quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Discos que Marcaram a Minha Vida - Pearl Jam - Ten - 1991


O embrião do Pearl Jam pode ser encontrado em outras bandas de Seattle, na época em que a cidade ainda não era o grande foco das atenções no mundo do rock’n’roll, como ficou sendo durante a primeira metade da década de 90. Podemos começar dizendo que o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament eram amigos e formaram uma banda de hard-rock chamada de Green River ao lado do guitarrista Steve Turner e o vocalista Mark Arm, mais ou menos na metade da décade de 80. Chegaram a gravar e lançar um disco, chamado "Rehad Doll", além de um EP, pelo selo local Sub Pop. Mas em 1988, a banda resolve se separar, sendo que Arm e Turner formariam logo depois o Mudhoney, uma das bandas primordiais do grunge. Jeff e Stone continuam juntos e, juntamente com o baterista Jeff Turner e o vocalista Andrew Wood, formam uma nova banda, chamada Mother Love Bone. Assinam um contrato com a Geffen Records e lançam em 1989 o EP chamado "Shine" e, em 1990, um álbum chamado "Apple". A banda começa a fazer a sucesso nos EUA, quando, logo depois do lançamento de "Apple", em 16 de março de 1990, morre o vocalista Andrew Wood, vítima de uma overdose de heroína.
Depois disso, Stone e Jeff se separam, mas continuam a compor e escrever músicas. Depois de algum tempo, voltam a se juntar com o propósito de formar mais uma banda. A eles se junta o guitarrista Mike McCready (ex-Shadow), mas faltava ainda um vocalista e um baterista. Por intermédio do amigo e baterista Jack Irons (ex-Red Hot Chilli Peppers), eles conhecem Eddie Vedder, que estava naquele momento trabalhando em uma indústria de petróleo em San Diego (que fica no estado da California, sendo que Eddie nasceu no estado de Illinois), mas que costumava cantar e tocar com alguns amigos nos bares da cidade, em uma banda chamada Bad Radio. Vedder recebe uma fita demo do trio de Seattle (apenas com músicas instrumentais) e gosta do som que ouve. Ele resolve escrever as letras que faltam à essas músicas (reza a lenda que ele foi surfar um dia, e, ao sair do mar, estava com as três letras prontas na cabeça – são elas: "Once", "Alive" e "Footsteps", e possuem ligação entre si), e ele mesmo grava sua performance por cima dos instrumentos na fita e a envia de volta para Seattle. O trio fica impressionado com o que ouve e resolve convidar Eddie para ser o vocal da futura nova banda. Assim, ele vai para Seattle e grava com a banda durante três semanas, sendo que ao final dessas, já estavam se apresentando para o público local.

Assim no fim dos anos 80 e início dos 90, começa um movimento em Seattle nos EUA, digno de uma guerrilha aonde as bandas eram como uma unidade paramilitar autogerida que em pequenos grupos , foram assolando o mundo com suas canções e bermudas de flanela e xadrez. O Pearl Jam foi uma dessas pequenas unidades que se transformaram em gigantes musicais na Terra. Nesse seu 1º disco vemos além de rock maduro, inteligente lembram - se nas melodias majestosas de suas canções a integridade ardente de mestres como Neil Young (que mais tarde gravaria junto da banda) e The Doors, mas ao mesmo tempo davam seu grito de guerra para um poderoso e novo movimento musical " O Grunge nascia aqui". Pois independente das virtudes do disco como : refrões fáceis de serem cantados, letras inquietantes e reflexivas.


Temos  duros acordes que se intensificam com os solos pungentes e blueseiros de Mike McCready, guitarras entrelaçadas colorem o disco de forma sombria, a voz de barítono de Eddie Vedder, foram assimiladas rapidamente por milhões de jovens no mundo, eu incluso, que estavam ávidos por coisas e sons novos, o rugido de "Why Go" e o mar de reverberação de "Oceans'', a contundente "Porch" ditam a cartilha do Grunge. Em "Jeremy" os adolescentes shoe gazer começaram a se perguntar como seria estourar os miolos na frente da turma. E assim o Pearl Jam fez com que estivéssemos mais ligados ao rock clássico, do que o Nirvana e os gritos punk de Kurt Cobain. Disco para toda a vida.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Prog Alemão do Eloy - Eloy - Ocean - 1977


