segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Rock Raro - Atomic Rooster - In Hearing Of - 1971


Formado em 1969 pelo tecladista Vincent Crane e pelo baterista Carl Palmer, o Atomic Rooster foi um dos grupos pioneiros no que ficou conhecido como Progressive  Rock. Companheiros no Crazy World Of Arthur Brown, Crane e Palmer moldaram uma sonoridade que unia a técnica privilegiada de ambos a uma dose generosa de peso, que resultou em uma das bandas mais originais do início dos anos 1970. Neste  seu 3º álbum podemos ouvir e conferir todo este caldeirão de influências , já que este disco é bem mais eclético e menos sombrio que seu anterior " Death Walks Behind You". Tendo  também o line up da banda para a gravação deste disco que foi Vincent Crane ( Hammond, Teclados e Vocais) líder e principal compositor, Peter French (vocal), Paul Hammond (bateria) e John Du Cann( vocais e guitarras)mas após as gravações, esses 3 últimos membros sairam da banda .












O disco abre com "Breakthrough com os teclados de Crane comandando a música num ritmo frenético,juntamente com baixo e bateria. Segue outro rockão com "Break the Ice". A veia progressia aparece em "Decision/ Indecision", 'A Spoonful of Bromide Helps The Pulse Rate Go Down" e "Black Snake" , que é a mais fraca do álbum.


E depois ouvimos um desfile de ótimas canções que mostram o casamento do rock , com pop e progressivo sem firulas ou palhaçadas inúteis. Os timbres dão um colorido a mais , dando mais charme para a bolacha. Os músicos impecáveis em suas interpretações vocais e instrumentais como em : "Head In The Sky", "The Price" e a faixa bônus , fazem deste disco pouco conhecido do grande público , uma pérola perdida do rock. Compre e ouça com atenção.




domingo, 15 de janeiro de 2012

Elis Regina - Montreux Jazz Festival - 1979





Em 1979 a estrela da noite brasileira no festival de Montreux era Elis Regina. E um disco ao vivo gravado no festival seria um impulso e tanto na carreira da cantora , que havia mudado de gravadora na época. Tendo uma das melhores bandas na época, contando com : Cesar Camargo Mariano ( teclados), Hélio Delmiro(guitarra),Luizão Maia(baixo), Paulinho Braga(bateria) e Chico Batera(percussão). Com os arranjos simples porém eficientes, sem maiores surpresas para brasileiros , mas um grande show para a platéia do festival que exigiu e teve uma matinê extra com show da cantora.
 

A lotação do cassino de Montreux estava esgotada há dias , pois o bruxo dos sons Hermeto Pachoal vindo de gravações com Miles Davis,  era idilotrado por toda a platéia do festival e faria a 1ª noite brasileira. Com o show da matinê Elis arrasou, cantou com muita segurança, técnica sendo discreta e botando toda a sua  emoção,  num repertório de alto nível e assim arrematou toda a platéia.



Mas com o show da noite que ficou com a abertura de Hermeto e sua banda , que literalmente quebraram tudo e foram aplaudidos de pé por 15 minutos. E depois do intervalo do 1º show , eis que surge Elis para fechar a noite brasileira em Montreux, com uma orquídea azul nos cabelos, como Billie Holiday e trajando um vestido que a deixava com a aparência de mais velha , Elis com 10 minutos de show transpirava , estava tensa e nervosa , tal estado fez com que seu amigo e produtor André Midani, adentra se o palco com um copo d'água , que a cantora prontamente bebeu. Continuando o show Elis não cantava mal, mas com precisão e técnica sem tentar qualquer efeito, as vezes parecendo fazer grande esforço para cantar. Uma apresntação com pouca emoção e quase burocrática, mas os estrangeiros boquiabertos com sua afinação e timbre, e suas técnicas impecáveis e com certa tensão criativa.


Sendo assim quando o show terminou , Elis foi muito aplaudida mas nada comparado com o que Hermeto recebeu no show anterior, e estando exausta a cantora que saiu rapidamente do palco, mais eis que no meio daquela gritaria o diretor do festival Claude Nobs, chamou Hermeto de volta a cena que foi devidamente ovacionado,  e havia assistido a  todo o show de Elis na coxia. Sabendo que havia perdido a noite para o bruxo , Elis voltou ao palco frustrada e furiosa , pisando duro e sorindo tensa para a platéia.


