sábado, 4 de fevereiro de 2012

Discografia Básica do Rock - Jane's Addiction - Nothing's Shocking - 1988



No final dos anos 80 o rock pesado americano estava dominado por clones vestidos em  lycra e visual carregado , mas que não tocavam nem heavy, nem metal , muito menos rock pesado. Ao mesmo tempo a cena  underground de bandas como o Sonic Youth tinham pouco impacto comercial , mais eis que desde meados de 1986 o Jane´s Addiction vinha já demonstrando uma certa "inovação" na cena rock da Califórnia, principalmente pela atuação de seu vocalista Perry Farrel.


A banda manteve a formação com : Perry Farrel nos vocais, Eric Avery no baixo, Dave Navarro na guitarra e Stephen Perkins na bateria. Esse foi o line-up da banda durante toda sua carreira, de 1986 a 1991. Mais em 1988 é que lançaram seu 1º disco e já começaram a chocar pela capa , e fora as letras de Perry
polêmicas, poéticas , irônicas e as vezes belas. "Nothing's Shocking" o disco  conseguiu o devido apelo para os dois lados abrindo caminho, para que a novata Mtv mostrasse certo interesse pela "música alternativa" e que culminou no sucesso grunge do Nirvana. A banda vinha chamando atenção da cena em Los Angeles com um álbum de mesmo nome, contendo uma gravação ao vivo e lançado de forma independente, que meio insinuava que a ambição e a extravagância psicossexual não tinham morrido na década de 70 com o Led Zeppelin.



Este disco lançado por uma grande gravadora a Warner, projetou a banda para o sucesso mundial, e também nos corações dos freaks de todo mundo, incluindo este que vos escreve.(lembrando que eu não sou um freak, ok). A música adequadamente intitulada "Ocean Size" mostrava as proezas sobre humanas, tendo um dinamismo ideal para os grandes estádios, sendo enfatizada por letras contemporâneas e uma produção grandiosa e cheia de sutilezas , inclusive isso vale para todo o disco. Uma produção que fez o hard rock americano se ajustar aos novos tempos que chegavam.



Em "Ted, Just Admit It" , acontece uma reunião sonora de pós punk, riffs em estilo funk e pancadaria tribal , para contar e justapor, a história do assassino serial Ted Bundy com o sensacionalismo da mídia, enquanto o sólido rock pesado de "Mountain Song" e " Pigs In Zen" são hinos instantâneos e repletos de energia. Mais o grupo mostra aqui um "lado romântico" com o psicodelismo de liberação lenta em "Summertime Rolls" , juntamente com a bela música acústica "Jane Says" , um retrato agridoce sobre a dependência de drogas , em que a interpretação do vocalista com sua voz nasal , exprimia uma empatia tão bem quanto furiosa. Finalmente aqui , o rock voltava a ser perigoso e  excitante . Compre o seu.

Músicas :
1- Up The Beach
2 - Ocean Size
3 - Had A Dad
4- Ted, Just Admit It...
5 - Standing In The Shower... Thinking
6 - Summertime Rolls
7 - Mountain Song
8 - Idiots Rule
9 - Jane Says
10 - Thank You Boys
11 - Pigs In Zen

Chico Science , O Cara que mostrou Pernambuco para o Mundo.



Chico Science & Nação Zumbi  é uma banda brasileira, nascida no início da década de 1990, em Recife, capital do estado de Pernambuco, a partir da união do Loustal, banda de rock pós-punk, com o bloco de samba-reggae Lamento Negro. O líder e vocalista da banda, o cantor e compositor Chico Science, fundou, junto com a banda Mundo Livre S/A, o movimento Manguebeat. No ano de 1991, em Olinda, aconteceu o primeiro show da banda, com o nome provisório de "Loustal & Lamento Negro", numa festa chamada "Black Planet". Neste mesmo ano, Chico Science e Fred Zero Quatro (do grupo Mundo Livre S/A) escreveram um Release, que acabou virando um manifesto do movimento Manguebeat, o Manifesto dos Caranguejos com cérebro, que tem como símbolo, uma antena parabólica colocada na lama, tornando-se assim um dos principais movimentos e banda dos anos 90 no Brasil, lutando por melhorias sociais na vida da população, não só de Recife e do Estado do Pernambuco, mas como de todo cidadão brasileiro. A presença da tecnologia é uma marca do movimento, que engajava-se para a melhor exploração do mangue e alertando a todos que ali encontra-se os Caranguejos com cérebro, sempre antenados.