Fundada no final dos anos 60 pelo guitarrista Frank Bornemann, a banda sofreu várias mudanças, sendo Bornemann o único membro consistente do grupo. Foi inspirada por bandas como The Beatles, The Shadow e Pink Floyd, este último pelo tom de space rock que possuia na época. A princípio, a banda tocava hard rock, inspirada por temas políticos, mas logo passou para um som mais progressivo, com elementos de space. Baseado principalmente nos solos de guitarra de Bornemann, o som da banda também inclui o vasto uso de sintetizadores e coros. O nome da banda foi inspirado em Eloi, uma raça do futuro na novela A Máquina do Tempo, de H.G. Wells. Apesar da nacionalidade, a banda não é considerada participante do movimento Krautrock, estilo nascido no país de origem da banda a Alemanha. 
Como de praxe no rock , a banda teve várias formações , mas a que gravou este disco era :
Frank Bornemann - Guitarra solo, acústica, e vocais. Klaus-Peter Matziol -Vocais, Baixo , Detlev Schmidschen - Teclados Hammond, Mini-moog, Mellotron, Xylophone, Jürgen Rosenthal - Bateria, naipe de metais, flauta, címbalos, roto-tons, sinos e vocais.


O disco em si  é uma pérola progressiva, um dos melhores discos conceituais que eu já ouvi e  já produzidos pelas milhares de bandas que o estilo concebeu na década de 70. Uma musicalidade conceitual que é fiel ao tema, 'Oceano' e a produção também ajuda sendo impecável, uma mixagem e masterização muito bem feitas .  É  a história da formação mitológica do homem e do mundo, em quatro faixas . O álbum tem umas passagens meio difíceis de se ouvir na primeira audição.  O estilo é art-rock, com elementos de prog espacial. Os vocais são em inglês (atente para as letras, escritas pelo baterista). O vocal é aquele que se pode esperar do Frank, mas não deixa a desejar. O baixo de K.P. Matziol é sem dúvida um dos melhores do progressivo: encaixa com tudo. O teclado é bem dosado, ora com atmosferas suaves, ora bem marcado. Os solos são coisa do outro mundo: são balanceados os efeitos e dão uma sensação de que voce está dentro da música. Agora, esse baterista... é fora de série. Influenciado por Neil Peart do Rush, ele desenvolveu um estilo muito próprio, como poucos que se atrevem a seguir essa escola aberta pelo baterista canadense. E desempenha seu papel com louvor. Realmente, ele usa muitíssimo bem os roto-tons, criando passagens adequadas a cada ocasião. Veloz e ao mesmo tempo melódico, ou seja , o músico e seu instrumento contribuindo para a música.




Posseidon´s Creation -  Linda, que chega a marejar os olhos. Logo no início,Frank usa a guitarra alternadamente com o baixo, criando uma conversa perfeita. Um arranjo difícil de se encontrar em outra música. A bateria conduz tudo muito bem, o teclado dá uma atmosfera meio "fria", ao ritmo das ondas! Ao prestar bem atenção no andamento, pode se perceber isso. Uma mudança de andamento depois da introdução, e o vocal entra como se tivesse contando uma história. Um naipe de metais dá um brilho.

Incarnation of the Logos - Aqui a faixa começa mais sombria, com um ritmo lento. De novo, Frank vai desenrolando a história cantada. O teclado dá o ar obscuro. Porém, à medida que a letra prossegue, o tom vai aumentando... aumentando.. até que explode, e adquire um andamento rápido.

Decay of the Logos - Talvez a melhor faixa do álbum. Muito mais prog, agora já com um andamento mais rápido. O baixo é bem mais marcado. A flauta aparece na mixagem  Enérgica e brilhante.

Atlanti´s agony at June 5th, 8498, 13 p.m. Gregorian Earthtime -  Começa com Jürgen recitando a destruição do mundo, com uma voz sinistra, que dá medo ás vezes. Enquanto isso, efeitos tenebrosos são libertos dos sintetizadores, com trovões, gemidos, etc. Nisso, uma melodia medieval pode ser ouvida ao fundo, Então, uma mudança de andamento segue até o fechamento do álbum .

