sábado, 19 de novembro de 2011

Discografia Básica do Rock - Gentle Giant - In A Glass House - 1973


Em julho de 1.973 , o grupo vai para o estúdio gravar como quinteto e mais um outro empeçilho vem a pertubar o grupo; desta vez seria o selo da gravadora do qual eles haviam sido contratados em "Three friends" (1.972), a Columbia Records (CBS) devido ao interesse que o conjunto despertou nos Estados Unidos. A Columbia Records após a realização de "Octopus" (que também era pertencente) começou repentinamente a passar por uma crise interna financeira e por via das dúvidas não conseguiria cobrir os custos que estariam por vir no album seguinte (que é neste caso, "In a glass house") ainda que a gravadora reconhecesse que a banda aplicaria uma série de efeitos sonoros dos quais foi também outra desculpa que a gravadora não acreditaria na banda.Quanto a saída de Phil Shulman, na banda não foi tão significante do que o recrutamento do baterista John Weathers; a banda sentiu evidentemente muitas dificuldades e tensão nas gravações com a falta de Phil que manteve um estilo próprio, mas a facilitação por outro lado foi devido a contribuição de Weathers determinando agora um outro estilo trazendo um som mais sólido e conciso e que compensaria a perda do integrante que saiu e foi fundador do GG. A formação deste album a partir como um quinteto ficou na seguinte maneira: John Weathers nas baterias, percussão e vocais de apoio; Gary Green nas guitarras, violões, percussão e vocais de apoio; Kerry Minnear nos teclados, percussão e vocais, Derek Shulman nos instrumentos de sopro e vocais e Ray Shulman no baixo, violão, violino, percussão e vocais.

Lançado em setembro de 1.973, "In a glass house" que resultou num único compacto, marca também pela primeira vez na presença do público um aspecto mais animador com telas gigantescas visuais atrás dos palcos e sendo assim, os espectadores ingleses inicialmente não gostaram muito desta formação mas aos poucos foram prestando mais atenção na banda e começavam a ter mais interesse na música do GG. Detalhe interessante: Uma idéia que o GG pensou em se aproximar dos espectadores em suas apresentações ao vivo era tornar algo semelhante ao que o "Genesis" (fase de Peter Gabriel em suas encenações teatrais musicais no conjunto) fazia como ter Weathers fantasiado sob a forma de um "Gigante Gentil" (que é vizualizado nas capas, e repare que a fisionomia de Wheathers é até próxima do personagem) andando no palco no meio de várias casinhas de boneca em meio de fumaças artificiais, mas infelizmente a idéia foi abortada e nunca utilizada.Sem muito esforço o GG demonstra neste trabalho um tanto mais de rock do que nos outros já gravados, a marca da sonoridade medieval ainda se mantém e parece que está um tanto "funk-medieval" feito também de uma forma estruturalmente complexa, mas evitando ideais de artistas virtuosos na forma de ajuntar justamente esta presença mais significante de rock que possui o trabalho com a arte contemporânea de artistas clássicos da época moderna como Igor Stravinsky e Bella Bartok. O que dizer dos múicos ? Kerry Minnear em todo o momento do trabalho está tanto delicado como também ágil nos teclados, Derek Shulman se divide nos vocais entre o leve e o pesado, Ray Shulman prenche linhas de baixo sendo tocadas de forma muito inteligentemente, Gary Green se mantém tão discreto em seus instrumentos de cordas que é impossível deixar de prestar atenção e por finalmente John Weathers acompanhando o restante dos companheiros numa forma de ritmo muito arrojada.

A produção foi feita pelo próprio GG que está impressionantemente muito boa para um selo muito desconhecido no mercado e feito de maneira analógica, já que na época não tinha uma tecnologia convencional avançada para a confecção da gravação digital junto com o auxílio de Gary Martin que colaborou no "Yes" em "Fragile" (1.971), e outros.