Incomodado pela tendência do rock brasileiro do final dos anos 80 em copiar o que se fazia lá fora, Francisco de Assis França, jovem de Olinda, cidade limítrofe a Recife, com pouco mais de vinte anos na época, fez brotar na capital pernambucana uma ressureição sócio-musical que se arrasta até hoje. O manguebeat, alcunha dada ao movimento, vem do fato do ecossistema do mangue ser o mais diversificado e biologicamente rico do planeta. Assim como no mangue encontra-se a salobra, mistura da água do rio e do mar, fontes de vida tão distintos, o movimento recifenho conseguiu misturar a cultura brasileira com a cultura pop de um modo distinto e diferente do que foi feito na Tropicália, ligando o passado ao futuro de um modo singular.Depois de uma estréia em 1994 com um disco fundamental , eis que vem o segundo tão bom e fundamental quanto o anterior "Da Lama ao Caos". Em "Afrociberdelia"(1996), ouvimos uma sonoridade africana e o interesse e influência da cibernética com psicodelia. Juntamente com ensolaradas guitarras africanas e pesadas, para se ter idéia o guitarrista Lucio consegue timbres completamente incomuns com sua Telecaster, mais os tambores que formam uma tremenda "parede sonora", rock inglês , dub jamaicano e funk intergalático dão o tom do disco e de suas atuais e inteligentes canções. Não tem como falar de faixa por faixa , ouça o disco de cabo a rabo e tire suas próprias conclusões.


O álbum  foi de longe um dos mais importantes colhidos. Quando foi lançado  conseguiu sintetizar, junto com o manifesto manguebeat, tudo o que Chico Science e os mangueboys queriam dizer. Tendo seus momentos divertidos cantando o louco dia a dia das cidades, momentos políticos e de ficção científica , acredito eu, ter sido um dos últimos discos brasileiros que de alguma forma além de ser genial , não copiou nada do que já existia no mercado fonográfico brasileiro e passa distante dessas porcarias descartáveis que as gravadoras nos tentam empurrar . Por falar em gravadoras , Chico ficou fulo da vida , quando soube que por debaixo dos panos "os empresários" enfiaram 3 versões diferentes da música "Maracatu Atômico", mais a  versão que havia sido gravada para o disco, dizendo que eram versões Ragga Mix e Trip Hop, e que na verdade nada  possuem desses estilos e servem apenas para encher linguiça, não tirando o charme ou valor desta obra prima da música de Chico Brasileiro Science e sua Nação Zumbi.  
 
Enfim,  Chico Science foi o último grande artista da música brasileira. Sua obra era genial, unindo o pop e o rock à música pernambucana com precisão cirúrgica. Afrociberdelia foi além do que Chico havia mostrado em seu primeiro álbum. O disco deu uma guinada tão boa para a banda que além de tocarem de cabo a rabo o Brasil , foram até pro Festival de Montreux e fazem sucesso até hoje fora do Brasil . E assim tanto Chico e sua Nação como outras bandas e artistas de Pernambuco foram descobertos e até hoje pipocam filhos do manguebeat.  Sua morte, em 2 de fevereiro de 1997 em um acidente de carro, encerrou prematuramente uma carreira que tinha tudo para render muitos discos fundamentais, mas que, mesmo chegando ao fim de forma precoce, marcou definitivamente a música pop do nosso país e a minha vida também.  Lembrando que a fábrica Polysom lançou esta obra em vinil de 180 gramas e com áudio remasterizado usando as fitas originais do cd. Então carangueijos antenados podem ir numa boa , pois além do bagulho ser bom, o barato é melhor ainda .
 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ozzy Osbourne e seu Diário de um Louco



Depois de sua expulsão do Black Sabbath, Ozzy pensava estar desempregado e assim isolou - se em um flat na cidade de Los Angeles. O madman então cheirou toda cocaína que seu organismo pode absorver, bebeu todas , comeu todas as pizzas do mundo, viu sua esposa Thelma e filhos se distanciarem e ouviu as histórias e propostas mais loucas de sua vida, vindas de seu empresário Don Arden. Uma das propostas era a de formar uma nova banda chamada "Sons Of Sabbath" e excursionar com sua velha banda. Isso tudo ocorria em 1980,e a filha de seu empresário e atual esposa do madman Sharon Arden, começou a tomar conta da situação e a dar uma guinada na nova carreira profissional  de Ozzy. Nem é preciso dizer que a futura senhora Osbourne teve papel fundamental e determinante na organização e sucesso de tudo.


Vindo do sucesso de seu 1º LP solo (Blizzard of Ozz) a descoberta de um dos melhores músicos já concebido neste planeta, o prodígio da guitarra Randy Rhoads e uma nova banda o madman  e  sua trupe rapidamente foram gravar seu 2º disco, "Diary of a Madman". Em menos de 2 meses, entre fevereiro e março de 1981, Ozzy gravou Diary of a Madman , antes até de levarem a turnê do disco anterior aos EUA. Registrado em Ridge Farm a banda era  a mesma de Blizzard of Ozz, Ozzy (vocais), Randy Rhoads(guitarra), Bob Daisley(baixo) e Lee Kerslake(bateria).


Logo na abertura de "Over the Mountain" com viradas de bateria, seguida pelo riff de Randy, abre o caminho para  a voz do chefe e assim temos um ótimo cartão de visitas e que acabou sendo um dos singles do disco. Depois temos um dos melhores solos de guitarra em " Flying High Again", que fez sucesso nas rádios dos EUA e grande parte da Europa . Depois outro single , as 3 primeiras músicas deste disco foram lados A de compactos lançados, e assim "You Can´t Kill Rock and Roll" com sua letra traz até hoje a sua filosofia de conquistar fãs pela beleza e sinceridade. Outra música que segue a mesma linha é "Believer", que traz um grande conselho. Uma coisa que precisa ficar clara para todos, é que as composições são de primeiríssima qualidade neste disco, apesar das pendengas na justiça principalmente  entre Ozzy e sua antiga cozinha,  fica evidente que o maior comprometimento ficou a cargo de Ozzy e Randy Rhoads.


