domingo, 16 de outubro de 2011

Blackfoot - Strykes - 1979 - O Rock de Índio


Durante o início dos anos 70, praticamente em todo o mundo brotavam grupos de rock adaptados a tocar pesado, com muita distorção e também alguma técnica. Esses grupos foram classificados como hard rock.
A maior particularidade do Blackfoot é o fato de ser composto por alguns índios, tanto que o nome do conjunto vem de uma tribo Sioux daqueles lados, e que mesmo assim faziam um rock ´n´ roll pesadão muito bacana.
A formação neste álbum é: Rick Medlocke nas vozes e guitarras, Charlie Hargrett na guitarra principal, Greg T. Walker no contrabaixo e Jackson Spires na bateria. STRYKES é o terceiro trabalho do Blackfoot, tendo sido lançado em 1979 pela ATCO Records, dois anos após serem demitidos de sua antiga gravadora por não terem alcançado grandes vendagens com o trabalho anterior, o que quase resultou no fim do conjunto.


STRYKES se tornou o maior clássico do grupo, sendo que todo o álbum todo é excelente, apresentando solos cheios de feeling, belos trabalhos nos coros; resumindo: um disco bem uniforme, descontraído e com uma energia muito boa. Aquela velha mistura de rock’n roll com um pouco de country, peso nas cordas e refrões pegajosos.
Os destaques do disco vão para músicas como “Road Fever”, que abre o álbum com Medlocke mandando muito bem nas vozes, grandes intervenções com os solos de Hargrett por toda música e a banda toda detonando nos refrões. “I got a Line on You” tem o suingue mais roll de todo o álbum e na minha opnião a melhor faixa da bolacha. “Left Turn on a Red Light”, com nuances de rock sulistas, “Wishing Well” (cover de Free), com seu contagiante trabalho de vozes e guitarras muito bem colocadas não deixando a desejar a versão original. “Train, Train” (coverizada pelo Warrant no álbum Cherry Pie), com bases bem cadenciadas e nervosas. Outro destaque é a semi-balada setentista “Highway Song” com o mais belo e longo solo do disco, que fecha a música e o disco de maneira magistral.

Nos anos seguintes Blackfoot lançou mais alguns bons álbuns e conseguiu se manter tocando pela Europa e América do Norte, mas chega nos meados dos anos 80 e vêm as pressões de empresários para adotarem um visual mais glam, o preconceito com os índios da banda e a mudança musical com a entrada do tecladista Ken Hensley...culminando com o fim desta boa banda.

Rick Medlock lançou ainda alguns álbuns sob o nome “Rick Medlocke & Blackfoot” e atualmente é guitarrista do Lynyrd Skynyrd, banda em que já participara bem no comecinho dos anos 70.
Aos que apreciam rock´n´roll em geral trata se de um disco essencial em qualquer coleção.


Músicas :
01. Road Fever
02. I Got a Line on You
03. Left Turn on a Red Light
04. Pay my Dues
05. Baby Blue
06. Wishing Well
07. Run and Hide
08. Train, Train
09. Highway Song


Discos que Marcaram a Minha Vida - Blood Sugar Sex Magic - Red Hot Chili Peppers - 1991



O ano de 1991 não começava muito bem para o Red Hot Chili Peppers, os membros remanescentes da formação original da banda, Anthony Kiedis e Michael Flea ainda sentiam muito a perda do companheiro da formação original da banda Hillel Slovak devido a uma overdose causada pelo excesso de drogas em junho de 1988. Em seu lugar no ano de 1989 haviam entrado John Frusciante para assumir as guitarras e Chad Smith para comandar a bateria.
Em 1991 a banda aspirava novos ares, por esta razão, deixa sua antiga gravadora EMI e assina contrato com a Warner Record. 