A arte gráfica foi elaborada por Martyn Dean,Vale uma ressalva a respeito da capa elaborada de forma tridimensional que originalmente no vinil vinha num papel celofane com impressões dos músicos e a capa original que vinha também com impressões dos músicos e desenhados de maneira diferente. A medida que fosse ajuntado o celofane com a capa do vinil ficava mais preenchida a gravura como se houvessem mais de 5 músicos no conjunto, portanto um achado caso alguem encontre este vinil. A mesma maneira ocorreu para o CD lançado em 1.992, só que o grave é que o proprietário do disquinho deve ter cuidado enorme pois uma parte destas imagens vem impressas na proteção acrílica fronta da qual se abre o CD e se quebrar perde-se a graça do encarte. A vantagem que o CD possui é que vem duas faixas a mais de bonus,eu tenho e recomendo.
"The runaway" -  inicia "In a glass house" com o barulho de vidros se quebrando , uma verdadeira "guerra" com razoável quebradeira.Observe que a faixa tem um ritmo em determinados momentos em meio funk.
"Inmates Lullaby" - muitos fãs do GG não gostam desta faixa, talvez por ela ser melosa até ao extremo, mas tem um detalhe muito interessante que possivelmente pouca gente sabe e daria até mais valor para esta: todos os instrumentos tocados são de percussão desde o início ao fim da faixa. Poucos grupos de rock progressivo exploram instrumentos de percussão melodiosa como o xilofone, marimbas e outros além dos vocais;  É uma composição muito excêntrica que possivelmente o GG já gravou na carreira sob a idéia da forma em meio de uma canção de ninar que criou um ambiente muito misteriosos; vide os vocais de Derek. As letras refere-se sobre alguém que é insano criminalmente.
"Way of life" - é uma das faixas mais rápidas do album, além de ser triunfante e engenhosa. É um tipo de música que você lembra aquelas frases musicais que se seguem uma após outra e com o tempo se o ouvinte é muito emotivo acaba fazendo com que ele se torne constantemente surpreso a medida que vai descobrindo o objetivo tanto de sua sonoridade como das letras. A faixa em si é relativamente um tanto diferenciado por conter vários temas musicais e também se percebe um tímido ritmo de funk por mais incrível para uma banda como o GG. Inicia com Gary gritando "Go!" e então a banda entra totalmente num ritmo rápido com Derek cantando uma melodia que por uns instante fica num meio sinistro com a guitarra e o teclado fazendo uma parceria finalizando o primeiro refrão, retornando o GG a fazer o segundo refrão em que possui uma presença de um órgão consistente de Minnear junto com uma flauta tocada por Ray causando uma sonoridade medieval que é típica do conjunto recebendo inclusive Derek nos vocais e aí entrando o restante da banda ficando uma melodia novamente um tanto sinistra com a guitarra recebendo aos poucos os teclados de Minnear e dai o GG inicia o terceiro refrão do qual Derek finaliza as letras e o conjunto vai se dissipando e recebendo apenas Minnear no órgão que fica quase 2 minutos aos poucos também se tranquilizando e concluindo a música de vez (segundo Minnear este final tinha como o propósito partir para ser uma outra música).
"Experience" -  agora é a vez de Minnear fazer os vocais principais (repare que os vocais de Derek e Kerry até que não são tão exageradamente muito diferentes). A banda demonstra um esforço também muito grande nesta faixa, talvez uma das maiores complexidades do GG em "In a glass house" estejem aqui. Mas aqui a diferença é que apresenta mais rock e novamente mais funk; a grande parte dos fãs do GG possivelmente se sentiriam ofendidos, mas uma parte do album está muito associado a este tipo de ritmo, portanto "In a glass house" tem que ser ouvido e admirado inteiramente com muita cautela. imagine o seguinte quando eles excurionaram nos Estados Unidos na turnê de "Three friends" (1.972), o país também vivia uma parte do público que estava sendo tomado por conta do funk de gente como "Earth, Wind & Fire", "The Isley Brothers", Herbie Hancock e entre outros naquele tempo. É bem possível que o GG tenha sentido neste país que a forma do grupo em executar sonoridade medieval com o rock poderia "casar" perfeitamente com o funk. Os destaques mais interessantes são possuir alguns toques de violino, toques para linhas de baixo existentes ao longo da faixa junto a percussão e baterias de Weathers, órgão de Minnear com seu vocal, além do ritmo funk em determinadas ocasiões onde se ouve neste momento o vocal de Derek na única frase que cita "Master inner voices, making the choices".
"A reunion" - é a menor faixa do album com pouco mais de 2 minutos de duração, pequena demais pela forma de como foi tocado,  mas ficou agradável pela sonoridade que já vale pela faixa. Aqui também é o vocal de Kerry Minnear que se torna o principal além de fazer os toques de piano elétrico sendo acompanhado por bonitos riffs de violinos, dedilhadas de violão, toques de baixo. A canção não passa de uma simples "baladinha" muito melodiosa, mas melosa demais, talvez um profundo momento do GG de relaxamento e "meditação" na faixa. Detalhe: onde está Weathers ? Só na introdução da faixa fazendo 8 toques no bumbo da bateria lembrando o ritmo de um coração pulsando.
"In a glass house" - é a maior faixa do album também com pouco mais de 8 minutos de duração, mas na verdade ela termina até antes porque os 20 últimos segundos é um retrospecto muito rápido de um minúsculo trecho de cada faixa executada pelo GG neste album sendo a ordem da seguinte maneira das faixas: "The runaway", "Way of life", "Experience", "In a glass house", "An inmates Lullaby", "A reunion", isso sem contar que a abertura tem a quebra de vidros como também no seu final. A faixa possui múltiplas sessões de vários temas, além de que parece que o GG toca todos os instrumentos que possuem, uma "guerra" de instrumentos (mandolins, violões, saxofones, trompetes, piano elétrico, marimbas, xilofones e etc.), mas de uma maneira muitíssimo comportada e a banda pelo visto aproveitou como pode durante estes 8 minuntos que contém a faixa evitando desperdícios fazendo mais uma vez rock, folk (medieval), funk e assim nos deixando um disco para toda a vida.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Discos que Marcaram a Minha Vida - Stevie Ray Vaughan - Texas Flood - 1983