"Little Dolls" segue o padrão das músicas anteriores, e vem a balada "Tonight" que apesar de não ser tão genial quanto" Goodbye to Romance" do disco anterior, e que Ozzy a considera sua "Yesterday" , não é tão bem acabada quanto "So Tired" do disco "Bark at the Moon", mas acaba por não fazer feio. Com o rockão "S.A.T.O.", que era originalmente chamada "Strange Voyage", teve seu nome mudado para o que pode ser a sigla " Sharon Arden, Thelma Osbourne", nome das 2 mulheres presentes na vida de Ozzy ; apesar de existirem outras deduções como " Sailling Across The Ocean"( Velejando pelo Oceano), é a que mais se adequa pelo conteúdo da letra.


A épica e assustadoramente erudita  faixa título, nasceu quando Ozzy entrou no quarto em que Randy Rhoads praticava seu violão clássico, quando perguntado sobre o que tocava o guitarrista prontamente respondeu ao chefe " Mozart". Também na gravação desta faixa Ozzy grita com o guitarrista " Quem você acha que sou? Frank Zappa?, detona o madman perplexo com o tempo pouco usual  da música . Esta é a faixa que mais corrobora a imagem de Ozzy místico e maluco, o riff de guitarra é a marca registrada do álbum, juntamente com a melodia cantada com dramaticidade por Ozzy encaixa se perfeitamente na composição intricada.


Com a produção creditada a Ozzy, Randy e Max Norman, Diary of a Madman recebeu Disco de Ouro e Platina e até hoje além de ser um dos meus discos preferidos , do público e de Ozzy, é um item para toda a nossa vida.

Músicas :
1- Over The Mountain
2- Flying High Again
3- You Can´t Kill Rock and Roll
4 - Believer
5 - Little Dolls
6 - Tonight
7- S.A.T.O.
8- Diary Of A Madman


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rock Raro - Buffalo - Volcanic Rock - 1973

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Sabem aqueles discos que ouvimos e logo no início sentimos um "arrepio", como que antevindo que estamos diante de algo que vai passar a fazer parte de nossa vida? Pois é, foi isto que aconteceu comigo quando adquiri este CD, que a primeira vista me pareceu muito estranho, pois além da capa "pornográfica", tinha sido porcamente pirateado (sequer o nome das músicas aparecem creditadas na capa,  só no selo do CD, que por sinal, foi gravado de um vinilzão cheio de chiados, sem perder o charme. Que discos desconhecidos são espetaculares, apresentam uma qualidade sonora e artística tão elevada que nos fazem pensar porque diabos as bandas que os gravaram não se transformaram em monstros sagrados e ícones incontestáveis de um estilo. Esse é o caso de "Volcanic Rock", segundo álbum do grupo australiano Buffalo, uma verdadeira jóia brilhante e reluzente, que passou anos perdida na poeira setentista.
 
Vamos encontrar entre 1966-67 o vocalista Dave Tice (que na realidade nasceu na Inglaterra) e o baixista Pete Wells tentando a sorte em diversas bandas na cidade de Brisbane (The Odd Colours, Strange Brew e The Capitol Show Band), que embora obtivessem algum êxito local, acabam sem deixar rastros. Ambos resolvem então, no início de 1968, montar o Head, que seria o embrião do Buffalo, ao lado de Neil Jensen (guitarra) e Steve Jones (bateria).
Decididos a tentar a sorte grande, o grupo resolve se mudar para Sydney em 1970; entretanto, Jensen e Jones não resistem às dificuldades de morar na metrópole e acabam caindo fora, sendo substituídos, respectivamente, por John Baxter e Peter Leighton (que vinham de duas bandas chamadas Mandala e Aftermath).
Em 1971 o grupo faz seu registro fonográfico, com o compacto "Hobo"/ "Sad Song" e "Then" (uma raridade sem tamanho, pois até hoje não foi relançado em nenhum formato), e logo em seguida o baterista Leighton resolve sair da banda, sendo substituído por Paul Balbi, que trouxe consigo mais um vocalista, Allan Milano (também ex-integrante do tal de Mandala).
Foi aí que, graças ao então empresário do grupo, Mal Myles, eles decidem mudar de nome, pois, conforme Myles, além de Head ter uma certa conotação com drogas e sexo(!), ele achava que deveriam adotar algum nome que começasse com a letra B, afinal, bandas com esta inicial geralmente eram bem sucedidas (Beatles, Black Sabbath, etc). Não se sabe ao certo de onde surgiu a idéia de adotar o nome Buffalo, mas concretamente quem a propôs foi Milano.Talvez o empresário tivesse razão, pois em março de 1972 eles conseguem assinar contrato com ninguém menos que a lendária gravadora Vertigo (foi a primeira banda de fora da Inglaterra a conseguir tal feito), que tinha em seu cast gigantes como Uriah Heep e o próprio Black Sabbath.