Neste álbum estão presentes todas as características que tornaram do Red Hot famosos a nível mundial: a energia primal do Punk Rock misturada com o Funk de James Brown e Sly & The Family Stone comandados pelo baixo swingado de Flea e pelo vocais cheios de groove de Anthony Kiedis, por sinal bastantes influenciados pelo balanço de Hendrix. Era uma mistura bem típica da banda que no álbum anterior Mother's Milk tinham aperfeiçoado e agora bastava terem um grande sucesso.


“Blood Sugar Sex Magik” é a obra definitiva da banda, referência quando o assunto é Nu Metal e Funk Metal. Depois desse disco o Red Hot Chili Peppers ainda lançaria os excelentes álbuns “One Hot Minute” em 1995 (com hits  “Aeroplane” “My Friends” e “Warped”) e “Californication” em 1999. 


O disco já começa pegando ouvinte de surpresa com “The Power Of Equality”, Kiedis começa uma contagem e quando este menos espera o que se ouve a sequência é um petardo com banda esbanjando energia em um rock visceral com uma levada swingada comandada pelo baixo de Flea e pela bateria de Chad Smith que criam uma batida estimulante para Frusciante detonar a guitarra em um riff magnífico e Kiedis demonstrar que é seguramente um dos grandes vocalistas na história do Rock.
Na sequência mantendo o pique da faixa anterior temos “If You Have To Ask”, uma das composições mais bem humoradas da banda, cujo destaque fica por conta da melodia dançante criada por bateria e baixo e para os vocais bem humorados no refrão da canção, além disso ao fim da canção Frusciante executa um de seus melhores solo de guitarra em sua carreira de membro do Red Hot.
Temos uma quebra de ritmo em “Breaking The Girl” que traz um clima bem Folk com destaque para a melodia criada pelo violão tocado por Frusciante acompanhado pela bateria de Chad Smith, além dos vocais mais lentos de Anthony Kiedis em relação às faixas anteriores.
Na próxima canção “Funky Monks” a banda volta com tudo em mais um rock com um visceral balanço do Funk. A parte instrumental ao final da canção é outro marco neste clássico eternizado pela banda.
Dando sequência nada mais nada menos que “Suck My Kiss”, um dos maiores clássicos da carreira do grupo, com os potentes vocais de Kieds esbanjando swing acompanhados de uma batida estimulante, mostrando mais uma vez a importância da cozinha Flea e Smith , o timbre da guitarra de Frusciante é algo tão perfeito, que ele próprio nunca mais iria conseguir noutra gravação.


“I Could Have Lied” começa como uma balada com clima bem Folk com um excelente trabalho vocal acompanhado apenas do violão e quase ao fim da canção a guitarra entra e esta adquire mais peso em um dos mais elaborados arranjos.
“Mellowship In B Major” traz a banda novamente mostrando muita energia, liderados pelo baixo cheio de groove de Flea, em outro rock com batida bem dançante.
“The Righteous & The Wicked” traz as mesmas qualidades da faixa anterior com Frusciante abusando da distorção na guitarra em certos momentos da canção.
“Give It Away” é sem dúvidas o maior clássico da banda e a canção que definitivamente marcaria a carreira da banda. Flea e Smith criam uma batida contagiante para que Frusciante execute um Riff de guitarra inesquecível e Kiedis cantar furiosamente, mostrando todo o seu alcance vocal carregado de swing , mas transbordando a energia e crueza do Punk , vale a lembrança que a música termina com o riff de "Sweet Leaf" do Black Sabbath .
A canção homônima que dá titulo ao álbum “Blood Sugar Sex Magik” é outro clássico absoluto do Red Hot Chili Peppers e traz um trabalho primoroso de Flea, porém o maior destaque é o vocal de Anthony Kiedis que nos versos da música canta com um tom extremamente grave conferindo a canção uma conotação meio sexual, a quebra de ritmo durante a música com a banda esbanjando energia nos instantes do refrão também é incrível.
Na sequência vem “Under The Bridge”, a balada que indelevelmente se tornaria uma das marcas registradas da banda e que traz a tona a mais bela composição do disco, narrando à estória do período em que Anthony Kiedis se envolveu com as drogas mais pesadas e teve de passar por um processo de recuperação. Atenção para os vocais no fim da canção, uma dos melhores harmonizações em todo o disco.