Já falei aqui no blog , sobre meu irmão e primo mais velhos que tenho , que me incentivaram a ouvir música, e eis que um dos artistas que ouvi por meio de meu irmão e seus amigos , foi um cara que nasceu no mesmo dia em que eu nasci, e gravou a bíblia do blues nos anos 80 além de ter trazido o estilo de volta as paradas.
Stevie Ray Vaughan  nasceu no dia 03 de outubro de 1954, no hospital Metodista de Dallas, no estado americano do Texas. Filho de Jim e Martha Vaughan, teve através do irmão três anos mais velho Jimmi Vaughan, seu primeiro contato com a música e a guitarra, instrumento no qual Jimmie já ensaiava seus primeiros passos. Durante o início dos anos 60, Stevie conheceu as ricas ondas sonoras das rádios AM de Dallas, as quais possuíam uma variedade cultural e musical incrível, com sons dos mais variados lugares dos E.U.A. como Chicago, Mississipi, Memphis e Louisiana, sendo a “musica racial”, como era conhecido o Blues naquela época, a que despertara maior interesse no garoto.
Stevie começa então a sondar possíveis nomes para formar uma nova banda, recrutando Lou Ann Barton (vocais), Mike Kindred (teclados), Fredde Pharaoh (bateria) e W.C.Clark (baixo), batizando posteriormente a banda como “The Triple Threat Revue””. O grupo faz suas primeiras apresentações no final de 1976, época em que Lou começa a ficar irritada com Stevie, que era o destaque principal da banda e dividia olhares da platéia com ela. Por outro lado, Stevie não queria lidar com uma vocalista com constantes ataques de estrelismo. Lou Ann resolve abandonar o grupo, sendo seguida pouco tempo depois por Mike Kindred e W.C.Clark; entrando Johnny Reno (saxophone) e Jackie Newhouse (baixo). Com todas essas mudanças, Stevie sentia que ainda assim faltava algo a ser mudado, algo que desse uma nova identidade ao grupo. Alguns amigos sugeriram uma pequena mudança no nome, mas Stevie já tinha algo que há tempos estava em sua cabeça e era o título de uma velha canção de Otis Rush. “Double Trouble”, a tal música, passou a ser o novo nome da banda de Stevie.

