrich resolveu por fim deixar o Scorpions, mas aqui fica gravado na história do rock um item essencial para você.

O Hard Alemão do Night Sun


Na Alemanha do início da década de 70 a situação era muito diferente. O problema era que nesse país, algo estava muito além. Berlin, principal cidade alemã, estava rodeada de traficantes de drogas pesadas, prostitutas e sujeira, que se propagaram em uma Alemanha pós-Guerra, divida em Alemanha Oriental e Ocidental, e com uma enorme dificuldade de reconstruir a vida de seu povo, e principalmente, de re-estabelecer a sociedade na sua nação. Isso evoluiu fortemente durante a década de 70, tendo como consequência, uma enorme quantidade de jovens, adolescentes e crianças que tiveram o contato com as drogas e perderam suas vidas, como retratado  no famoso filme "Christiane F., Wir Kinden vom Bahnhof Zoo" de 1981 (no Brasil, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída).
Nesse cenário decadente, com a Alemanha saindo do fundo do poço, alguns jovens buscaram no rock a solução para uma vida melhor,nascendo nessa efervescente cena de drogas e prostituição. Porém, muitos grupos não tiveram a sorte que os irmãos Schenker, Kalus Meine e cia., como foi o caso dos membros do Night Sun.
Suas origens vêm de um grupo de jazz que fez relativo sucesso na Alemanha durante os anos 60, o Take Five. Esse grupo era formado por Knut Rössler (órgão, piano, trompete, fagote, flauta e trombone), Werner Stephan (vocais), Edmund Seiboth (trompete), Hans Brandeis (guitarras, vocais), Torsten Herzog "Duke" (baixo, vocais) e Karl-Heinz Weber (bateria), e conquistaram seu espaço principalmente no sudoeste da Alemanha, em uma região conhecida como Rhine-Neckar.
Rössler fundou o Night Sun Mournin' em 1970, consistindo de um grupo no qual passaram diversos músicos, e dicifilmente chegou em uma formação fixa. Um ano depois,tendo na formação além de Rössler, Walter Kirchgassner (guitarras), Bruno Schaab (voz, baixo) e Ulrich Staudt (bateria). Sua inédita sonoridade chocou a região da Rhine-Neckar, e principalmente, aos fãs do Take Five. As linhas dos metais de Rössler, misturadas às distorções de Schaab e Kirchgassner, eram um pequeno veneno sonoro na veia do ouvinte, que depois de ouvir as canções, não podia segurar o debatimento com tamanha força das canções do grupo.

Não demorou para que o selo Zebra  que pertencia a Polydor, entrasse em contato com o quarteto, levando-os para os estúdios em meados de 1972, onde registraram o fabuloso Mournin'.
“Plastic Shotgun” abre o LP, com o riff da guitarra seguido pela marcação de baixo e bateria, com os teclados seguindo as notas da guitarra. A intrincada introdução traz os vocais de Schaab, acompanhado pela quebradeira de teclados, guitarra, bateria e baixo. Um piano com batidas fortes faz uma espécie de ponte, deixando a guitarra sozinha, puxando o ritmo que leva aos solos sobrepostos, voltando à letra. Após gritar o nome da canção, a guitarra passa a fazer barulhos diversos, que terminam a canção entre vozes estranhas.
Um longo acorde de teclado abre “Crazy Woman”. Baixo, guitarra e bateria fazem o tema marcado, junto do órgão, e Schaab canta sobre a pesada levada do Night Sun, destacando os efeitos durante a virada de bateria na ponte central da canção. O órgão se sobressai executando um dançante solo na segunda parte da canção, enquanto as linhas de baixo de Schaab, junto com a guitarra e a bateria, evoluem para um veloz acompanhamento, com Kirchgassner solando muito. Schaab volta à letra, e depois de mais uma curta sequência de viradas, os temas marcados retornam à introdução, que conclui a canção.
A épica “Got a Bone of My Own” surge com tons macabros e assustadores na guitarra. As sinistras notas do instrumento vão ocupando o recinto, e aos poucos, notas mais claras saem das seis cordas de Kirchgassner. A densa introdução é mesclada com notas de órgão e guitarra, estendendo-se por malucos três minutos, e então, a guitarra puxa o tema central, com o baixo acompanhando as notas, e a bateria fazendo a marcação.Desse tema, Kirchgassner sola notas rasgadas e marcadas, executando temas variados junto com baixo e bateria, e principalmente, controlado pelo peso das distorções.
O tema central é repetido, agora com a presença do órgão, e entre notas marcadas, Schaab passa a cantar. Os temas marcados entre baixo, bateria e guitarra, contrastam com o órgão, que passa a solar sobre outra bela levada do trio. Mais um tema marcado, e a letra continua, acompanhada pelo tema central e por intervenções da guitarra, que se prolongam até o fim da canção.
Para encerrar o lado A, “Slush Pan Man” surge com mais outro grande tema marcado entre guitarra, baixo, bateria e órgão. O peso sabbathiano de guitarra e baixo vai afundando o ouvinte em seu quarto, e a voz de Schaab ocupa-se de auxiliar os instrumentos nesse afundamento. Solos de guitarra surgem na ponte que leva para a segunda parte da letra, com mais temas marcados. Novos solos aparecem, porém com um andamento mais acelerado, sendo Kirchgassner o centro das atenções com suas notas rasgadas, repletas de bends e arpejos, assim como a linha de baixo envolvente de Schaab.