Silêncio total , piano e voz . Hermeto começa a tocar "Corcovado" e Elis canta, transformando suas harmonias em dissonâncias surpreendentes , e assim cada vez mais vai ficando difícil tanto para Elis como que para qualquer outro cantor(a), seguir acompanhando o mago dentro do mar de tonalidades tão sofisticadas e dissonantes que transbordam de Hermeto e todo e qualquer instrumento que esteje tocando. Assim a dupla deixa este velho sucesso nacional , completamente e genialmente IRRECONHECÍVEL.
E Elis segue respondendo a qualquer saque do bruxo com uma precisão que o espantava e o fazia mudar ainda mais. Depois vem "Garota de Ipanema", ( Elis odiava e dizia que nunca a cantaria), ela baqueou no início mas logo se recuperou, e cantou com todo vigor que virou a canção pelo avesso, cantou uma parte em inglês com sotaque perfeito, imitando uma menina dengosa, rindo, debochando e provocando Hermeto, voaram juntos para uma platéia eletrizada. Daí com o público de pé, veio  "Asa Branca", como  round final entre Elis e Hermeto, e o baião de Luiz Gonzaga se transformou em ambiente free jazz e atonal, harmonias jamais sonhadas se cruzavam com fraseados audaciosos de Elis, trocas bruscas de ritmo e andamento, propostas e respostas, tiros cruzados e acima de tudo e todos arte musical de altíssimo nível sendo protagonizada por 2 dos melhores e maiores virtuosos musicais brasileiros. O show foi tão bom que precisou de uma festa , pois o presidente da gravadora estava pasmo com o que havia ouvido e assistido e tinha certeza que sairia um disco, mas Elis ameaçadora  como sempre chamou seu amigo André Midani e mandou o recado : Este disco não vai sair , não é ? Difícil não, pois aqui ouvimos arranjos e performances mais que perfeitos dos músicos e César Mariano também , que casaram magistralmente com a voz e interpretação de Elis. Em 2001 numa garimpada de arquivos da gravadora , acharam todo o show gravado, e numa edição em cd,  com músicas que não entraram no LP, lançou se um item que nos acompanhará por toda a vida.









Músicas :
1- Cobra Criada
2 - Cai Dentro
3 - Madalena
4 - Ponta de Areia - Fé Cega Faca Amolada - Maria Maria
5 - Na Baixa do Sapateiro
6 - Upa Neguinho
7- Corcovado
8 - Garota de Ipanema
9 - Asa Branca
10 - Amor até o Fim
11- Mancada
12 - Samba Dobrado
13- Rebento
14 - Águas de Março
15 - Onze Fitas
16 - Agora Tá

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

The Black Crowes - Shake Your Money Maker- 1990



Com integrantes não muito mais velhos que suas próprias tendências, a banda tem a aparência tipicamente roqueira: cabelos longos, roupas aveludadas, coletes e físicos impossivelmente fracos. Além disso, aquele tradicional som "blueseiro" e alcoólatra.
O vocalista Chris Robinson é um dos mais intrigantes showmen do rock atual. Com voz de Rod Stewart, trejeitos de Mick Jagger e visual glam inspirado em David Bowie, ele faz a linha de frente do Black Crowes com seu irmão Rich Robinson, que fundiu em sua guitarra a magreza de Keith Richards e a sensação rítmica suja de Ron Wood.
Stan, o pai dos irmãos Robinson, foi cantor e teve até uma música pop famosa chamada "Boom-a-Dip-Dip". Ele sempre desencorajou os filhos a se tornarem músicos profissionais, mas por volta de 1984 eles já estavam formando a banda Mr. Crowe’s Garden (nome do conto de fadas preferido dos Robinson), que logo passou a se chamar simplesmente Black Crowes e culminou com Chris abandonando a faculdade.
Black Crowes pode ser definido como a fusão de Rolling Stones com Lynryd Skynyrd, misturando um blues pesado com rock básico.