Jackson Browne era o proprietário do estúdio Down Town, localizado em Los Angeles, na Califórnia. Da amizade de Stevie com Browne, surge o convite para Stevie e o Double Trouble fazerem uso de 72 horas do estúdio, sem nenhum custo à banda ! Tudo o que Browne queria era poder proporcionar à banda a oportunidade deles gravarem uma fita demo que tivesse qualidade suficiente para ser apresentada a grandes gravadoras, a fim de conseguir um contrato. Eles sequer sabiam que estavam gravando seu primeiro álbum ao entrarem no estúdio de Browne, e talvez se tivessem esse conhecimento, a banda não teria conseguido passar para as fitas de gravação o clima que o álbum possui até hoje.
O primeiro dia foi usado para conhecimento do estúdio, seus equipamentos e possibilidadesNo segundo e terceiro dias, a banda gravou 10 músicas, que viriam a se tornar o álbum “Texas Flood” em sua totalidade. A experiência não poderia ter sido mais inocente, com a banda executando música após música com a garra que sempre apresentaram. Ou como disse Tommy Shannon: “- Nós encontramos um espaço, montamos nossa aparelhagem em um semicírculo de modo que todos se enxergassem, e tocamos como uma “live band”. Uma das canções mais conhecidas de Stevie, “Pride and Joy”, foi gravada no dia 24 de novembro de 1982, tendo Richard Mulle, Stevie, Shannon e Chris Layton como produtores do álbum.
Em 1983, o lendário produtor e descobridor de talentos John Hammond, de posse da então demo-tape que viria a se tornar o álbum, consegue um contrato para a banda junto à Epic. Hammond é conhecido por ser o responsável pelo “descobrimento” de artistas como Countie Basie, Billie Holiday, Charlie Christian, Bob Dylan e Aretha Franklin, entre tantos outros.



O álbum “Texas Flood” é finalmente lançado no dia 13 de junho de 1983 pela Epic Records, atingindo posteriormente a 38ª posição da parada de álbuns da Billboard. O single extraído do disco, o da música “Pride and Joy”, atinge a 20ª posição da parada de AOL (Adult Oriented Rock) da Billboard. É ainda gravado um video-clip para a música “Love Struck Baby”. O álbum não só expôs o talento de Stevie para um número ainda maior de pessoas, mas também provou que tanto o Blues como a música orientada para a guitarra não estavam mortos.
O álbum “Texas Flood” possibilitou a uma nova geração conhecer músicas que, de modo único e com personalidade, deixavam evidentes as influências de Stevie. Estas influências foram, posteriormente, talvez em grande parte por causa deste disco, elevadas a condição de deuses do Blues e da guitarras; fato que só encontra comparações, com a invasão das bandas Inglesas na América no início dos anos 60.

Ainda hoje, é difícil mensurarmos o impacto que este álbum causou não somente na cena do Blues, mas também sobre uma geração inteira de garotos que, com este disco, puderam enxergar um outro mundo além do rock and roll e descobrir um verdadeiro artista que já em seu primeiro álbum mostrava, como uma espécie de tributo a seus mestres, uma fusão de todas suas influências, de artistas como Albert King, Buddy Guy, Lonnie Mack, Hubert Sumlin, Otis Rush, Albert Collins e principalmente Jimi Hendrix. O timbre de Stevie é também um dos atrativos que com toda a mística envolvida e histórias daquele que tornou-se um dos mais influentes discos de guitarra e Blues de todos os tempos.Disco para toda a vida.