Uma assombrante voz abre o lado B com “Living with the Dying”, para o riff de guitarra, baixo, bateria e órgão trazer Schaab gritando o nome da canção. Um novo riff e a letra desenvolve-se, tendo um andamento quase marcial, com Schaab gritando muito. Os efeitos na bateria voltam a surgir durante o longo solo de Standt que surge no meio da canção, onde a sequência de batidas alterna-se entre rufadas nas caixas, viradas nos tons e uma marcação cronometrada do chimbal. Rossler aumenta a velocidade de seu solo, trazendo baixo, órgão e guitarra executando o riff inicial, e Kirchgassner passa a solar, dividindo o espaço com o órgão. A evolução dos solos se dá na mesma ordem, guitarra e órgão, para Schaab repetir a letra e encerrar a sinistra sensação que a canção passa ao ouvinte.
Os acordes do órgão de Rossler abre “Come Down”, que com um tema clássico, traz os vocais de Schaab acompanhado pelo violão e pelo órgão, construindo uma bonita balada com a adição do baixo e da bateria. Kirchgassner passa a fazer a melodia do vocal junto com o mesmo, e a balada continua, emocionante, chegando no solo de Rossler, com viradas no órgão e com bateria, guitarra e baixo fazendo o tema marcado. A canção transforma-se, ganhando peso, e a balada inicial agora é uma estonteante sessão de temas marcados entre baixo, órgão e bateria, com Schaab gritando a letra, levando a mais um bom solo de Kirchgassner, O órgão aparece com mais destaque sob o solo de guitarra, e então, novamente “Come Down” transforma-se, com violões e piano voltando ao tema inicial, para Schaab encerrar a letra com a guitarra dividindo a melodia dos vocais, para Kirchgassner soltar mais agudos em um belo solo de conclusão.
“Blind” volta aos temas purpleanos, em uma linha mais bluesística, destacando as sessões marcadas de baixo, guitarra, órgão e bateria, bem como o solo de Rossler no hammond, seguido pelo solo de Kirchgassner. Mais Deep Purple, impossível! Schaab retorna à letra, e mais um solo de Kirchgassner aparece, agora com mais virtuosismo, enquanto que o solo de Rossler no órgão é uma repetição de acordes em cima de uma mesma escala, concluindo com gritos e uma infernal barulheira da guitarra.
A mais rápida das canções de Mournin’ é “Nightmare”, com um ritmo veloz,  mas com uma diferença nos vocais de Schaab, quase punk-rock (se bem que o punk ainda não existia como hoje o conhecemos) e também nas intervenções da guitarra. As linhas melódicas da guitarra, cercada pelos complicados temas de baixo, órgão e bateria, levam ao agitado solo de hammond, e então, a sequência é repetida até o encerramento da canção, com um crescendo dos intrumentos, um longo grito de Schaab e mais barulhos.
O LP encerra-se com “Don’t Start Flying”, a qual começa com um belíssimo solo de saxofone, tendo baixo, guitarra e bateria quebrando tudo ao fundo. A letra surge tendo o saxofone fazendo o riff e intervenções. As jazzísticas participações do saxofone, misturadas com o peso do baixo e da guitarra, são uma saborosa mistura. Os solos são divididos entre saxofone e guitarra, sempre com os dois instrumentos fazendo os temas entre os solos de forma muito bem trabalhada, e Schaab continua a letra, fechando o álbum com os temas marcados sendo interferidos pela guitarra de Kirchgassner.
Mournin' foi produzido por Konrad Plank (responsável por produzir material de grupos como Ash Ra e Kraftwerk), o que deu uma cara progressiva ao hard e pesado som do grupo. Após o lançamento de Mournin', o grupo fez uma série de shows, mas a forte rigorosidade e o gênio de Rössler acabaram fazendo com que Schaab e Kirchgassner abandonassem o projeto ainda em 1972.Enquanto ao Night Sun, acabou  esquecido entre os grupos alemães, até que o selo Second Battle relançou Mournin' na versão em CD, com formato digipack, e com os alemães virando mais um nome obscuro a ser descoberto pelos admiradores de boa música, principalmente fãs de Black Sabbath, Deep Purple e do chamado stoner rock em geral.Compre o seu.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Free - Free Live - 1970