E quando a banda se tornou um quinteto em 1990, em Atlanta, o rock americano passava por um momento de mudanças. O heavy metal vinha declinando e o grunge surgia para tomar as paradas. Com este panorama nada favorável,para  uma banda que lançasse um disco que viesse a revigorar o rock antigo, baseado em blues e R&B dos anos 60, colocando a banda num patamar de Allman Brothers e Lynyrd Skynyrd, poderia ser um grande risco a se correr. Com essa mescla convocaram o baixista Johnny Colt, o guitarrista Jeff Cease e o baterista Steve Gorman para gravarem o primeiro disco. Lançado em 1990, Shake Your Money Maker é uma forte investida na mistura rock/blues e a estréia é surpreendente.



O disco vendeu mais de 7 milhões de cópias e com ele a banda foi eleita revelação do ano pelos críticos americanos. Com sua versão turbinada e não menos chocante do que a original de  "Hard to Handle" do grande Otis Redding e todas as outras composições do disco exalando o clima, swing e estilo de " Exile On Main Street" dos Rolling Stones . Ouça a interpretação de uma maturidade impressionante , para a época,  do vocalista e compositor  Chris Robinson para a balada " She Talk to Angels", acerca de um viciado em drogas e não se emocione. Difícil.


O disco permaneceu 18 meses nas paradas americanas, e apesar de não ser uma obra revolucionária, mas tendo a musicalidade funky e a garra que este álbum possui, garantiu a reputação da banda para todas as nossas vidas. Compre. 

Músicas :
1- Twice As Hard
2- Jealous Again
3 - Sister Luck
4 - Could I've Been So Blind
5 - Seeing Things
6 - Hard to Handle
7- Thick'n' Thin
8- She Talk to Angels
9- Struttin'Blues
10 - Stare It Cold





domingo, 8 de janeiro de 2012

Discografia Básica do Rock - Cream - Disraeli Gears - 1967


Cream foi um dos primeiros  power trio do rock, a banda foi  fundada por Eric Clapton ( vocais,guitarra), Ginger Baker(bateria) e Jack Bruce( vocais, gaita e baixo) em 1966, o som deles era caracterizado de um híbrido de blues, pop e rock psicadélico , com longas improvisações . O Cream representava o som energético com alto volume, combinando a voz suave de Jack  o poder de Clapton e o ritmo maníaco de Baker. Eric Clapton é considerados dos melhores guitarras de sempre mas aqui ele escreve a sua cartilha da guitarra elétrica , tendo além dos elementos citados acima timbres que colorem todo este disco, como Jack Bruce é considerado um dos melhores baixistas e sendo o Ginger um ótimo baterista .  Então em 1966 estreiam com o álbum Fresh Cream, que chegou a 6# no UK e a 39# nos US, este álbum consistia mais em covers de clássicos dos Blues, como  Spoonfull (Willy Dixon) entre outras, o resto do álbum eram musicas escritas por Bruce como I Feel Free (foi um hit no UK mas não saiu na versão norte-americana).




Acrescentando os efeitos psicodélicos existentes nos estúdios em 1967, Clapton e seus novos refinamentos com o pedal wah wah, encharcado com distorções para guitarra , o Cream atingiu seu auge artístico em Disraeli Gears. Disraeli Gears é um dos discos mais marcantes de toda a história do rock, porque foi o que faltava para que até os mais céticos se rendessem ao som desse trio. O Cream inspirou não só os trios que viriam a ser formados nas décadas seguintes, mas bandas com muito mais integrantes assumem influência do trio inglês. E não só influênciou como ensinou um modo de integrar o blues ao rock e não a se acostumar com a concepção de que o rock é um blues acelerado. 


A capa com uma colagem fluorescente, era o acompanhamento perfeito para a enxurrada de música de vanguarda contida nos sulcos desta obra prima. Strange Brew dispersa e memorável , com os gemidos fantasmagóricos de Jack Bruce que se sobrepõem ao estilo convulsivo e único, quase funk de Clapton na sua Gibson SG. E a coisa toda vai ficando melhor com Sunshine of your Love e White Room , que são as músicas mais conhecidas do trio, a 1ª serviu de inspiração para uma torrente de guitarra ao vivo despejada pelo único sério rival contemporâneo de Clapton, o mago da Fender Hendrix. "Tales of Brave Ulysses", é um poema feroz embebido na guitarra e timbre lacerante e blueseiro de Clapton. Em "Mothers Lament" o trio faz uma referência para suas influências.