Faixas do Álbum:
Love Struck Baby
Pride and Joy
Texas Flood
Tell Me
Testify
Rude Mood
Mary Had A Little Lamb
Dirty Pool
I’m Cryin’
Lenny
SRV Speaks *
Tin Pan Alley *
Testify (live) *
Mary Had A Little Lamb (live) *
Wham (live) *
* Constam somente na versão remasterizada do CD
Ficha Técnica:
Produtor Executivo: John Hammond
Produtores: Richard Mullen, Stevie Ray Vaughan, Tommy Shannon e Chris Layton
Assistente de Produção: Mike Harris
Engenheiro de Gravação: Richard Mullen
Assistente de Gravação: James Geddes
Gravado no Down Town Studios – Los Angeles – Califórnia
Vocais em “I’m Cryin’ “ gravados no Media Sound Studios por Lincoln Clapp
Overdbus gravados no Riverside Sound Studios – Austin - Texas
Mixado no Media Sound Studios – New York – New York
Masterizado no CBS Studios, New York – New York, por Ken Robertson
Arte da Capa por Brad Holland


domingo, 13 de novembro de 2011

The Cult - Love - 1985



Nota : 9,0

O The Cult no início de carreira se chamava Southern Death Cult, mas este nome era um pouco exagerado e eles depois acabaram mudando para The Cult apenas.
A banda pertencia ao vocalista Ian Astburry, um inglês nascido em Cheshire.
O estilo e a aparência de Ian lembrava muito o vocalista Steven Tyler do Aerosmith, e isto era bom por que chamava a atenção das pessoas.Ian morou em vários lugares diferentes. No Canadá, por exemplo, ele teve contato com a cultura indígena local, e isso o influenciou muito.
Quando Astburry foi morar em Yorkshire, ele juntou integrantes para o Southern Death Cult. A banda trazia Haq Quereshi (drums), David "Buzz" Burrows (guitar) e Barry Jepson (bass). Eles lançaram seu disco auto intitulado e começaram a fazer shows... em 1983 tiveram a oportunidade de abrir os shows do Bauhaus.
Naquele momento, a banda aceitou uma sugestão e teve sua primeira mudança de nome, se transformando em Death Cult. Com a mudança de nome, mudou também a formação: Ray Taylor-Smith (drums), Jamie Stewart (bass), e Billy Duffy (guitar).
O Death Cult seguia o estilo gótico de grupos como o próprio Bauhaus e o Joy Division, mas a banda já dava sinais de que aquilo não seria definitivo.
Em 1984, o nome foi trocado novamente, desta vez para The Cult. Neste ano a banda lançou mais um trabalho, batizado de “Dreamtime”. O disco foi independente e entre esses alcançou a primeira posição dos charts com a música “Spiritwalker”.


O disco começa com "Nirvana", uma música pra cima, com uma bateria de ska e marcada pela guitarra de Duffy. Em seguida vem "The Big Neon Glitter" que se inicia vovamente com Duffy e possui uma perfeita linha de bateria. A próxima dá nome ao disco; "Love". Novamente Billy inicia a música com maestria, mostrando que o guitarrista estava inspirado, e podemos perceber sua evolução musical. "Little face" é uma linda música, com uma bateria cheia de feeling, mais uma vez guitarras bem trabalhadas e a voz de Ian é simplesmente angelical. "Brother Wolf; Sister Moon" é a primeira balada do disco... repare que no final percebe-se alguns barulhos de trovões, uma ótima passagem para a próxima música intitulada "Rain" que se tornaria sucesso da banda até os dias de hoje. "The Phoenix" começa com a guitarra de Duffy ligada a um pedal Wah Wah e é a música mais pesada do disco. "Hollow Man" possui um ótimo refrão e é uma música "pra frente" e com ótima interpretação de Ian. "Revolution" é a segunda balada do disco e é a música que exprime perfeitamente a fase da banda naquela época, voltada ao pensamento hippie da década de 60. "She Sells Sanctuary" foi o primeiro grande hit; tanto que nunca saiu do set-list da banda até os dias de hoje. Nigel Preston tocou bateria somente nesta música e sua performance surpreende, tanto que nenhum baterista que passou pelo CULT depois conseguiu reproduzir fielmente a linha de bateria desta música. "Judith" é uma balada e é marcada pelos solos melódicos de Duffy, marcando novamente a fase inspirada do guitarrista. O disco termina com "Black Angel" uma balada que fala de um fugitivo e seus perigos durante sua volta para casa.