“Naked In The Rain” mostra a cozinha do Red Hot Chili Peppers dando um show à parte e mostrando que Flea e Chad Smith seguramente formam uma das parcerias mais bem sucedida parcerias na história do Rock & Roll, faixa bem agitada.
“Apache Rose Peacock” mantém as mesmas qualidades da faixa anterior, com uma forte batida Funk.
“The Greeting Song” é uma faixa bem alto astral com uma batida e vocais um pouco mais acelerados e que dá uma reduzida de ritmo nos instantes do refrão, grande música, mas não chega a se destacar no álbum.
A próxima canção “My Lovely Man” traz um excelente trabalho de Chad Smith na bateria, que é enfatizado pela melodia mais pobre da música, que ainda ter um incrível solo de guitarra quase na metade da canção.
“Sir Psycho Sexy” é outro clássico absoluto da banda, embora menos conhecido do público, trazendo uma batidão funk alucinante, com direito a mudanças de ritmo nota dez no meio da canção, um coro de vozes extremamente bem humorado no refrão e um excepcional trabalho de Frusciante na guitarra. Atente para a parte instrumental ao final da canção outro grande destaque.
Para finalizar uma faixa bem humorada “They're Red Hot” trata se de uma versão tresloucada, com Anthony Kiedis cantando em uma velocidade absurda, tornando incompressível o que está sendo dito na música. E assim termina um disco onde a percussão industrial se encontra com o flamenco , incorporava um ultrafunky que era novidade na época e assim estas 17 músicas se tornam incentivos para toda a vida.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Quando o Rock Atingiu Sua Precisão Máxima - Deep Purple - Machine Head



Numa fase que começou com ”Fireball“, brilhou com ”In Rock"  e seguramente, até ”Made In Japan“, o Deep Purple produziu uma série de álbuns que o tirou do semi-anonimato e o colocou no panteão do rock. A formação dessa era de ouro, que trazia alguns componentes originais, era composta pelo líder e fundador John Lord (teclados), Ian Paice (bateria), Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo) e o guitar hero Ritchie Blackmore. Este disco tem várias histórias famosas durante a sua concepção , uma delas é a que o estúdio onde a banda gravaria o disco , virou cinzas devido ao incêndio provocado no cassino , onde rolava um show de Frank Zappa e seus Mothers,por um indíduo que soltou um sinalizador dentro do cassino onde rolava o show. E Com isso, ao banda ficou sem pico para gravar e acabaram no Grand Hotel, que estava vazio devido à estação de inverno. A grande ironia: eles gravaram um dos melhores trabalhos de rock de todos os tempos em corredores de um hotel vazio e cheio de colchões espalhados e empilhados pelos corredores e quartos aonde a banda se juntou , recrutou o mago dos estúdios Martin Birtch e o grande hit do álbum conta a história de um maluco incendiário que pôs fogo no lugar onde eles iam gravar o álbum.

Machine Head foi gravado no estúdio móvel dos Rolling Stones, foi composto e gravado num período de apenas 15 dias (dezembro de 1971) em Montreux, Suíça.
O play começa arrasador, 220v mesmo: Highway Star, com um Blackmore muito inspirado e Lord dando show... a música é um fôlego só o que, na época, o Gillan tinha de sobra e na minha opnião a melhor música deles. Maybe I’m a Leo diminui o ritmo sem deixar a bola cair. Pictures of Home é uma das preferidas da banda e até hoje é tocada nos shows. A entrada alucinante de Paice dá uma amostra do que está para acontecer: Lord arrepiando e Glover (até ele, sempre comedido) tendo talvez seu melhor momento do trabalho. Na guitarra, Ritchie faz solos, que são aulas de como um guitarrista de rock toca. Never Before foi uma tentativa da banda de fazer a coisa mais comercial possível ,  Roger: “alguns dias após termos gravado a faixa, nós cantarolávamos a melodia da música em todo o lugar e então percebemos que ela estava em nossas cabeças”. 
 