Se você curte ouvir uma história contada por uma grande banda de rock , vá comprar o seu.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Discografia Básica do Rock - Steve Hillage - Fish Rising - 1975



Steve Hillage (nascido Stephen Simpson Hillage, 2 de agosto de 1951, Chingford, Londres, Inglaterra) é um Inglês músico, mais conhecido como guitarrista. Ele está associado com a cena de Canterbury e trabalhou em domínios experimentais desde a década de 1960. Além de seu solo de gravações , ele tem sido um membro do Gong, Khan e sistema 7.
Enquanto ainda na escola, ele se juntou a sua primeira banda, uma banda de rock blues chamada Uriel, com Dave Stewart (tecladista), Mont Campbell e Clive Brooks.  Hillage também participou do álbum de 1974 do ovo The Civil Surface.
Em 1969, Hillage iniciou os estudos na Universidade de Kent , em Canterbury, criando bandas locais Caravan e Spirogyra e ocasionalmente empastelamento com eles. Enquanto isso ele escreveu canções e, por fim de 1970, tinha acumulado material suficiente para um álbum. Caravana colocá-lo em contato com seu gerente de Terry King, que ficou Hillage assinado com Deram de uma demonstração de seu material gravado com a ajuda de Dave Stewart de ovo. No começo de 1971, Hillage formado Khan com o baixista/vocalista Nick Greenwood, ex-integrante do Crazy World Of Arthur Brown. Embora o baterista de Gong e Hatfield and the North futuro Pip Pyle envolveu-se nas fases iniciais, o line-up finalmente resolvida com a inclusão do organista Dick Heninghem e o baterista Eric Peachey.
nos fins de 1.974, Hillage entra em estudio para iniciar a gravacao de seu primeiro album solo - Fish Rising. Finalizado no inicio de 1.975 o trabalho contava com nada menos que Pierre Moerlen (bateria, percussao), Tim Blake (teclados), Mike Howlett (baixo), Didier Marlhebe (flauta, saxofone) e obviamente sua companheira Miquette Giraudy (vocais, percussao), ou seja, praticamente quase 80% do Gong com excessao dos fundadores : Daevid Allen e Gilly Smith. O trabalho tambem contaria com o colega Dave Stewart (piano, teclados) e Lindsay Cooper (secao de metais, trabalhou com Fred Frith e Mike Oldfield). Ironicamente este trabalho poderia ser chamado praticamente de "Steve Hillage´s Gong", mas Pierre Moerlen naquele ano de 1.975 estaria dando continuidade com o Gong e lancaria o album Shamal, outro album que comecaria a mudar o estilo arrojado que a banda possuia com os fundadores dando inicio a fase fusion do Gong e este contaria com as ultimas participacoes de Hillage pois o mesmo a partir de entao iria continuar seu rumo sozinho.
Estreando no selo Virgin Records do empresario Richard Branson e produzido com o colaboracao de Simon Heyworth que tinha trabalhado tambem com o Gong em "You", o trabalho dificilmente decepciona o ouvinte, especialmente aqueles q gostam do cenario da musica canterbury e gostam de guitarras em especial, e um trabalho que de um aspecto global possui uma complexidade musical extremamente forte e o fusion esta muito envolvente no trabalho. Desde sua estreia no cenario musical Hillage adotou a arte de tocar guitarra sintetizada e é praticamente sua marca registrada, sera sempre eterna mesmo hoje atualmente com sua banda tecno System 7.


 A primeira faixa "Solar musick suite" e como ja diz o nome.  esta dividida em 4 partes, a mesma melodia que da inicio de entrada e o final da mesma incluindo muito fusion e arranjos crescentes muitissimo bem elaborados no meio da faixa.vem "Fish" uma pequenissima vinheta interessante com muita marimba e vibrafone com metais acompanhando. Detalhe curioso: a entrada tem efeitos sonoros de bolhas na agua bem grandes e o mesmo no caso, foi incluso na banda tecno Orb - UFORB (1.992) que Hillage esta tambem presente na faixa "Blue room".

 "The meditation of the snake", sao efeitos sonoros da guitarra sintetizada do guitarrista, parecem que sao pelo menos umas 03 tocadas ao mesmo tempo e de arrepiar.
 "The salmon song" com quase 9 minutos de duracao, talvez seja a apice do trabalho, pois geralmente muitissimo apreciada pelos ouvintes, por outro lado muito tocada nas apresentacoes ao vivo da carreira solo do musico. Dividida em 04 partes, ja entra com um fortissimo arranjo de abertura de guitarra acompanhado do saxofone de Marlhebe e o ritmo de Moerlen, vai ficando crescente ate a entrada dos vocais de Hillage e Giraudy. Depois entra uma pequena secao acompanhada de um oboe, retornando os mesmos arranjos crescentes do inicio da musica finalizando a mesma.