Com a reputação que ganharam com suas apresentações ao vivo, pareciam que eram possuídos por Robert Johnson e Charlie Parker , e com o nascimento deste disco , que se tornou referência musical até os dias atuais , o power trio do slow hand , nos deixa incentivos musicais  para severos estudos , e  lições musicais para toda a vida.

Músicas :
1- Strange Brew
2- Sunshine of Your Love
3- World of Pain
4- Dance the Night Away
5- Blue Condition
6- Tales of Brave Ulysses
7- Swlabr
8- We're Going Wrong
9- Outside Woman Blues
10- Take It Back
11- Mother's Lament






sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

The Rolling Stones - Love You Live - 1977



Um disco ao vivo geralmente é uma das melhores formas de conhecermos uma banda, afinal, é no palco que comprovamos se tudo o que aparece no álbum de estúdio é real ou não. Mas na maioria dos casos os álbuns ao vivo são realmente ao vivo e não falcatruas cheias de overdubs espalhados  por todos os lados.
Uma das grandes bandas ao vivo sempre foi o Rolling Stones. Seus shows são um espetáculo à parte dentro do mundo da música, principalmente pela performance teatral de Mick Jagger,e da execução de clássicos do porte de "(I Can't Get No) Satisfaction", "Start Me Up" e "Brown Sugar", para citar apenas alguns. O primeiro disco do grupo que eu tive o prazer de ouvir foi exatamente um ao vivo, o extremamente criticado Love You Live.
Lançado em 23 de setembro de 1977, esse vinil duplo concentra-se principalmente em uma apresentação do grupo em Paris, durante a turnê de divulgação do LP Black and Blue (1976). Essa turnê marcou a estreia do guitarrista Ron Wood nos palcos stonianos, e foi criticada principalmente por não ter conseguido superar em termos de produção, a turnê do álbum It's Only Rock'n'Roll, onde o palco para Mick Jagger e cia. era uma flor de lótus móvel.
Quando de seu lançamento, Love You Live foi bem recebido, chegando na terceira posição nas paradas britânicas; mas com o passar dos anos, a imprensa e os fãs começaram a torcer o nariz para o vinil, alegando que o álbum não registra toda a potência sonora que eram os Stones em cima de um palco, que Keith Richards (guitarra, vocais) estava no auge do uso de heroína, não tocando nada, e que o resto do grupo - a saber, Charlie Watts (bateria), Bill Wyman (baixo), Billy Preston (teclados), Ian Stewart (teclados) e Ollie Brown (percussão), além do já citado Wood - eram coadjuvantes de um cenário decadente e sem sal.Mas eis que dentro de Love You Live, o lado C continha canções de uma apresentação na boate El Mocambo, na cidade de Toronto, Canadá, onde o grupo se apresentou para uma seleta plateia de 300 pessoas, dentre as quais a primeira dama do país, que na mesma noite foi flagrada apenas de roupão pelos corredores onde o senhor Lábios de Borracha dormia. Anos depois, seria revelado no livro Memórias de um Rolling Stone que ela havia "jogado cartas" com Wood. 
Este é um discaço, talvez o melhor ao vivo da carreira dos Stones, sem a histeria de Got Live If You Want It! (1966), o gigantismo de Get-Yer-Ya-Ya's Out! (1970) ou a prepotência de Still Life (1981). O lado A é uma prova definitiva disso. Desde o samba introdutório que leva ao tema de "Fanfare for the Common Man", até o encerramento com "Star Star", os Stones derramam suor e feeling em interpretações grudentas, sujas e puramente rock'n'roll para canções não tão clássicas do grupo.
Tirando o início arrastado, que curiosamente é com a clássica "Honky Tonk Women", à medida que o show avança parece que os músicos vão se motivando; então temos Richards soltando os dedos em "If You Can't Rock Me", com destaque para o trabalho percussivo de Ollie e para as investidas rasgadas de Richards; Stewart comandando o ritmo da paulada "Get Off of My Cloud", com uma belíssima sessão de duelo vocal entre Preston e Jagger, ambos entoando o nome da canção, e que assim como "If You Can't Rock Me", foi registrada no Earls Court, em Londres; a maravilhosa "Happy", com show de slide de Wood, além de Richards nos vocais e na guitarra; a sensacional e perfeita "Hot Stuff", com seu ritmo "embalos de sábado à noite" que coloca todos para dançar. O encerramento com "Star Star" é puro e simples rock 'n' roll, e não adianta, até o mais leigo no assunto sabe que o que o Stones faz de melhor é simplesmente tocar rock 'n' roll.
O lado B é bem mais leve,  começando pela balada "Tumbling Dice", e voltando aos embalos disco/funk, com uma arrepiante "Fingerprint File", registrada no Maple Leafs de Toronto,  onde Jagger abusa de efeitos nos vocais. Efeitos também estão presentes nas guitarras de Richards e Wood.
"You Gotta Move" leva o grupo de volta ao blues, com as vocalizações cantando a canção como se fossem homens negros nos campos de algodão, acompanhados apenas pelas estridentes notas de Richards e Wood, além da marcação de Watts, transformando-se em um safado blues branco durante o solo de guitarra, em um andamento sensual com mais um dueto vocal de Jagger e Preston. O lado B encerra-se com a emocionante "You Can't Always Get What You Want", onde quem acha que Richards não está tocando nada deve ouvir o solo que ele faz nessa canção. Destaque também para Jagger comandando a plateia que está nas mãos do vocalista como sempre.