 
Smoke on the Water e logo na introdução, Paice e Roger se juntam ao riff de Blackmore, que se tornaria o mais popular da história do rock. A música nem tem momentos de extremo virtuosismo, mas o feeling é único. Lazy, por exemplo, já é muito mais trabalhada e é um dos pontos fortes do álbum, a banda toda da uma aula de ser virtuoso sem ser chato e ainda falo sobre Ian Paice em particular, que é um músico maravilhoso e esquecido, e aqui faz uma vitrine de virtuosismo, e com a guitarra jazzy que flui do Blackmore e um help de  Lord  que como sempre faz uma introdução muito inspirada. Só no meio da música Gillan dá o ar de sua graça e mostra porque é uma das vozes mais inspiradas da música do século passado.
 O álbum fecha com Space Truckin’, uma pancada nos ouvidos feita única e exclusivamente para Glover e Gillan poderem mandar ver em toda a sua duração. Pois é, era pra ser gravado num estúdio , e gravou se num hotel vazio, que de alguma forma , durante o período de gravação acolheu uma banda de rock no seu ápice , que culminou no Made In Japan, e com seus integrantes chegando a precisão maior na execução de seus instrumentos assim como acontece com um cirurgião , recrtou se um dos maiores produtores da indústria da música que modelou e lançou o som pesado de várias bandas de rock pesado e aqui com sua destreza e conhecimento que fez de sua mesa de mixagem , microfones e outros apetrechos de gravação, conceberam uma aula eterna de rock pesado para toda a vida.




  

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quando Eu Ouvi o DIO Pela 1ª Vez e Pirei - Rainbow - Long Live Rock 'n' Roll


Depois de dois álbuns lançados e muito bem sucedidos, o homônimo álbum de estréia e o clássico  Rising de 1976. Chegava a hora de a banda deixar seu nome marcado definitivamente na história do rock pesado. Então em meados de 1978 é lançado o álbum Long Live Rock n’ Roll, que ajudaria a moldar o Heavy Metal como o conhecemos hoje, e na minha opnião trata - se do nascimento do que conhecemos como Heavy Metal Melódico. Da primeira formação do grupo, haviam sobrado apenas o vocalista e o guitarrista, e o ótimo Cozy Powell na bateria . Bob Daisley no baixo e Tony Carey nos teclados, aparecem como músicos contratados.


Falando do álbum propriamente dito, a abertura fica por conta da empolgante faixa-titulo, um verdadeiro hino do hard rock/metal, que ainda hoje, quase 30 anos após ser gravada, continua sendo tocada para alegria do público, pela banda solo do vocalista Ronnie James Dio. O restante do álbum mantém o alto padrão de qualidade, sempre com aquela pegada de hard rock setentista, misturado com elementos do que viria a ser chamado de power metal anos mais tarde.

Falando nisso, "Kill the King" pode ser considerada como a primeira música desse estilo, pois possui várias das características que viriam a definir o power metal, como velocidade e vocais altos, principalmente na segunda parte da música, onde o ritmo acelera um pouco e o tom do vocal aumenta bastante. Para se ter uma idéia de como essa música tem realmente a essência do power metal, procure ouvir as versões feitas pelo
Primal Fear e Stratovarius,  presente no tributo Holy Dio, e observe como a música soa natural na interpretação desses dois expoentes do estilo. Sem dizer que, se eu não estiver errado, o Rainbow foi uma das primeiras bandas a criar letras com temáticas de fantasia, tema que hoje é recorrente entre oito entre cada dez bandas de metal.
Outros destaques são: a cadenciada "Lady of the Lake"; a empolgante "The Shed (Subtle)", que convida o ouvinte a bater cabeça com seu ritmo empolgante; e a fantástica "Gates of Babylon", que com certeza deixou o virtuoso guitarrista Yngwie Malmsteen de cabelos em pé quando ele a escutou pela primeira vez, pois muitas das músicas compostas por ele lembram o estilo dessa canção, tanto que ele até chegou a gravá-la com sua banda. Fechando o álbum temos a lenta e emocional "Rainbow Eyes", que conta apenas com um belo arranjo de cordas acompanhando o vocal.