Formado em 1968 por Andy Fraser (baixo), Simon Kirke (bateria), Paul Kossoff (guitarra) e Paul Rodgers (voz), Free foi mais uma das grandes bandas britânicas surgidas nos anos 60 e a razão de seu sucesso era o hard  blues pesadão que tocavam.A sonoridade de "Free" transita entre o blues de "Tons of Sobs" e o hard rock, há em "Free" algumas pitadas de soul (principalmente nas interpretações de Paul Rodgers) e funk (na malícia da guitarra de Kossoff e no balanço da cozinha de Fraser e Kirke), o que coloca um tempero a mais na já muito bem azeitada música do grupo.

Lançado em 1971, Free Live é o quinto trabalho da banda, sendo o primeiro ao vivo, que vem registrar a atuação do conjunto no palco e  em sua melhor fase, numa compilação das melhores faixas tocadas em uma apresentação no Croydon Fairfield Hall.

O disco já começa com seu maior hit, “All Right Now”, passando por “I´m A Mover”, “Be My Friend”, aqui vale a atenção na linda interpretação de Paul Rodgers, transbordando emoção, as espetaculares “Fire And Water” e “Ride On Pony”, que tem grande impacto junto ao público. Mas o ponto alto realmente fica em “Mr Big”, com um ótimo solo de guitarra de Kossoff, onde em seguida entra Fraser solando longamente seu contrabaixo junto com a música, até seu final.Segue com a mais bluesy, “The Hunter”, e o disco termina com a inspirada balada “Get Where I Belong”, a cereja do bolo. Esse Free Live alcançou a 4ª posição no Reino Unido.Em 2002 esta pérola recebeu uma edição especial com 7 faixas a mais, sendo All Right Now e Mr.Big se repetem das faixas contidas no original.

Após este ao vivo e  depois de uma série de problemas com drogas,onde membros saem, formam-se projetos paralelos, conseguem lançar ainda dois trabalhos sem muita expressão, novamente a formação se altera, formam-se mais projetos.O Free deixa marcada a sua identidade no mundo do rock, e se ganha um disco para toda a vida.

Músicas :
 1-All Right Now
 2-I'm A Mover
 3-Be My Friend
 4-Fire And Water
 5-Ride On Pony
 6-Mr Big
7-The Hunter
8-Get Where I Belong





domingo, 23 de outubro de 2011

Discos que Marcaram a Minha Vida - Barão Vermelho - Ao Vivo - 1989



O rock brasileiro já produziu excelentes discos ao vivo. “Raul Vivo” (Raul Seixas - 1983), “Alívio Imediato” (Engenheiros – 1986), “Lobão ao Vivo” (1990), “Plugado ao Vivo” (Camisa de Vênus - 1995),  são álbuns marcantes e discografia básica pra quem curte o rock brasileiro.
Sempre valorizei os discos ao vivo dessa turma toda. Eram os primeiros que procurava pedir de presente ou comprar. Sou um dos que prega a máxima: “quem é bom faz ao vivo”, e por isso mesmo sempre preferi avaliar uma banda por suas performances de palco.


Todavia o melhor de todos, na minha modesta opinião, não está listado acima. O campeão do meu torneio é de uma banda essencialmente roqueira, mas que sempre soube que uma guitarra com levada de blues arrasta multidões. Os Stones nos ensinam isso há quase 50 anos...
“Barão Vermelho Ao Vivo” é uma compilação de três shows realizados pelos caras na casa de shows Dama Xoc/São Paulo, em 01, 02 e 03/06/1989. A produção do disco foi feita por toda a banda e pelo excelente Ezequiel Neves, que os acompanhava desde 1982.



No ano anterior o BARÃO havia lançado “Carnaval”, de onde saiu o hit “Pense e Dance”. 
O repertório do disco é essencialmente roqueiro, com alguns atalhos blueseiros. Cazuza e Frejat sempre tiveram um pouco de soul e blues no DNA e trouxeram essas raízes para mesclar a elementos do som nacional.
Estou convicto de que em nenhum outro trabalho do BARÃO os solos de Frejat foram tão bons e tão valorizados. O show todo gira em torno dele, o que é realmente ótimo. Completaram o line up do BARÃO para o disco: Dé no baixo, Guto Goffi na batera, Fernando Magalhães na guitarra base e Peninha na percussão.

