segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

King Crimson - Lizard - 1970



Estamos no ano de 1.970, época de grandes acontecimentos no cenário musical em geral. No rock progressivo que começa a mostrar sua cara, não foi diferente. Nessa época muitas bandas surgiam, algumas na estrada há mais tempo lançavam ótimos álbuns. Entre esses estava o King Crimson. Está banda que por alguns recebe o titulo de criadora do progressivo, não parou por ai. A banda começou com um guitarrista britânico, seu nome é  Robert Fripp. Junto com ele vieram dois irmãos Peter Giles “Baixo” e Micahel Giles “bateria”,gravaram o segundo e ultimo disco deles com o king Crimson ,  pois se trata de um trabalho do mesmo nível do primeiro, por incrível que pareça , tendo também o  auxílio de diversos músicos de jazz,  certamente superior ao seu antecessor. Lizard já abre com uma das melhores criações de Robert Fripp, a tenebrosa “Cirkus”, cuja estrutura básica consiste em lindas estrofes, cantadas com intensidade por Gordon Haskell, e sempre seguidas de um sinistro tema de mellotron, acompanhado de um dedilhado apático no violão.Esse pode ser considerado o álbum de mais difícil assimilação da banda, com evidencias claras do jazz, erudito e o sinfônico, Lizard se mostra um trabalho complexo, dinâmico, e único. 


 O disco também contou com a participação de Jon Anderson vocalista do Yes, ele faz os vocais da primeira parte da faixa titulo Lizard. Esse fato se deu porque algum tempo antes Jon Anderson convidou Fripp para ser o novo guitarrista do Yes, já que ma mesma época a banda procurava um novo guitarrista, depois da saída de Peter Banks logo depois do álbum Time And Word 1.969. Fripp não aceitou o convite preferindo continuar o king Crimson. Em uma forma de agradecimento convidou Jon Anderson para fazer os vocais em Lizard.Quanto ao Yes logo depois eles conseguiriam um novo guitarrista, o mago das guitarras Steve Howe. Esse se trata de  um álbum de Jazz Rock, e daí vem um pergunta a cabeça, mais isso é King Crimson? Realmente a sonoridade deste álbum se diferencia muito dos trabalhos anteriores, pode ser considerada uma transformação radical. Esse fato é bem verdade, esse com certeza é o trabalho com maiores influencias do jazz e dos seus artistas, como Miles Davis, grande nome do jazz, que influenciou muita gente, na época. Não diria que esse álbum seria o melhor para começar a conhecer o King Crimson, tente primeiro ouvir In the Court of Crimson King, e Red, depois vá para a audição de Lizard, com certeza estará mais acostumado com som e os experimentalismos da banda, se gostar dos dois exemplos citados, é bem provável que goste de Lizard.

O clima torna-se ensolarado com “Indoor Games”, primeira a aproveitar a fórmula jazzística funkeada de “Cat Food”, com um resultado bem positivo, especialmente no instrumental aparentemente aleatório, mas onde todas as performances se encaixam perfeitamente. “Happy Family” é uma faixa deliciosa, que também segue a fórmula de “Cat Food”, mas de forma mais simples. Além do tema instrumental, que gera um efeito cativante ao combinar timbres díspares de vários instrumentos como piano e sintetizador, destaco nessa música o vocal de Haskell, que, assim como em “Cirkus”, não apresenta maiores virtudes técnicas, mas encaixa-se perfeitamente ao que a música pede, como que tornando-se um instrumento a mais. Após a calma “Lady of the Dancing Water”, temos a  participação especialíssima nos vocais de  Jon Anderson (Yes)! Ele substitui Haskell na primeira parte da belíssima suíte "Lizard". Esta inicia com o belo tema cantado por Jon, ao qual se segue um trecho instrumental de arranjo impecável, com ênfase nos sopros e ótimas intervenções de piano. Esse tema, que mantém o clima dramático da música, encerra-se com um desfecho glorioso. A esse desfecho, emenda-se um novo movimento, que vai aos poucos se definindo, inclusive com Haskell cantando timidamente, até que a parte vocal dá lugar a um trecho instrumental mais arrojado, com a entrada da bateria. Um novo tema dos sopros é então apresentado, irascível, onde destaco novamente as intervenções sapientíssimas do piano! Esse tema ensaia alguns desfechos, até que finalmente some e deixa apenas a guitarra de Fripp chorando baixinho, um choro raivoso, que logo dá lugar a uma nova utilização de colagens sonoras pela banda, encerrando esse lindo disco com um resultado novamente acima da média.Então,progger compre o seu.



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