Finalizando, esse é um dos mais importantes e influentes álbuns de metal de todos os tempos. Feito por uma banda altamente azeitada,e tendo o produtor Martin Birch fincando seu nome na música pesada e dando um ótimo exemplo de como uma  gravação , mixagem , masterização deve soar num disco de heavy metal. Disco para toda a vida.








O Acústico da Alice Acorrentada - DVD Alice In Chains Unplugged -



A “Alice Acorrentada” é cria da geração grunge de Seattle,mas na minha opnião, é uma banda difícil de ser classificada em qualquer estilo, então digamos que os caras são bons em fazer rock , mas aqui desplugados e parados 2 anos sem shows, acontecem algumas derrapadas durante o show.
Um dos maiores destaques do estilo, a banda costuma ser mais lembrada pelos hits elétricos que teve, como “Man in the Box”, “We Die Young”, “Them Bones”, “Angry Chair” e “Would?”, mas também possui um lado acústico e delicado, que já havia aflorado nos EPs SAP e Jar of Flies.
Quando a banda foi convidada a gravar o seu Unplugged para a MTV em 1996 (numa época em que parecia que todos estavam fazendo isso),  Layne Staley chega a brincar  durante o programa, dizendo que "este é o melhor show que a banda faz em mais de dois anos”, ao que Sean Kinney responde “claro, é o único!”. Mesmo assim, foi até o Brooklyn Academy of Music's Majestic Theatre em Nova Iorque para performar um espetáculo , com um repertório excepcional. À época, o Alice tinha Layne Staley nos vocais, Jerry Cantrell na guitarra, Mike Inez no baixo e Sean Kinney na bateria. Neste show, a banda se apresentou pela primeira vez como um quinteto, com Scott Olson fazendo as bases ao violão para Cantrell solar.

“Nutshell” abre os trabalhos, já levando o clima para baixo logo no início, mostrando que não seria uma noite de sorrisos e piadinhas. “Brother” é outra que segue a linha mais depressiva, sem perder a beleza, no entanto.
“No Excuses” é a mais conhecida até então, e possivelmente a mais “animada” da noite. “Sludge Factory” traz de volta o clima mais sombrio, que deságua na belíssima “Down in a Hole”, minha faixa favorita da banda. Ouvir esta música numa versão ainda mais “orgânica” que a de estúdio é de chorar.





“Angry Chair” é outra famosa, mas não se saiu tão bem no formato acústico. “Rooster”, por outro lado, consegue passar bem a mensagem de perda e desolamento que carrega (a música foi feita por Cantrell para seu pai, ex-combatente do Vietnã, que nunca superou os traumas que a guerra lhe trouxe). “Got Me Wrong” até tem umas partes mais “animadinhas”, e o clima segue alto em “Heaven Beside You”, outra bastante conhecida, mas que aqui soa renovada em sua versão voz e violão.
Chega então a hora de “Would?”, e me apaixonei pela introdução desta música desde a primeira vez que a ouvi. A versão deste disco pode perder um pouco do peso por não ter a guitarra elétrica de Cantrell, mas ganha em intensidade e emoção. “Frogs” é outra onde o clima não é nada alegre, e “Over Now” encerra o show em um clima menos pesado . No bis, a inédita “The Killer Is Me” é outra onde a tristeza, a solidão e o desencantamento aparecem. Mas e as derrapadas que citei no início do texto, aqui vão elas:

desde o cenário escolhido até a performance de Staley, que aparenta estar completamente chapado, “viajando” geral em boa parte do tempo, inclusive deixando partes dos vocais a cargo de Cantrell em determinados momentos (será que por não se lembrar das letras?). O violão de Cantrell está mal regulado , acredito que na altura das cordas, e quando assistido este dvd num bom equipamento fica evidente que a produção vacilou em alguns pontos. Visto que a maioria das músicas são tristes ou trazem consigo uma carga emocional densa e pesada fora a honestidade das letras, algumas derrapadas que ajudam ou não a dar um charme a mais , trata-  se de um documento fiel do que esta banda em sua carreira fez pelo novo rock que surgiu na década de 90 e ecoa até os dias atuais.Compre, assista e comprove.


 

domingo, 9 de outubro de 2011

Buddy Guy - Stone Crazy


Nota : 10

Buddy Guy, para mim, é o autêntico responsável pela transição do blues tradicional para o blues moderno. Ele adotou tecnologias sem medo, potencializou o som de sua guitarra, que tem voz própria, identificável à distância, apurou o vocal de shouter e tem uma performance dinâmica e explosiva, sem perder um só segundo a linguagem primordial do blues. Como influência confessa de Jimi Hendrix, ele tem trânsito livre com o pessoal do rock. Depois de gravar com B. B. King e voltar a Robert Johnson. Passadas as mortes recentes de John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan e Junior Wells, Buddy Guy, com B. B. King, Otis Rush, e uns poucos, apresenta-se como um dos últimos de uma época e linhagem nobre do Blues.


O que me leva a ressaltar a importância de Stone Crazy!, ainda hoje o meu disco preferido de Buddy Guy, lançado em 1981 pela célebre Alligator Records.
 "I Smell a Rat", de 9 minutos e meio, pega o ouvinte pelo pescoço. Começa com um urro de Buddy Guy e um imediato solo desenfreado de uma guitarra possessa e desequilibrada. Quando Buddy Guy começa a cantar, é a guitarra do irmão, Phil Guy, que segura o dedilhado e toda a base em todo o disco, para ele alçar vôo tranqüilo.É bom lembrar que a banda enxuta se sustenta em J. W. Williams (baixo) e Ray Allison (bateria). A produção é de Didier Tricard.
São 6 faixas, distribuídas ao longo de pouco mais de 40 minutos, como nos tempos originais do LP. Tudo fruto de uma urgência selvagem e de uma aspereza inqualificáveis. "Are You Losing Your Mind?", pergunta ele na 2a faixa. A resposta é sim, se você continuar espancando a guitarra desse jeito. Buddy Guy solta uivos enquanto sola, exatamente como no palco, onde a posição do microfone não é marca fundamental para mantê-lo parado. A voz atinge graus elevados de convicção absoluta.

O que temos em Stone Crazy! é um músico extraordinário e um cantor arrebatado pelo blues, incapaz de conter o jorro da adrenalina. Se ele não consegue, por que eu deveria? Experimente você. A menor faixa do disco, "She's Out There Somewhere", dura 4 minutos e 26 segundos. parece que dou muita importância ao cronômetro. Não é verdade. Eu só quero dizer que esse tempo todo é gasto em descargas de alta voltagem, sem nenhuma excrescência. "Outskirts Of Town", que mais se aproxima da idéia pré-concebida que a maioria tem de um blues, por ser lenta e chorosa, transborda urbanidade cosmopolita e desesperada.


Stone Crazy! oscila, em suas características, do silêncio ao barulho enfezado. "When I Left Home" vai do gemido ao grito sem escalas intermediárias. Buddy Guy persegue extremos como não o vi perseguir em outros títulos com tamanhas entrega, sem se poupar. Há passagens em que Stone Crazy! se assemelha a um ensaio da banda, com Allison pontuando as lafas e enfatizando as explosões. Termina com Buddy Guy, num lamento onomatopaico ou péico ou o raio que o parta. Shit! Se eu estou triste, Stone Crazy! levanta meu astral, e se estou alegre, o disco mejoga ainda mais para cima. Disco para toda a vida.