LOVE é um álbum bem trabalhado, climático e, até então, o mais pesado da banda resgatando um pouco do rock dos anos 60 e 70 com guitarras ácidas, melódicas e com pedais wah-wah. Por esse motivo o Cult foi bastante criticado (era quase um sacrilégio resgatar tudo isso nos anos 80), acusado de resgatar o movimento "flower-power" devido aos adereços, símbolos místicos e os cabelos longos de Ian. Os comentários foram mais contundentes quando confessaram gostar de Hendrix, Stones e Led Zeppelin, mas não deram a mínima aos jornalistas. A colocação de 15º lugar nas paradas e 200.000 cópias vendidas, apenas na Inglaterra, calou a boca dos piores críticos. As apresentações da banda nessa época eram como verdadeiras viagens lisérgicas: Ian, em seu visual andrógino, dançava hipnoticamente acompanhando a cada momento das músicas. E foi com este álbum que a banda abriu caminho para gravar sua obra prima "Electric".



Compre o seu.



Santana - Abraxas - 1970



Era no verão de 1970 que Carlos Santana já desfrutava de vários discos de platina por apenas 1 álbum, que incluía 2 sinles que entraram para o Top 40. E quando Santana tocou Soul Sacrifice em Woodstock, o mundo teve contato com a magia de sua guitarra. O som, antes conhecido somente em San Francisco, misturava riffs pesados de guitarra com congas e outros instrumentos de percursão que incendiavam a platéia mais católica. Mas foi em outubro de 1970 que Santana reuniu os músicos de sua banda e gravaram aquele que seria o melhor álbum de sua carreira, Abraxas.


Como bom Chef de cozinha que não se limita a fazer misturas óbvias , Santana e sua trupe aderiram ao freak Rock de São Francisco, garimpavam suas imaginações enfumaçadas e assim transformavam tudo o que iam descobrindo em rock'n'roll. Santana elaborou seu 2° disco para ir do rock até a salsa e o jazz, ritmados por um coração latino.
Abraxas é um daqueles momentos mágicos do rock e é quase uma viagem espiritual. O álbum é excelente desde a primeira até a última música, seja pela técnica apurada do guitarrista, seja pela musicalidade latina impressa pela percursão de Jose Areas, Mike Carabello e Rico Reyes. O play começa com Singing Winds, Crying Beasts, uma instrumental que prepara terreno para a versão de Santana para Black Magic Woman (na verdade, BMW é composição de Peter Green, fundador do Fleetwood Mac) . Apresentada no álbum num medley com Gypsy Queen, Black Magic Woman é a canção de maior “sucesso” de Santana, tendo sido radiodifundida pelos quatro cantos do globo.

Carlos e sua guitarra com timbre único eram os componentes de uma engrenagem extremamente talentosa e mostra explícitamente durante todo o disco , que a união da música é como a de dois amantes , o ritmo é o homem e a melodia a mulher. O baixista Dave Brown e o batera Mike Shrieve assentam neste álbum as bases do que seria uma das melhores e mais afiadas seções rítmicas da história da música. E assim cada componente da banda vai deixando a sua marca como o órgão sedutor de Gregg Rolie em "Black Magic Woman" e "Oye Como Va". Aqui Santana faz pela música latina o que Chuck Berry fez pelo Blues anos antes, e deixa um disco para toda a vida.