 Finalizando e fechando o album, vem talvez a faixa q e a mais complexa de todas do trabalho. "Aftaglid" de quase 15 minutos de duracao, e a que esta dividida em mais secoes: 7. Mistura rock, fusion, musica incidental do oriente, progressivo, funk e marcha ate. Esta é "batizada" com o inicio de abertura de um sino pequenino, entrando a guitarra com uma leve percussao, vai sendo crescente quando e tomada por um ritmo de marcha q vai progredindo por sinal ate que se tranquiliza com um violao acustico solando junto com o vocal de Giraudy. A guitarra volta em cena em ritmo de musica totalmente oriental acompanhada de tablas e uma timida flauta e o q ja esta praticamente na metade da faixa e que Steve Hillage comeca a citar as letras da musica, imaginem isso ate o momento como e, porque ainda tem mais o outro restante da faixa. Quando Hillage termina as letras que encerram o Fish Rising, entra a banda toda acompanhando a guitarra num ritmo de rock q pra variar vai crescendo novamente ate que repentinamente o ritmo comeca a ser tomado por um pequeno funk acompanhado ate por meio de palmas e vai se crescendo ate que a guitarra vai ficando sozinha finalizando o album. Se você se permitir uma viagem ao mundo progressivo de Steve Hillage, não irá se arrepender, então compre e escute várias vezes.

Faixas:
1. Solar musick suite - 16:55
a)Sunsong (I love it´s holy mystery)
b)Canterbury surprise
c)Hiram afterglid meets th dervish
d)Sunsong(reprise)
2. Fish - 1:23
3. Meditation of the snake - 3:10
4. The salmon song - 8:45
a)Salmon pool
b)Solomon´s Atlantis salmon
c)Swimming with the salmon
d)King of the fishs
5. Aftaglid - 14:46
a)Sunmoon surfing
b)The big wave and the boat of the Hermes
c)The silver ladder
d)Astral meadows
e)The Lafta Yoga song
f)Glidding
g)The golden vibe/outglid










sábado, 10 de dezembro de 2011

John Coltrane - A Love Supreme - 1964



John William Coltrane nasceu em 23 de setembro de 1926 em Hamlet, na Carolina do Norte. Com apenas dois meses de idade se muda com a família para High Point (também na Carolina do Norte), após a nomeação de seu avô, o Reverendo William Blair, para a Igreja Metodista Africana Episcopal de Sião. John cresceu no meio de uma família de músicos: seu pai, que era alfaiate, tocava violino e ukulele, e sua mãe cantava no coro da igreja.
 Na banda da escola ele aprende primeiramente a tocar clarinete, mas decide largar este instrumento pois se interessou mais pelo saxofone alto, depois de ouvir o saxofonista Johnny Hodges com a banda de Duke Ellington no rádio. Suas influências musicais naquela época foram o saxofonista tenor Lester Young e Count Basie e sua banda.


Em março e abril de 1959, Coltrane grava com o grupo de Miles Davis o álbum Kind of Blue, lançado em 17 de agosto de 1959. O álbum todo foi composto baseado em escalas modais, em que cada integrante recebia um grupo de escalas que definiam os parâmetros da improvisação. O modo de apresentação entrou em contraste com o estilo de composição do jazz tradicional, que se baseava em partituras completas, com progressões de acordes ou séries harmônicas. Kind of Blue é considerado como um dos álbuns mais influentes do jazz, alcançando um elevado número de vendas.Que na minha opnião é o disco maisa bonito do jazz e de alguns que já ouvi.Depois também de deixar outro essencial disco gravado ao vivo com o piannista Thelonius Monk.O maior tenorista do mundo foi trilhando e reinventando seu caminho e o do jazz também, gravando seus álbuns e algumas participações. Até que em 1964 , é lançado" A Love Supreme",
Esse disco, considerado sua magnum opus, é um ode à sua fé no amor e em Deus (não necessariamente o Deus cristão - na capa do disco Meditations ele diz "Eu acredito em todas as religiões"). Este interesse espiritual iria caracterizar muito a forma de tocar e compor de Coltrane a partir de então, como pode ser visto em álbuns como Ascension, Om e Meditations.