Rory Gallagher - Live In Europe



O irlandês Rory Gallagher foi um dos guitarristas de blues pioneiros de seu país, sendo considerado um dos músicos britânicos mais originais e técnicos das últimas décadas. Um autêntico gênio criativo e um homem bastante simples, que usou uma única guitarra Fender Stratocaster de segunda mão em toda sua longa carreira.

Além de ser um guitarrista bastante perfeccionista, foi também cantor e compositor, um artista incansável que excursionou por bares e clubes desde os 16 anos, sempre consciente de abster-se do comercialismo musical barato, feito que lhe garantiu respeito por parte da mídia especializada e fãs por todo o mundo.
Este “Live! In Europe” foi o primeiro registro ao vivo de sua carreira-solo, tendo o óbvio Rory na voz, guitarra, bandolin e gaita, além de seus companheiros Gerry McAvoy no baixo e Wilgar Campbell na bateria.


 Aqui Rory tinha apenas 23 anos e as canções deste disco são uma seleção das gravações feitas durante sua excursão pela Europa nos meses de fevereiro e março 1972. Foi totalmente produzido pelo próprio Rory Gallagher, atingiu a décima posição nas paradas e arrebatou seu primeiro disco de ouro pelas vendas, consolidando de vez o sucesso de seus dois primeiros discos-solo de estúdio.


O blues bastante cru apresentado nas faixas “Messin' With The Kid” e “Laundromat” mostra como suas canções são poderosas e sua voz, simples, se encaixando perfeitamente em sua música. “Pistol Slapper Blues” com aquele cheirão country, segue com uma guitarra acústica, tendo a participação entusiástica do público. Ainda no bloco acústico, a estupenda "Going To My Home Town" mostra todo um swing contagiante.
”I Could've Had Religion” (esta sempre foi a canção favorita de Bob Dylan) tem uma interpretação apaixonada de todos os músicos, mostrando principalmente a versatilidade de Rory com os instrumentos musicais, tocando simultaneamente a gaita e guitarra durante esta canção. “Bullfrog Blues” fecha este curto registro com um blues bem chegado a um rock ´n´roll alto astral, além de fornecer o grande final, onde cada um dos músicos tem seu momento, solando seus instrumentos na medida certa, para delírio da multidão.
Uma das grandes características de Rory era o fato de praticamente não usar pedais e não ensaiar os solos de suas canções, sempre preferindo a espontaneidade, o que mostra ainda mais seu talento. E seus solos de guitarra são excelentes, esbanjando técnica e sentimento. Em vários momentos percebe-se claramente sua alegria na viagem musical, tendo ainda Gerry e Wilgar participando tranqüilamente destas incursões, acompanhando com competência os naturais improvisos do guitarrista.
“Live! In Europe” teve novas versões remasterizadas colocadas no mercado posteriormente, onde foram incluídas faixas-bônus, cujo número variavam de acordo com a edição. É um disco obrigatório, que deve constar na prateleira de qualquer amante do puro blues e rock ´n´roll simples.
Rory Gallagher seguiu sua carreira de maneira estável até 1994, quando cai seriamente doente, vindo a falecer em 14 de junho do ano seguinte, em decorrência de complicações de uma cirurgia para transplante de fígado feita em abril deste ano. Tinha apenas 46 anos, sem esposa, sem filhos; viveu toda sua existência em função de sua arte, de maneira simples e íntegra.


E para finalizar, deixo aos leitores um comentário deste músico sobre a opção de trocar sua velha e surrada guitarra Fender, frase de Rory que exprime bem sua convicção do que pensava sobre o materialismo:
"Trocar para que se sempre foi minha companheira? Em time que está ganhando não se mexe, não é assim o ditado? Eu fico com minha Fender mesmo”. Obrigatório em qualquer coleção.