Com isto, não demorou para registrarem seu primeiro trabalho, "Dead Forever", que sairia em maio de 1972, tendo sido precedido por um compacto com "Suzie Sunshine" e "No Particular Place to Go", esta última um cover de Chuck Berry que não foi editada no álbum. Ainda no mesmo ano mais um compacto, com "Just A Little Rock'N'Roll" e "Barberhop Rock", que também não constavam no LP (estes compactos são outras raridades imensas hoje em dia). Curiosamente, o "Dead Forever" chegou a ser relançado em 1991 tanto em CD quanto em LP pela Repertoire Records, mas ficou pouquíssimo tempo em catálogo, pois supostamente a gravadora alemã não detinha os direitos autorais - tanto que há uma certa controvérsia se ele teria sido ou não masterizado a partir de uma cópia em vinil, pois ouvindo-se atentamente com o fone de ouvido percebe-se alguns chiados meio característicos. Mas isso não foi o suficiente para manter a banda na ativa,e quase determinou o término da mesma. Mas em janeiro de 1973, o Black Sabbath fez uma turnê pela Austrália e a gravadora, que sabia ter um nome "de peso" (no sentido sonoro da coisa) naquele país, praticamente impôs a presença do Buffalo para abrir os shows, que foram batizados "The Clash of the Titans" e vendidos como sendo o máximo em experiência auditiva para fãs de heavy rock. Talvez por nacionalismo exarcebado ou motivos que não são conhecidos, a imprensa local teceu elogios imensos aos seus conterrâneos e não gostou muito do que apresentaram os ingleses (houve até um "crítico" que disse que o Sabbath é que deveria ter aberto o show!). 
O fato é que parece que eles andavam realmente afinados ao vivo, pois cerca de duas semanas mais tarde abriram para o Slade e para o Status Quo, sendo novamente aclamados pela platéia. Como perceberam que o lance mesmo era tocar "alto e pesado", decidiram que iriam gravar um álbum com este direcionamento, e iniciam os ensaios. Neste meio tempo, Balbi sai da banda, e é substituído por Jimmy Economou, vindo do Mandala (mais um!).



O trabalho abre com "Sunrise (Come My Way)", uma faixa agitada que fará a alegria de quem ainda chama o hard rock de "rock pauleira". Destaque para o refrão, grudento e com belas linhas vocais de Dave Tice.
Já "Freedom", é uma tour de force com mais de nove minutos de duração, uma composição estupenda com uma longa introdução de guitarra de John Baxter.  Sobre um andamento cadenciado, Baxter evolui com suas guitarras, despejando frases e melodias arrepiantes. Tice só aparece lá pelos dois minutos e tanto, cantando de forma arrepiante. Sua voz soa áspera e crua na medida certa, transparecendo feeling e emoção. A cama criada pela bateria de Economou e pelo baixo de Wells sustentam os delírios guitarrísticos de Baxter, que em seu solo faz uso de feedbacks e demonstra grande criatividade e talento. Enfim, "Freedom" é aquele tipo de faixa que, ao mostrar para os seus amigos que curtem som, inevitavelmente você irá ouvir o termo "sonzêra" em suas avaliações.


O LP segue com "Till My Death", onde o destaque é o baixo de Pete Wells, bem na cara e repleto de distorção. O vocal de Tice também merece menção, e a faixa fechava o lado A do vinil em grande estilo.
O lado B de "Volcanic Rock" tem início com uma das melhores faixas do disco. "The Prophet" é outra composição cadenciada, mais ou menos na linha de "Freedom", com um riff repleto de groove de John Baxter.  A parte central tem mais um ótimo solo de Baxter, um guitarrista que possui um estilo muito mais focado naquilo que sente ao tocar uma canção do que na técnica propriamente dita. Aliás, essa observação não vale apenas para Baxter, mas se aplica com perfeição em toda a banda.



A dobradinha "Pound of Flesh / Shylock" fecha o álbum de maneira sublime. A primeira soa como uma sensacional jam instrumental entre os músicos. Com quase cinco minutos de duração, introduz "Shylock", um dos grandes sons do hard rock setentista. Dona de um riff cativante, a faixa é um rock pesado clássico, com ótimas linhas vocais e um refrão que não sai tão cedo da cabeça. Além disso, possui longas passagens instrumentais, em um exemplo quase didático de como um bom hard rock deve soar. Pura magia em uma composição antológica!
Indiscutivelmente, "Volcanic Rock" é um dos trabalhos mais consistentes e impressionantes do hard rock setentista. O entrosamento do quarteto, aliado à qualidade das composições, resultou em um disco excelente.
A capa do disco causou controvérsia quando o play chegou às lojas. A ilustração, mostrando um homem nu sobre uma montanha prestes a entrar em erupção, segurando uma rocha flamejante e flexível que lembra - e muito - o formato de um pênis, levou a inevitáveis interpretações e conclusões sobre o seu real sentido, fazendo com que vários lojistas se recusassem a expor e a vender o disco.
Ao longo dos anos, "Volcanic Rock" ganhou algumas reedições interessantes. O LP original, lançado pela Vertigo australiana em 1973, é objeto de desejo entre os colecionadores do cultuado selo.  E, mais recentemente (em 2005), a também australiana Aztec colocou no mercado um CD remasterizado, em embalagem digipack, que, além das faixas adicionais, traz duas bônus tracks: a versão editada de "Sunrise (Come My Way)", lançado como single em 1973 para promover o disco; e uma estupenda execução de "Shylock" gravada ao vivo no Sydney Spring Festival, que aconteceu no Hyde Park de Sydney também em 1973.
Resumindo: se você nunca ouviu "Volcanic Rock" mergulhe agora mesmo nos sulcos de um dos melhores álbuns de hard rock dos anos setenta!