No inicio de 1963, contudo, Coltrane decidiu dar uma guinada brusca em sua vida e carreira e decidiu se converter (parcialmente) ao budismo, largar (temporariamente) do álcool e das drogas e adaptar seu som ao free jazz de Ornette Coleman, impondo longos e hipnotizantes solos de saxofone com pitadas de um teor religioso em suas canções. Ao entrar em estúdio no ano seguinte, após uma série de aclamadas apresentações, Coltrane e seu excelente trio em algumas sessões gravariam o que para muitos é junto com Free Jazz (de Coleman de 1960) e Bitches Brew (de Davis de 1969), como um dos 3 melhores álbuns de jazz dos anos 60 e um dos mais influentes discos do estilo.A Love Supreme. O disco, na verdade um longo tema dividido em quatro partes, seria uma adaptação, uma evolução do estilo free jazz iniciado em 1959-60.

 Aqui percebe-se uma clara intenção de se colocar longas, complexas as vezes dissonantes improvisações e solos, mas também de se criar um clima diferente nas canções, dando a elas um estranho aspecto espiritual, cativante, isso por que elementos budistas (orações, bases de melodias religiosas) foram embutidos de forma discreta, porém fundamental para dar um aspecto totalmente diferente a canção, fazendo-a fugir do virtuosismo vazio as vezes imposto pelo estilo free-jazz.
As quatro partes do álbum em sua totalidade, são excelentes, cada uma com uma peculiaridade sonora em sua estrutura. Seja pela climática, espiritual e sombria Acknoledgment, onde coltrane por vezes deixa seu sax e solta suaves preces, como se fossem uma espécie de mantra em forma de jazz. Seja pelas altamente improvisadas Resolution e pursuance, onde aqui vemos coltrane despejar todo o seu talento no sax e ainda nos brindar com ótimas performances de Mccoy Tiner no piano e Elvin Jones na batera, lembrando por vezes o jazz sem compromissos e free de ornette, mas com uma roupagem completamente diferente oferecida por Coltrane. E com a altamente empolgante Psalm,  é de fato, um arranjo baseado em um poema feito para Deus por Coltrane e impresso no álbum. Coltrane toca quase exatamente cada nota para cada sílaba do poema, baseando suas frases nas palavras. O álbum foi um sucesso comercial pelos standards de jazz. O quarteto só tocou A Love Supreme uma vez ao vivo - em julho de 1965, em um show em Antibes na França. Já então a música de Coltrane havia evoluído, e a performance oferece um interessante contraste com a original.Ao ser lançado, coltrane iria experimentar e utilizar essa composição em apresentações ao vivo, as vezes ao extremo, testando suas habilidades, de seus músicos e a capacidade do publico e critica de enxergar e assimilar toda essa nova e ousada proposta musical ,o que neste ultimo aspecto foi obtido apenas alguma aprovação e apoio.Disco para toda a vida.




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

George Benson - Beyond The Blue Horizon - 1971



A evolução histórica do jazz,segue um padrão de movimento pendular, com tendências que se alternam apontando em direções opostas. Em meados dos anos 30 surge o primeiro estilo maciçamente popular do jazz, o swing, dançante e palatável, que agradava imensamente às multidões durante a época da guerra. Em 1945 surge um estilo muito mais radical e que fazia menos concessões ao gosto popular, o bebop, que seria revisto, radicalizado e ampliado nos anos 50 com o hard bop. Em resposta à agressividade do bebop e do hard bop, aparece nos anos 50 o cool jazz, com uma proposta intelectualizada que está para o jazz assim como a música de câmara está para a música erudita.
O cool e o bop dominam a década de 50, até a chegada do free jazz, dando voz às perplexidades e incertezas dos anos 60. No final dos anos 60, acontece a inevitável fusão do jazz com o rock, resultando primeiro em obras inovadoras e vigorosas, e posteriormente em pastiches produzidos em série e de gosto duvidoso.Com certeza George Benson nos deixou obras básicas para se entender esse estilo musical que teve evoluções e revoluções com suas fusões e uniões de músicos que se consagraram com suas obras e ou tocando nas de outros, aqui neste disco temos esse time :  Clarence Palmer (órgão), Ron Carter (contrabaixo), Jack DeJohnette (bateria), Michael Cameron e Albert Nicholson (ambos na percussão) .