O álbum abre com as ótimas “Ponto Fraco” e “Carne de Pescoço”, hinos roqueiros instantâneos compostos por Frejat e Cazuza, mas onde a mão do guitarrista imprime uma marca única. Em seguida surgem “Pense e Dance”, com destaque para o show de Peninha na percussão, e “Bete Balanço”, na sua melhor execução ao vivo.
Logo após Frejat anuncia: “Agora vamos aos blues...”... Então entra a densa e magnífica “Não Amo Ninguém”. Um “slow blues” de primeiríssima qualidade, com letra incrivelmente adequada ao ritmo e uma levada perfeita. Todas as influências de Frejat, que esmigalha nessa faixa, aparecem aqui: Hendrix, Jeff Beck, Clapton, Richards...
Na sequência o rock retorna... Na melhor faixa do disco, Frejat abre dizendo: “espero que vocês estejam tão sedentos de rock’n roll quanto vocês estão de álcool...” e a banda emenda ótimas versões de “Por Que a Gente é Assim?” e da inédita “Rock do Cachorro Morto”.
A também original “Quem você pensa que é?” mostra um pouco do BARÃO pós-Cazuza e abre caminho para a marcante entrada de “Pro dia Nascer Feliz”, primeiro hit do BARÃO e música que costumava fechar seus shows naquela época.
Esse CD foi relançado em 1998, com a inserção de três faixas bônus, todas menos famosas: “Lente” (parceria de Frejat com o eterno Titã Arnaldo Antunes), “Bagatelas” e “Torre de Babel” (ambas do álbum “Declare Guerra”, o primero sem Cazuza).
No final, uma surpresa... O BARÃO teve coragem e competência para mandar ver uma bela versão de “Satisfaction”, dos Stones, e homenagear a banda que mais lhe influenciou. As palmas da galera no início e a boa condução de Frejat dão um belo gás à música.E assim termina mais um disco para toda a vida.








    

Kansas - Leftoverture - 1976


Fundado em 1970 por Phil Ehart (bateria), Kerry Livgren (guitarras, teclados) e Dave Hope (baixo), o Kansas em apenas dois anos teve várias formações, até estabelecer-se com os três acima mais Robby Steinhardt (violino, voz), Rich Williams (guitarras) e Steve Walsh (teclados, voz, percussão). Esse time foi contratado por Don Kirshner (do famoso programa Don Kirshner's Rock Concert), e juntos, lançaram 8 vinis, dos quais 5 são fundamentais para qualquer colecionador de rock progressivo.
 Os álbuns Kansas [1974], Song for America [1975], Masque [1975], Leftoverture [1976] e Two for the Show [ao vivo, 1978] apresentam tudo o que uma banda progressiva necessita para ser considerada como a tal, ou seja, virtuosismo, dificuldade nas composições e longas suítes.

Utilizando elementos de country rock, hard blues e hard rock com roupagem sinfônica, apoiada pelo trabalho nos teclados da dupla Walsh-Livgren, neste quarto álbum que pode ser considerado um "masterpiece", a banda esbanja entrosamento e virtuosismo melódico. Ainda que as principais composições da banda sejam desta dupla, Robbie Steinhardt acaba conferindo um grande charme ao som do grupo com seu violino e seus solos. A musica do Kansas é baseada em teclados e violinos e uma "cozinha" muito competente. As guitarras cortam as melodias com riffs criativos onde se nota uma grande influencia de Blackmore no estilo dos solos de Livgren. Willians da apoio rítmico preciso. Instrumentalmente o som da banda neste disco é irrepreensível assim como todas as composições.

Lançada no álbum Leftoverture, "Magnum Opus" foi o último suspiro do Kansas mezzo progressivo mezzo bluesy. Na verdade, "Magnum Opus" nunca foi uma música pensada para ser como tal, e sim uma junção de seis partes que sobraram das suítes que o Kansas havia gravado anteriormente. Porém, o trabalho para fundir essas seis partes em uma complexíssima canção que fizesse sentido tornou "Magnum Opus" uma das canções mais difíceis de serem executadas na história do Kansas.
Leftoverture não é um disco de progressivo, mas representa definitivamente um resgate total da dignidade e gigantismo de uma banda americana de um rock sofisticado de arena, aspectos claramente demonstrados nos seus três discos anteriores. Obrigatório na sua coleção.