Músicas :
1- Singing Winds, Crying Beasts
2- Black Magic Woman/ Gypsy Queen
3- Oye Como Va
4- Incident At Neshabur
5- Se A Cabo
6- Mother's Daughter
7- Samba Pa Ti
8- Hope You´re Feeling Better
9- El Nicoya





quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Focus - Moving Waves - 1972


No período de 1970 a 1975, o Rock Progressivo mundial viveu seu mais esplêndido, coeso e produtivo período de existência, e mesmo ainda estando em desenvolvimento naquela época, foram feitos naqueles anos a maioria dos discos  que se tornaram obras-primas do estilo. Aqueles tempos eram de mudança (já que o mundo todo sofria descobertas e alterações políticas, religiosas, ideológicas e mesmo econômicas), e talvez graças a isso, os músicos que procuravam inovar em sua arte encontravam apoio das gravadoras, do público e até mesmo dos críticos. Ou seja, o período era favorável ao bom uso da arte, e muitos grupos souberam aproveitar sua chance para nos brindar com obras que com certeza sobreviverão à passagem do tempo.Thijs Van Leer ( vocalista, flautista e responsável pelas teclas da banda) e Jan Akkerman( guitarrista) reformam o grupo Focus, que havia se desintegrado após a gravação de seu primeiro disco (In And Out Of Focus), com a entrada do baterista Pierre Van Der Linden (Trace) e do baixista Cyril Havermans.

O disco começa com a pancada que se tornaria a música mais famosa do grupo: Hocus Pocus. Uma verdadeira exibição de técnica, feeling, psicodelia e humor que dura mais de seis minutos. Destaque para o incrível trabalho de guitarra de Jan e os hilários vocais "yodel" (canto típico da Holanda) de Thijs. A música é extremamente constrastante, passando de guitarras nervosas para passagens com acordion, flauta e até assobios, para voltar ao clima "heavy metal" segundos depois.
Na sequência, algumas baladas e músicas mais lentas: Le Clochard (O Vagabundo), Janis (escrita em homenagem à cantora, falecida meses antes da gravação do disco), com uma incrível linha de flauta de Thijs Van Leer, Moving Waves (uma das poucas e raras músicas do Focus com linhas vocais sérias), que basicamente é piano e vocal, Focus II, que começa lenta mas depois tem uma seção que lembra músicas de vinhetas televisivas dos anos 70.


à musica Eruption, o projeto mais ambicioso do grupo até então, é uma colagem de várias vinhetas: Orfeus, Answer, Pupilla, Tommy, The Bridge, Euridice, Dayglow e Endless Road. Cada uma extremamente diferente da outra, como se fosse um bate-papo no meio da música, uma vinheta "conversando" com a outra. Uma verdadeira epopéia musical, com passagens lentas (Orfeus) e outras mais velozes (Answer). Destaque novamente para a guitarra de Jan Akkerman e os teclados de Thijs Van Leer, e o baterista Pierre que arrebenta nossos ouvidos dando uma ótima dinâmica ao instrumento e levadas e viradas que só ouvindo com muita atenção,e que simplesmente abraçam o ouvinte levando o consigo para uma grande e bonita viagem. As linhas de baixo na música Eruption também são muito boas.Esse disco é extremamente recomendado para quem curte um bom rock com ótimas melodias, e sentirmos o quão influente foi a banda para não só o progressivo, mas para o rock e suas vertentes. Eu já tenho o meu,e você?
  