 Beyond the Blue Horizon, tido por muitos como o seu trabalho mais jazzístico e, consequentemente, o menos comercial. Gravado em 1971, este disco possui algumas peculiaridades, a começar pelo fato de ter sido a estreia de Benson pelo selo CTI, do lendário produtor Creed Taylor. Só para lembrar, Taylor já havia trabalhado com o guitarrista em álbuns como Shape of Things to Come e The Other Side of Abbey Road, ambos de 1969 e lançados pelos selos A&M e Verve, respectivamente.
São apenas cinco temas que, sem exageros, formam um verdadeiro tratado do estilo marcante de Benson na guitarra. "So What" (de Miles Davis) é a faixa de abertura, com sua melodia executada por Benson nas cordas graves e intercalada com os acordes de Palmer. É interessante notar as mudanças cíclicas de condução rítmica da cozinha, que servem de bases para os improvisadores, começando com um groove calçado na divisão da melodia, passando por um walking jazz rápido e depois fechando com uma levada mais marcada pela banda.
Logo após vem "The Gentle Rain", do violonista brasileiro Luis Bonfá, que tem clima bossa de gringo e apresentação irretocável do tema na guitarra, com single notes floreadas, reexposição em oitavas e um baita timbre de sua Guild (naquela época ainda não existiam as Ibanez GB).Já a autoral "All Clear", com os músicos extremamente soltos, possui um clima bem relaxado e apresenta um dos melhores improvisos de Benson no disco, com direito a bends bluseiros, double-stops e solos em acordes.
"Ode to a Kudu" é a faixa mais delicada, uma verdadeira pérola bensoniana, com introdução lírica em acordes de guitarra em clima de oração, sem a banda, cujos membros vão, um a um, progressivamente, fornecendo o acompanhamento.
Os bongôs e as congas dão o clima de "Somewhere in the East", faixa mais instigante do trabalho, que revela um Benson impensável nos dias de hoje, explorando sem pudores intervalos inesperados, rítmicas complexas e efeitos variados.
O CD foi relançado e  ainda conta com três bonus tracks com tomadas alternativas de faixas contidas no cd , tenho esta reedição e a recomendo.Hoje em dia o guitarrista está mais conhecido por ser um " cantador de baladas pop", do que o substituto de Wes Montgomery dos anos 60, mas é inegável que o mesmo nos tenha deixado um disco para toda a vida.

Faixas:
1 So What? 9:05
2 The Gentle Rain 9:05
3 All Clear 5:15
4 Ode to a Kudu 3:45
5 Somewhere in the East 6:05






sábado, 19 de novembro de 2011

Discografia Básica do Rock - Rainbow - On Stage - 1977


O que faz um álbum ao vivo de uma grande banda ser especial e estar como discografia básica nas coleções mundo afora são a performance dos músicos , o set list escolhido e com certeza a gravação e produção da bolacha. Mas e quando acontece desta mesma bolacha ser lançada,como sempre no Brasil mutilada , pois esse é um álbum duplo tanto em vinil como na edição de cd , mas inexplicavelmente a brasileira saiu como simples em ambas edições. Mesmo assim este disco não perdeu sua importância na música pesada ocidental  pois contendo Dio nos vocais  , Blackmore na guitarra e mantendo solos longos endiabrados e improvisações que mais parecem aulas ao vivo, e Cozy Powell mostrando como uma bateria deve soar monstruosa desde o inicío da bolacha , mas sempre fazendo seu papel nas músicas sem extrapolar.

Um pequeno trecho de "Over The Rainbow" (tema do filme "O Mágico de Oz") aquece o público para a entrada de "Kill The King",abre o show pesadíssima, e em uma versão matadora e superior a gravada em estúdio.
 Dio anuncia a segunda música, um medley de quase 12 minutos com "Man On The Silver Mountain" (presente no primeiro álbum), um blues beirando a perfeição com duelos entre Ritchie e Tony nos teclados,e finalizando com Starstruck, música do álbum "Rising", mantendo a competência da banda em alta.