Faixas:

1 Sunrise (Come My Way) 4:48
2 Freedom 9:02
3 Till My Death 5:38

4 The Prophet 7:24
5 Intro: Pound of Flesh 4:33
6 Shylock 5:52


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Em 1970 o Último Disco dos Beatles - Let It Be - The Beatles



Não vou ficar aqui falando que o quarteto inglês , foi ou continua sendo a melhor banda de rock do planeta, ou ficar falando mal da Yoko e que foi ela quem acabou com a banda e blábláblá. Meu negócio aqui será tentar retratar os últimos dias desta que com certeza é uma das bandas mais influentes da música ocidental e como estavam seus integrantes e toda a áurea em volta de todos.



Let It Be gerou controvérsias, deixando inclusive Paul McCartney decepcionado com o resultado final. Um dos maiores desagrados estava por conta da mixagem. Pela primeira vez, George Martin não havia sido o responsável pela produção, tarefa que ficou a cargo do experiente Phil Spector. 
A ideia, aliás, era mais do que simplesmente fazer um disco. Tratava-se, na verdade, de um projeto multimídia envolvendo filme, livro e LP. Inicialmente o projeto teria outro nome: "Get Back". Inspirado pela canção de Paul, o título refletia bem o clima que pretendiam passar. Cansados com as inúmeras críticas que vinham recebendo da imprensa, os rapazes resolveram fazer um disco de volta às raízes. Sem psicodelia, sem arranjos muito rebuscados. Apenas o som dos quatro integrantes tocando ao vivo dentro do estúdio, como faziam no início da carreira. A capa seria uma foto tirada no mesmo edifício onde fotografaram a capa de Please Please Me (1963). 
Logo no início ficou nítido que o projeto falharia. As brigas entre os integrantes eram constantes. Paul e George discutiam o tempo todo. John não demonstrava mais interesse. Cada um tinha uma concepção diferente do que os Beatles representavam em suas vidas naquele momento. Para piorar, John, Paul, George e Ringo não se sentiam à vontade criando frente às câmeras. 
Ninguém se sentia satisfeito com o material, embora John Lennon acreditasse que seria interessante lançá-lo. Acreditava que o trabalho era honesto e que saciaria o desejo das pessoas ouvirem os Beatles de maneira natural, sem as benfeitorias do estúdio. Resolveram lançar um compacto para testar a reação. Com "Get Back" de um lado e "Don't Let Me Down" de outro, resolveram creditar a participação de Billy Preston na capa. Assim, ninguém poderia dizer que não foi um trabalho de grupo. 


Ainda não contentes com o resultado, engavetaram o trabalho, começaram um novo disco – Abbey Road – e pediram a George Martin que voltasse a produzi-los. Tendo acompanhado todas as brigas no início do ano (as gravações de Let It Be tiveram início em em 2 de janeiro de 1969), disse que topava, apenas com a condição de que todos os quatro cooperassem. O trabalho surpreendentemente correu bem e o álbum foi lançado. John, no entanto, estava cada vez mais afastado do trabalho dos Beatles. Começava a compor várias canções que acreditava não ter relação com o trabalho dos Beatles, entre elas estava "Cold Turkey". Em um belo dia, quando os quatro se encontraram para discutir os inúmeros problemas que vinham enfrentando (fitas de "Get Back", Apple, Allen Klein, futuro do grupo, etc), John anunciou: "quero um divórcio. Assim como tive de Cynthia".
Em janeiro de 1970, Phil Spector foi para Londres a fim de realizar seu maior sonho: produzir os Beatles. O convite foi feito pelo novo empresário Allen Klein. Uma solução tinha que ser encontrada para o lançamento daquelas fitas. Havia muito dinheiro envolvido!
A contratação de Allen Klein, inclusive, gerou uma grande polêmica entre os membros da banda. Após John Lennon ter comentado em uma entrevista que a Apple estava a um passo da falência, Klein o procurou, e seus conhecimentos impressionaram tanto John que o beatle tratou de convencer George Harrison e Ringo Starr a apoiarem sua escolha. Klein era experiente, já vinha trabalhando com os Rolling Stones, e John Lennon sentiu confiança em suas palavras durante a conversa que tiveram. A outra opção seria Lee Eastman, pai de Linda Eastman (mais tarde conhecida como Linda McCartney). Paul não concordava com a decisão e optou por não assinar o contrato. Os Beatles precisavam de um empresário, pois Brian Epstein, que era o responsável pelos contratos e pela contabilidade da banda havia falecido no segundo semestre de 1967. Brian foi encontrado morto em seu quarto, aos 32 anos, vítima de uma overdose de Carbitol (medicamento para insônia). Esse problema durou anos, uma vez que Paul McCartney abriu um processo contra os três ex-companheiros em 1971, alegando essa ter sido a causa do "divórcio" entre eles. 
Phil trabalhou primeiro no mais novo single de John Lennon, "Instant Karma", e depois começou a trabalhar em Let It Be. Ficou acertado que o álbum e o livro seriam lançados em abril e o filme em maio. 
Assim que recebeu o material em mãos, entregou-se ao trabalho. Antes, no entanto, pediu para que nenhum integrante dos Beatles se envolvesse na produção – direta ou indiretamente. "The Long and Winding Road" deixou Paul McCartney chocado. O músico queria que a canção fosse uma balada simples, despretensiosa, apenas com piano e voz (conforme apresentado no longa-metragem). Phil Spector, no entanto, transformou-a em uma grande produção com direito a coros e orquestra. 
Tanto Paul McCartney como George Martin ficaram desiludidos. O fim dos Beatles era inevitável. George Harrison e Ringo já estavam tocando suas vidas adiante. John já havia pedido para sair. Paul viu que não havia mais solução. O grupo havia se desintegrado. Ao contrário de John, que havia optado por não declarar nada de sua saída a imprensa, Paul sentiu-se na obrigação de anunciar o fim do conjunto. Por conta disso, muitos creditam o fim dos Beatles a Paul.
 