O lado C, como citado, é dedicado à apresentação no El Mocambo, nos mostrando quatro grandes covers, começando com "Mannish Boy", onde o início já nos mostra a intenção do grupo, com Jagger soltando os vocais à la Muddy Waters nesse blues sensacional, com direito a harmônica, riffs sujos das guitarras de Richards e Wood, gritos de Preston ao fundo e, principalmente, com Jagger cantando muito, transpirando blues em cada palavra.
"Crackin' Up", a faixa seguinte, já possui uma levada mais reggae, onde o destaque vai para o baixo de Wyman e para as vocalizações que acompanham Jagger, além da apresentação de cada membro do grupo, enquanto "Little Red Rooster" retorna aos old blues com mais um show de Jagger. "Around and Around", de Chuck Berry, encerra esta parte do LP com um rock dançante e com um ótimo solo de piano de Stewart.
 lado D volta para a turnê de Black and Blue, onde estão os grandes clássicos: "It's Only Rock 'n' Roll (But I Like It)", gravada no Maple Leaf Gardens, seguida por "Brown Sugar", além de "Jumpin' Jack Flash" e "Sympathy for the Devil", essa última registrada no Inglewood Forum, em Los Angeles. As quatro são interpretações fiéis ao que os fãs do grupo esperam, com garra, pique e as levadas de Watts para Richards e Wood brincarem com a guitarra enquanto Jagger solta sua voz entoando letras que os fãs conhecem do início ao fim.
Apesar de existirem overdubs nas guitarras e no baixo, a maior parte do que está nos sulcos de Love You Live reflete o que aconteceu nos palcos, ou seja, os Stones tocando aquilo que mais gostam. Se não é o melhor disco ao vivo da história, se não traz uma maravilha de mixagem, se não tem "Satisfaction", não importa, é um ótimo disco e está na lista dos que mais ouvi , e que entre todos as pessoas que  gostam dos Stones, deveriam ter em suas coleções.

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Discos que Marcaram a Minha Vida - Tracy Chapman - Tracy Chapman - 1988



Sabe aqueles almoços em família, rolam aquela reunião e falação incansáveis, e tem uma hora em que você  procura algo mais interessante pra fazer. Uma tia minha teve um namorado que gostava de música e compartilhava seu gostos e discos comigo, um deles foi o desta maravilhosa cantora pop americana de voz única e honestidade cortante , foi algumas vezes a trilha sonora de alguns daqueles almoços em família , e hoje em dia toca por várias vezes no meu cd player.
Tracy Chapman (Cleveland, Ohio, 30 de março de 1964) é uma cantora de música pop, R&B jazz e soul, vencedora por diversas vezes do Grammy, tornada mundialmente famosa por suas canções "Baby Can I Hold You", "Fast car" e "Bang bang bang".Ainda durante a faculdade, Chapman começou a apresentar-se nas ruas, tocando seu violão em cafés de Cambridge, Massachussets. Enquanto esperava sua graduação acadêmica, assinou contrato com a SBK Records, em 1988, lançando seu primeiro álbum, intitulado "Tracy Chapman" - que foi logo aclamado pela crítica, e ela passou a realizar tournês e conquistar o público.