Uma obra-prima, "Catch The Rainbow", a melhor música escrita pela dupla Blackmore/Dio, que ao vivo fica simplesmente... São 15:36 de magia (a versão original tem pouco mais de 6 minutos), solos magníficos do grande Blackmore e a brilhante performance de Dio, que aqui mostra o porque de ser chamado de Frank Sinatra do Heavy Metal.
A quarta música do disco já é conhecida pelos fãs do Deep Purple. "Mistreated" é executada com total perfeição e competência.  Destaque novamente para a dupla Dio/Blackmore. "Sixteenth Century Greensleeves", do primeiro álbum, é a penúltima música do cd. Hard rock bem feito, uma das melhores músicas do Rainbow. Uma marca registrada do "On Stage" é que todas as faixas do disco ficaram bem mais rápidas que as versões originais.
 "Man On The Silver Mountain" é um claro exemplo - ficou muito melhor que a versão original.
"Still I'm Sad", original dos Yardbirds, está presente no primeiro álbum do Rainbow também. Energia, precisão e um solo de teclado perfeito marcam essa ótima música.E com uma performance irretocável , uma aula de gravação e  produção de Martin Birtch, aqui temos uma aula de captação de instrumentos no palco e a mixagem é ótima,por mais de 30 anos este já vem sendo um incentivo musical para toda a vida.



O 1° Disco ao Vivo do Yes - Yes - Yessongs - 1973


naquele ano de 1.972, diversos acontecimentos ocorreram com a banda já que o material utilizado em "Yessongs" é pertencente aos 3 últimos álbuns: "The Yes álbum" (1.971), "Fragile" (1.971) e "Close to the edge" (1.972). Retornando ao tempo após o lançamento de "Time and a word" (1.970) as mudanças se transpõe a partir de então no conceito da música que a banda passou a desenvolver e nas substituições dos integrantes que ocorreram também ao longo do tempo durante até que um curto espaço de tempo dos 3 álbuns anteriores de "Yessongs". A primeira foi do guitarrista original, fundador da banda e que inclusive sugeriu o nome do grupo, Peter Banks que segundo alguns dos motivos de sua saída seria que a banda percebia o seu descontentamento com os companheiros ia crescendo o tornando muito preguiçoso e desmotivado quando foi lançado "Time...", e por outro lado o guitarrista alegava que foi traído e tendo seu profissionalismo no trabalho um tanto descriminado visto que o álbum tinha uma forte presença de arranjos de orquestra e os teclados de Tony Kaye e então seguiria sua carreira formando uma banda chamada "Flash" e em seu lugar seria tomado pelo guitarrista Steve Howe que tinha influências de músicos como Django Reinhardt, Mary Ford, Chuck Berry e entre outros e que já havia tocado com "The Syndcats", "In Crowd", "Bodast", "Tomorrow" gravando vários compactos e esta última banda tendo gravado um álbum entitulado "Tomorrow" (1.968) e com tendências do gênero psicodélico, outra vertente do progressivo que era muito forte nos finais dos nos 60 tendo o "Pink Floyd" como um exemplo. Sensível e criativo Howe traria um tanto mais de "vida" ao terceiro álbum do Yes, "The Yes álbum" que passa a aumentar o volume de vendas de discos para o grupo.Este é o primeiro trabalho ao vivo do Yes numa época em que a banda se demonstrava muito frutífera e esforçadíssima em quesito de criatividade nas composições. Aqui neste período, o Yes já tinha definido sua sonoridade relacionada evidentemente com o rock progressivo e a banda ainda não atingia os 5 anos de carreira já que as faixas deste álbum foram todas tocadas no ano de 1.972 (pelo que se sabe foi gravado mais precisamente no Rainbow Theatre em Londres) de turnês feitas afora e "Yessongs" propriamente dito só foi lançado ao público e crítica em maio de 1.973.