A última sessão de gravação foi em 4 de Janeiro de 1970, quando Paul, George e Ringo encontraram-se para terminar "I Me Mine", de Harrison, que entraria em Get Back.George Martin já estava cansado das brigas e discussões dos Beatles e também achou que seria antiprofissional trabalhar naquelas fitas de má qualidade. Como Spector tinha produzido o recém-lançado single de Lennon, "Instant Karma", John decidiu pedir(sem autorização de McCartney), para Phil "dar uma olhada e ver o que podia ser feito".
Spector pegou uma "jam session", "Dig It", e outras conversas entre as gravações, alongou "I Me Mine", desacelerou e acrescentou cordas a "Across The Universe" e colocou cordas e coral em "The Long And Winding Road". "Get Back" também foi editada, com a parte em que Paul fala, como um bluesman, cortada. Além de produzir a mixagem toda do álbum final.
Seis faixas do álbum são gravações ao vivo (i.e. sem remix ou overdub posterior). Além das três canções gravadas ao vivo no telhado do prédio da Apple Corps., incluiam-se, "Two of Us", "Dig It" e "Maggie Mae", gravadas ao vivo nos estúdios da Apple, no porão do prédio da Apple. Enquanto as outras canções, "For You Blue", "I Me Mine", "Let It Be", "The Long and Winding Road" e "Get Back" foram gravadas nos studios da Apple, mas apresentam edições posteriores produzidas por Spector, tanto na mesa de som, e edições de splicings (i.e. cortes diretamente feitos na fita), como nas dublagens (i.e. overdubs) de vozes e instrumentos por músicos de estúdio. A 12º canção, "Across the Universe", era uma versão da gravação de ensaio original, feita em 1968, e mixada em velocidade mais lenta para álbum.
Enfim aqui não temos a psicodelia e as orquestrações que acompanharam a banda, mudança de produtor que acho muito válida, pois muitos dizem que este é um disco fraco, o que discordo em todos os genêros. Pois as músicas a gravação e produção são mais orgânicos. Algumas faixas são bem rockeiras e cruas, ou seja , uma banda de rock tocando rock.Há um tempo atrás foi relançado como disco duplo, e outra mixagem que agradaria ao Sr. Paul. Sem truques e frescuras que  num todo ajudaram muito para que este disco se tornasse uma peça fundamental em suas coleções.
 
Músicas :
1- Two Of Us
2 - Dig a Pony
3 - Across the Universe
4 - I Me Mine
5- Dig It
6 - Let It Be
7 - Maggie Mae
8 - I've Got a Feeling
9 - One After 909
10 - The Long And Winding Road
11 - For You Blue
12 - Get Back
 
 
 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Discos que Marcaram a Minha Vida - Humble Pie - Smokin`- 1972



Embora em 1968 Steve Marriott e Peter Frampton já tivessem adquirido uma certa fama (Marriott no Small Faces e Framptom no Herd), ambos estavam descontentes com as respectivas bandas, pois seu sucesso era decorrente de fazerem uma linha tipo "teenage pop stars", o Small Faces graças à estratégia de atuação de Andrew Oldham (manager dos Rolling Stones) e o Herd principalmente devido à pouca idade e o apelo visual de Frampton (na época um garotão com apenas 16 anos – obviamente os empresários não iriam deixar passar batido). Resolvem então formar uma banda mais ligada à rock’n’roll. Então na noite de ano novo de 68/69 enquanto Steve estava fazendo sua última apresentação como membro do Small Faces (que com sua saída se tornaria apenas Faces), Peter se encontra com Jerry Shirley, hábil baterista de estúdio e membro de uma banda chamada "Wages Of Sin", que costumava tocar nos "pubs" ingleses, e papo vai papo
vêm, resolve convidá-lo para se juntar à ele e Marriott na nova banda que estavam pensando em formar. Jerry se interessa, e no final do show se encontram nos bastidores. Faltava um baixista, então Jerry pergunta se pode convidar seu amigo Greg Ridley, na época tocando junto com o Spooky Tooth, que também estava nos bastidores. Com o sinal verde de Marriott e Frampton, estava formado o Humble Pie, com Marriott e Frampton se revezando nos vocais e guitarras, Shirley nas baquetas e Ridley no baixo.