Juntando sua honestidade e a pura alma das suas músicas , guitarra e voz sem amplificadores , casaram como nunca, e é um charme a mais para o disco.Pois para esta estreante desconhecida, convites como tocar no 70º aniversário de Nelson Mandela, no estádio de Wembley, era um sonho concretizado. Pois a artista conquistou uma audiência global televisiva  do dia para a noite, suas baladas blues - folk e suas declarações comoventes as vezes ingenuinamente irritante.

 Os músicos que acompanham a cantora dão um toque a mais e nota se um certo entrosamento entre ambos, o que faz com que as músicas ganhem um charme a mais. Aqui não temos notas tocadas a velocidade da luz , nem artistas que são mais bizarros do que seu ego inflado , não temos uma artista montada nos escritórios de uma gravadora qualquer , em algum lugar do mundo. Temos aqui uma coleção de canções , que acho desde os anos 60 não se via algo parecido na indústria fonográfica mundial. O disco vendeu bem, alcançando vários certificados de vendagem da RIAA (discos de platina), e fazendo-a vencer no ano seguinte (1989) quatro Grammy Awards, inclusive a de melhor artista revelação. As canções são tão ricas em simplicidade emotiva e baladas tão dolorosamente ternas que não foi surpresa que milhões tenham se rendido a música de Chapman. E você já se rendeu , e comprou ?

      Músicas :
  1. "Talkin' Bout a Revolution" – 2:39
  2. "Fast Car" – 4:56
  3. "Across the Lines" – 3:24
  4. "Behind the Wall" – 1:49
  5. "Baby Can I Hold You" – 3:14
  6. "Mountains o' Things" – 4:39
  7. "She's Got Her Ticket" – 3:56
  8. "Why?" – 2:06
  9. "For My Lover" – 3:12
  10. "If Not Now..." – 3:01
  11. "For You" – 3:09

 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

DVD - Allan Holdsworth and Alan Pasqua - Featuring - Chad Wackerman and Jimmy Haslip - 2007



Nota : 10

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, pouco conhecido fora dos circuitos do jazz rock e do fusion. Allan Holdsworth não está nas paradas de sucesso. No entanto, desconhecer o seu trabalho é uma espécie de crime para os apreciadores de música.Este pacato inglês de Bradford recebeu suas primeiras aulas do pai, que era um músico amador. Depois, já um virtuose em seu instrumento, ele foi convidado por um dos maiores saxofonistas ingleses, Ray Warleigh, para tocar em Londres.
Nos anos 1970, ele deu início à sua frutífera carreira solo. Nos anos 1980, ele foi um dos primeiros músicos a utilizar um SynthAxe, instrumento que era uma mistura de guitarra e sintetizador. Nos anos 1990, ele já era uma das figuras mais importantes da história do jazz rock e do fusion.suas músicas são marcadas por complexas e, muita vez, impossíveis progressões e improvisações. O som limpo produzido por sua técnica de legato é inconfundível.
Além de sua inegável qualidade musical, Holdsworth também é responsável por várias inovações tecnológicas da guitarra. Suas experimentações não se limitam apenas ao campo musical, ele sempre está buscando novas possibilidades técnicas no instrumento.
Por esses e outros motivos, sua obra levou a capacidade desse instrumento para locais jamais imaginados. Alguns dos acordes que ele executa só podem ser ouvidos em suas músicas simplesmente porque outros músicos não são capazes de fazê-los. A obra de Holdsworth ampliou muito as possibilidades de improvisação da guitarra e levou o jazz rock e o fusion para campos harmônicos nunca dantes navegados.