Estava então uma oportunidade para ser feito um trabalho ao vivo que resultou em "Yessongs" com Jon Anderson nos vocais principais, percussão; Chris Squire no baixo e vocal de apoio; Steve Howe nas guitarras elétricas, violões acústicos, vocais de apoio; Bill Bruford nas baterias, percussão, vocais de apoio e finalmente Rick Wakeman nos teclados. Mas em "Yessongs" existiu um porém; e que porém: outra substituição, e desta vez quem sai é Bruford de uma forma muito inesperada para se associar no álbum "Larks tongues in aspic" (1.973) do "King Crimson", outra banda de grosso calibre no mundo do rock progressivo e curiosamente teve a participação de Jon Anderson nos vocais em "Lizard" (1.971) e por outro lado, Robert Fripp, o fundador e na ocasião, um mentor e líder do grupo também havia sido convidado para se tornar o guitarrista do Yes para uma suposta substituição de Banks na época quando saia na banda. Bruford alegava que o Yes tinha um sério problema de se discutir como tocava ali e cá e chegando a um ponto em "Close..." a dar um basta nesta situação após o lançamento deste álbum e algumas apresentações, pois o propósito de Bruford na banda era apenas para sentar nas baterias e tocar ao invés de discutir e perder tempo; a solução foi colocar Alan White para resolver a situação do Yes.
Portanto das 13 faixas de "Yessongs", 2 tem a formação do Yes com Bruford e as outras restantes com White, ou seja, aproximadamente 80% tem a presença do novo integrante, mas o músico estará a partir do próximo álbum "Tales from topographic oceans" (1.974) na total disponibilidade já em estúdio. "Yessongs" mesmo com a mudança interna de integrante foi muito saudado consideravelmente pelo público e crítica, mesmo como um álbum triplo (claro que muitos se enfezaram pelo tipo de edição que foi feita) chegou a ter uma vendagem expressiva nas vendas e chegando ao posto dos 10 primeiros tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos e ainda com a ousadia de fazer um álbum triplo em vinil como estes na época em que num ano de 1.973 a situação mundial vivia uma crise petrolífera muito caótica. Vale também ressaltar que "Yessongs" foi lançado porque a banda no início de 1.973 estava começando a iniciar os primeiros passos da elaboração de "Tales...", dando que claro uma vantagem ao Yes de poder deixar o público um tanto entretido naquele ano enquanto não vinha algo novo, mas para delírio dos fãs o resultado de "Yessongs" resultou em 1.975 num filme com o mesmo nome é até hoje é um dos mais consultados e vistos pelo público sendo uma forte referência para quem tem interesse de vê-los performizando na época numa tela de vídeo. Na integra a formação é a de Anderson/Howe/Squire/Wakeman/White, o que significa que Bruford não está presente e muito menos as duas faixas que toca no caso do álbum em formato áudio.

Uma observação a respeito daqueles ouvintes que querem conhecer inicialmente o Yes: uma parte dos ouvintes que aconselham o trabalho certas vezes chega ao extremo de desconsiderar ter os 3 álbuns anteriores de "Yessongs" visto o material já dito anteriormente como está presente, mas por outro lado fica a dúvida; vale deixar de ter estes trabalhos de estúdio ? O baterista Alan White não está presente nos mesmos e sim Bill Bruford. Os fãs do Yes também poderão observar que ao longo do tempo após "Yessongs" que o repertório de maneira geral sempre procurou estar voltado a músicas destes 3 álbuns anteriores a este álbum ao vivo. Só para se ter uma idéia de como para alguns fãs da banda se cativaram pelo álbum, surgiu no Brasil uma banda "cover" do Yes também chamada "Yessongs" no início dos anos 90 (e que também teve suas variadas formações com o tempo ).
O trabalho teve a produção de Eddie Offord que já tinha estado junto com a banda desde "Time...", além do auxílio de Mike Dunn e Geoff Haslam que já havia trabalhado junto com "The Velvet Underground", "Cactus", "J. Geils Band", "Badger", Jan Akkerman (guitarrista do "Focus"), além de nomes conhecidos do jazz como Ornette Coleman, Gato Barbieri, Herbie Mann e entre outros.
A arte gráfica ficou por conta do imaginário Roger Dean que já vinha estado com o grupo desde "Fragile", além de melhorar o aspecto do nome do logotipo da banda que era paupérrimo com o nome "Yes" dentro de um balão gigante e permanecendo assim com a mudança por um longo tempo; vale ressaltar que a capa como se sabe para o gênero do rock progressivo tornou-se muito importante à medida que cada álbum de determinada banda ia sendo lançado.
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Enfim apesar de aqui pegarmos diferentes formações da banda , é claro desde seu início de que o Yes teve a pretensão de nos deixar mais um disco obrigatório em nossas coleções.