Passam então a ensaiar e em abril de 1969 lançam seu álbum de estréia pelo selo "Immediate" de propriedade de Andrew Oldham. Inicialmente a banda é marcada por uma grande indefinição a nível musical, fazendo country rock americanizado neste e no segundo disco, lançado no fim do mesmo ano. Aliado à isto o pouco entrosamento entre os membros tornam seus shows desta época bastante confusos, parecendo um pastiche de Crosby Stills Nash & Young. Isto gera a primeira crise, pois embora fizessem um som bastante competente (a nível de country rock) sofrem uma pressão muito grande por parte de Oldham, que queria um "hit radiofônico". Após "quebrarem o pau" e dispensarem Oldham, mudam de gravadora (vão para a A&M Records) e resolvem aderir ao blues-hard-rock, com isto lançando dois ótimos discos: "Humble Pie" em 1970 e "Rock On" em 1971. Em 1972 sai o impecável "Perfomance – Rockin the Fillmore" retratando uma apresentação memorável da banda em 1970. O sucesso finalmente chega, as vendas disparam e junto vêm o reconhecimento da crítica na época (chegaram a dizer que o Humble Pie era a melhor banda ao vivo surgida desde o fim do Jimi Hendrix Experience!).
Porém o sucesso acaba subindo à cabeça de Frampton, que resolve partir em carreira-solo em 1972. Acaba entrando em seu lugar Dave "Clem" Clempson, vindo do Colosseum, e que havia sido membro fundador do Bakerloo, que embora fosse um excepcional guitarrista não possuía o mesmo carisma de Peter.
A saída de Frampton deixou os vocais totalmente à cargo de Marriott, além de tê-lo transformado praticamente em líder da banda. Então em 1972 sai mais um disco de estúdio, "Smokin". Embora seja considerado o mais coeso álbum de estúdio da banda, já apontava uma tendência característica das bandas inglesas da época: a influência do "soul", tornando se assim o cartão de visitas da banda.

A primeira faixa, "Hot 'n' Nasty", com suas guitarras vibrantes e letra "sacana", mostra uma banda disposta a finalmente cobrir a certa carência de rock 'n' roll dos seus trabalhos anteriores. E sem esquecer suas influências de blues rock, Marriott e sua trupe entregam "The Fixer", um rockão extremamente cadenciado, mas que não deixa o ritmo do álbum cair.
No extremo mais leve de "Smokin'", temos as razoáveis baladas acústicas "You're So Good for Me" e "Old Time Feelin'", bastante puxadas para o folk e o country. Mas, a verdade é que os rocks chamam muito mais atenção neste trabalho. As energéticas "C'mon Everybody" e "30 Days in the Hole" (grande hit do álbum) são verdadeiros hinos, que levam o ouvinte a imaginar a banda arrebentando ao vivo, em meio a gritos de uma multidão sedenta por rock 'n' roll puro.
Voltando às influências de blues, "Road Runner" mostra aquela mistura perfeita de rock com blues, uma sonoridade que marcou os melhores trabalhos da "british invasion" do final dos anos 60 (movimento que trouxe algumas das melhores bandas de blues rock do mundo). Na faixa "I Wonder", Marriott optou por um som mais lento, arrastado e voltado ao blues de raiz, algo que não podia ficar de fora em um álbum como esse. E fechando muito bem a track list, o rock "Sweet Peace and Time" sintetiza bem o espírito desta magnífica obra de "boogie rock".

O fato é que "Smokin'" ficou marcado como um item de discografia básica, um álbum que até hoje influencia qualquer banda de rock que ouse utilizar o blues da melhor forma possível em um contexto rock 'n' roll (alguém lembrou de Black Crowes e Quireboys?). É uma pena que Steve Marriott tenha morrido antes de lapidar ainda mais a discografia desta excelente banda. Mas, seus "filhos" estão por aí...

Músicas:
1. Hot 'N' Nasty
2. The Fixer
3. You're So Good For Me
4. C'mon Everybody
5. Old Time Feelin'
6. 30 Days In The Hole
7. Road Runners G Jam
8. I Wonder
9. Sweet Peace And Time

 

 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Discografia Básica do Rock - Yes - Fragile - 1972



Um dos mais elogiados grupos do rock progressivo escreveu em definitivo seu nome no cenário mundial com um álbum de 1972. Com excelente  produção do lendário Eddie Offord e capa de Roger Dean (que daria início a uma longa parceria e passaria a ser uma das marcas registradas do Yes desde então), o disco trazia ao todo nove faixas: quatro músicas desenvolvidas pelo grupo e as cinco restantes por cada um de seus integrantes, onde sua individualidade era explorada em benefício do todo.Com a saida do tecladista Tony Kaye (muito criativo mas pouco habilidoso) abriu-se no Yes espaço para a entrada do lendário tecladista Rick Wakeman (muito criativo e  habilidoso) que deixou as coisas muito mais interessantes. Com essa nova excelente formação (Jon Anderson, Chris Squire, Steve Howe, Bill Bruford e Rick Wamenan), o Yes lança no fim de 1971 o disco Fragile .