Faixas:
1.  Hocus Pocus
2.  Le Clochard
3.  Janis
4.  Moving Waves
5.  Focus II
6.  Eruption




terça-feira, 1 de novembro de 2011

Judas Priest - Painkiller - 1990


Em seu início de carreira, o Judas Priest mesclava, soberbamente, heavy e rock. Vários anos se passaram e a banda seguia destilando seus poderosos riffs, até início dos anos 80. Após este tempo, seguiram-se álbuns fracos em conteúdo musical, que vieram a diminuir a reputação conseguida . Porém, logo após esta baixa, o Judas Priest volta para ficar de vez impresso na alma de todo e qualquer headbanger fanático por peso e melodia; o lançamento de Painkiller, em 1990, foi o grande responsável por esta façanha.

Podemos começar citando a arte fenomenal da capa do álbum, já a banda, surpreende a partir da majestosa introdução com a faixa-título, onde a bateria de Scott Travis começa a ditar o tom da destruição metálica existente no álbum; cheia de melodias, fúria, peso e um vocal  agressivo, Painkiller de cara, é um dos clássicos da banda. Destacam-se, também, as guitarras com seus solos inesquecíveis, compondo a estrutura desta faixa. Hell Patrol é outra música que mescla melodia vocal com peso nas guitarras, de forma genuína, com Gleen Tipton e K.K Dowing no melhor de suas formas. All Guns Blazing e Leather Rebel seguem a dinastia. Outra das faixas que traz um heavy incontrolável, é justamente Metal Meltdown. Um outro grande clássico do álbum, fica por conta da inconfundível Night Crawler, seguida da não menos clássica, mas também dramática, A Touch of Evil; destaca-se pela dramaticidade existente na voz de Rob Halford, junto ao seu altíssimo alcance já antes comprovado, bem como o riff que compõe a base da música e seu solo maravilhoso. A gravação, mixagem e a produção do disco , nada deixam a desejar. Alguns xiitas podem até trocer o nariz para este álbum, mas ele resgatou a banda e o heavy metal tradicional , pois os anos 90 foram  a década do grunge, mas ninguém pode negar que revigorou o estilo musical para a nova geração. Compre o seu.


Discografia Básica do Rock - Alice In Chains - Dirt - 1992


Quando Seattle foi designada como o epicentro de um movimento musical , no incício dos anos 90, eu tinha 15 anos,e o O Alice in Chains era  formado em 1987, quando Layne Staley (vocalista) conheceu Jerry Cantrell (guitarrista) no Music Bank, em Seattle. Antes disso, Staley já tocava com alguns amigos em uma banda chamada Alice N’ Chains, mas a partir de seu encontro com Cantrell a banda passa a se chamar Alice In Chains e o negócio começa a ficar mais sério. Jerry traz para a banda o baixista Mike Starr e o baterista Sean Kinney, e a banda começa a tocar nos clubes e bares de Seattle.

Em 1989, a banda assina com a Columbia Records. Em junho do ano seguinte, lançam o EP "We Die Young" (que hoje é muito difícil de achar). O som da banda logo se caracteriza como um "hard-metal" de primeira, com nítidas influência do Black Sabbath, fazendo a banda tornar se o centro das atenções com o lançamento deste disco.Até então o Alice In Chains, era uma bnada grunge em ascenção e teve uma aparição no filme"Singles" de Cameron Crowe.

Com suas guitarras encharcadas de distorção,e as  letras melancólicas e de uma sinceridade brutal mas ao mesmo tempo eram preocupantemente honestas, na verdade o disco estava repleto de alusões à dependência de drogas que o vocalista Layne Staley sofria e funcionavam como uma antevisão de sua morte por overdose quase uma década depois. Letras como as das músicas Junkhead e a faixa título falam por si mesmas. Mais mesmo assim Dirt ,o disco, contribuiu muito para o que o grunge se tornasse um gênero musical, e que o Alice In Chains por mais dos problemas que rondavam a banda na época do lançamento do disco, deixou gravado um disco de rock para toda a vida.

Músicas :
1- Them Bones
2- Dam That River
3- Rain When I Die
4- Sickman
5- Rooster
6- Junkhead
7- Dirt
8-God Smack
9-Untitled
10-Hate To Feel
11-Angry Chair
12-Down In A Hole
13-Would?