Foi em 2007  que o guitarrista Allan Holdsworth faz um retorno aos olhos do público. Como planejado,reedições de sua discografia, há muito tempo fora de catálogo e mais uma  extensa turnê  em anos, este guitarrista inovador —pode ser finalmente pronta para o maior reconhecimento que ele sempre é merecido.


No Outono de 2006, Holdsworth reuniu-se com o tecladista Alan Pasqua, com quem ele trabalhou pela primeira vez no lendário grupo do baterista Tony Williams  dos anos 70. Enquanto esse grupo lançou apenas dois registros, o primeiro —Believe It (Sony, 1975) — é considerado um clássico de fusão e apresenta dois especialmente duradouras faixas, Holdsworth "Fred e"Protocosmos do Pasqua. Ambos estão incluídos em Allan Holdsworth e Alan Pasqua com Chad Wackerman e Jimmy Haslip, filmado no clube de Oakland Yoshi no final de setembro de 2006. Dado o longo relacionamento da Holdsworth com Wackerman (baterista), o baixista Haslip é a cara  nova aqui, embora como co-fundador do grupo popular de jazz contemporâneo Yellowjackets, ele não é uma entidade desconhecida.
O DVD captura 85 minutos de material antigo e novo das carreiras do guitarrista e tecladista e foi todo filmado em alta definição.
 Seu notável estilo legato, praticamente eliminando o ataque de sua guitarra, está em pleno vigor, mas com seu vibrato de assinatura e bom gosto, no uso da alavanca. Os arranjos das músicas são uma aula pela sofisticação, timbres que colorem a todo momento, e uma bateria pra lá de extraordinária são o conjunto essencial que faz este dvd ser um ótimo documento da música. Aqui, com um grupo que em alguns aspectos, pagando tributo para o novo ciclo de vida da música, o baterista  Wackerman, demonstra que a  combinação paradoxal de poder e finesse que fez Tony Williams uma força musical tão potente e diversificada, o mesmo mostra nos  assim  no decorrer do show. Ele toca a  intro de tambor de Williams para "Fred, mas depois de mais  uma referência,  ele está jogando em seu próprio jogo. Capaz de sulcos fortes, propulsão, ao responder a tudo acontecendo ao seu redor, ele é ocupado por vezes mas nunca supérfluo ou excessivo. é uma característica que define todo o show. Há uma abundância de alta velocidade jogando acontecendo, mas é tudo significativo e proposital, nunca o tipo de tocar sem rumo que muitas vezes dá a fusão uma má fama.
Haslip, como Wackerman, parecem saber apenas como equilíbrio energético jogando com o groove sustentado. Antes de Haslip tornou-se uma entidade conhecida ele era um rock progressivo e fã de fusion, para que jogar com Holdsworth pode muito bem ser algo de um sonho tornado realidade. Mas neste momento em sua carreira ele é absolutamente um igual. Seus solos tem um "q"  de Stanley Clarke . Como é para toda a gente no palco, a música é a coisa, e enquanto Holdsworth tem trabalhado principalmente com Jimmy Johnson ao longo dos anos, é uma inegável química com Haslip aqui que merece mais exploração.
Pasqua, nos últimos anos, trabalhou em um espaço mais acústico. Ele é um membro do trio do baterista Peter Erskine e lançou o seu próprio disco  em 2005.  Enquanto a maioria das vezes ele é ouvido usando um tom de órgão Hammond ou Fender Rhodes com o som de piano elétrico, ele manda em algumas músicas, distorções graves  incluindo timbres funky.
Na  Intro do Holdsworth para "Pud Wud é atmosférico, demonstrando mais uma vez suas voicings exclusivas e um lirismo único.  "San Michele apresenta um belo piano intro de Pasqua que conduz a um pedaço de grupo arpeggio-driven que é uma reminiscência de início Mahavishnu Orchestra mas, com linhas legato do Holdsworth,  que imprimem sua identidade a esta versão. Enfim , sua coleção e você vão se orgulhar de ter este item com vocês , para toda a vida.  

Músicas:
1- The Fifth
2-Looking Glass
3 - Fred
4 - It Must Be Jazz
5 - Blues For Tony
6 - San Michele
7 - Pud Wud
8 - Protocosmos
9 - Red Alert