A primeira faixa, “Roundabout” (que, lançada em compacto em versão reduzida, tornou-se o grande hit de “Fragile”), principiava por uma nota soando, imperceptível a princípio, e terminando não por um estrondoso acorde, como seria esperado, mas por um suave harmônico no violão de Howe. Seu arsenal de guitarras, violões, pedal steels (e o que mais você imaginar que tenha cordas), os diversos teclados de Rick Wakeman, o timbre agudo do baixo Rickenbacker de Squire (que acabou tornando o instrumento mundialmente conhecido e um must entre todos os baixistas do gênero), a bateria explorada como se fossem peças independentes de percussão por Bill Bruford e o vocal peculiarmente alto de Jon Anderson reinariam absolutos na cena progressiva nos anos seguintes e ditariam padrões para os grupos que surgiriam naqueles dias. “Roundabout” tem tudo isso numa composição de rara felicidade, onde letra, melodia e arranjo se completam. Logo após seguem se "Cans And Brahms" , faixa solo do mago Rick Wakeman em que foram usados vários teclados para reproduzir um pequeno trecho de música clássica do compositor Brahms. E depois vem "We Have Heaven",  Música em que Jon Anderson cria harmonias consigo mesmo sobrepondo sua voz várias vezes com melodias interessantes.




" South Side Of The Sky" , Mais uma música excelente da banda que por razões desconhecidas, nunca foi executada ao vivo. O riff principal (que dizem ser roubado de uma composição de Howe com uma banda de que fez parte anteriormente) é intimidante, intercalado por pequenas improvisações (sim, Howe afirmou que sempre tocava e até compunha improvisando) que nunca se repetem. Ainda temos uma passagem
solo de Wakeman no piano que dá uma sensação espacial, cuja parte final é sobreposta por uma harmonia vocal belíssima feita por Anderson, Squire e Howe. A música parece que se encaminha pro fim com o som do piano ficando cada vez mais baixo, mas inesperadamente a música volta à distorcida frase principal antes de terminar .


Já em , " Five Percent For Nothing " Bruford gravou a bateria e os outros integrantes da banda foram sobrepondo riffs que contrariam qualquer teoria musical, com tempos de lógica muito obscura. A música parece estar toda quebrada quando surge um acorde de orgão para consertá-la e todos instrumentos parecem se ajeitar.  O título se refere aos 5% que pertencia ao empresário da banda.5% do trabalho pra nada.




 "Long Distance Runaround" , A musica mais pop do disco, se é que se pode dizer isso. Começa com piano e guitarra tocando exatamente a mesma melodia, que me lembra chorinho. Logo entram baixo e bateria tocando em tempos diferentes sobre essa melodia. A parte vocal é mais lenta com baixo e guitarra tocando praticamente a mesma coisa. E volta ao riff inicial. Isso se repete algumas vezes, com pequenas mudanças.
" The Fish (Schindleria Praematurus)", Composição solo de Squire em que baixos e mais baixos vão sendo adicionados e se sobrepondo aos poucos, acompanhados por bateria. Squire Usa baixo com vários efeitos diferentes, inclusive um wah-wah e uma distorção que fazem o baixo soar como uma guitarra. Sobre isso Anderson repete "Schindleria Praematurus" ecoando a melodia de um dos baixos.
" Mood For A Day", Belíssima música de Steve Howe, mostrando que domina o violão como poucos. Com influências óbvias de música clássica e espanhola.
" Heart Of The Sunrise", E o melhor fica guardado para o fim. A frase inicial, pesadíssima, me lembra muito uma certa parte da música 21'st Century Schizoid Man (King Crimson - In The Court Of The Crimson King). Segue-se uma frase muito bonita e lenta do baixo que aos poucos vai sendo preenchida com um mellotron com som de violino e uma bateria . Bill Bruford consegue não apenas fazer a percursão da música, como também parte da melodia!! Sem nunca repetir nada!! Esse é um dos trechos mais bonitos de música que já pude deliciar. Ao fundo a guitarra surge tocando a frase incial que se encaixa perfeitamente nesse novo tempo! Após voltar à quebradeira inicial, a musica praticamente cessa para entrar os vocais. É notável a maneira como a música passa várias vezes de totalmente empolgante para calma e pacífica em questão de segundos. Um show de todos os músicos, especialmente de Wakeman no Moog, Hammond, Piano, Mellotron. Assim termina uma produção, que irá ser um item eterno nas suas coleções.

Faixas:

1.  Roundabout
2.  Cans and Brahms
3.  We Have Heaven
4.  South Side of the Sky
5.  Five Per Cent for Nothing
6.  Long Distance Runaround
7.  The Fish (Shindeleria Praematurus)
8.  Mood For a Day
9.  Heart of the Sunrise